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Robert Enke: um grande guarda-redes, um grande homem ![]() Há surpresas destas. Más, muito más. Quando a minha mãe, ao telefone, me deu a notícia da morte macabra do ex-guarda-redes do Benfica, fiquei sinceramente emocionado. Não porque o admirava como jogador, que chegou com a difícil tarefa de substituir o insubstituível Michel Preud’homme, e logo me convenceu, apesar da juventude. Sim porque sei que era um óptimo exemplar da espécie humana, daqueles raros exemplos de generosidade, principalmente num tema que me toca em particular: os animais vítimas de abandono. Na altura em que jogava no Benfica, Enke abriu um abrigo para animais abandonados, em Lisboa. Foi disso que ouvi falar, nunca de excentricidades malucas ou arrogância, como acontece regularmente com jogadores de futebol iludidos pela fama e pelo dinheiro. Depois de perder uma filha, Enke não aguentou a pressão, mesmo com a possibilidade bastante evidente de representar a sua selecção no Mundial do próximo ano. O comboio que o colheu levou com ele uma vida de respeito. Espero que o meu clube não me desiluda e lhe faça a devida homenagem. Etiquetas: animais, benfica, homenagem, robert enke Damon at 9:39 PM Etiquetas: música Damon at 7:11 PM
Etiquetas: homens sensíveis Damon at 12:52 PM
É pena que as necessidades da mente não se ajustem aos relógios. E à distância. Neste preciso momento, apeteceu-me conversar com alguém que me conheça. Senti uma ligeira asfixia e quis abrir a janela e gritar. Mas em português. Nada de grave. Etiquetas: desabafos, inglaterra Damon at 2:33 PM Etiquetas: blog, inglaterra Damon at 12:35 PM
Damon at 4:50 PM
Há notícias que nos atingem como o arrepio do wasabi num restaurante japonês. Depois de breves instantes de incómodo, lá nos recompomos. É mais ou menos isso. Costumo dizer que não gosto de surpresas, talvez por não me sentir confortável no momento do susto. Como todos, aliás. E quando não a percebo, a notícia torna-se corrosiva. A distância aumenta o suspense. Estou aparvalhado. Mas hei-de concluir que tudo não passa do mais natural dos instintos. Etiquetas: desabafos, surpresas Damon at 11:32 AM Acabei hoje de ler o livro de todas as polémicas em Portugal. Confesso que não me satisfez, não pelas ditas questões que têm aparentemente feito disparar as vendas do romance, mas pela escrita apressada que se sente a partir de certa página. Gosto muito do escritor Saramago, mesmo estando muito longe do político Saramago e a alguma distância do cidadão Saramago. Esperava mais de “Caim”. E compreendo que possa chocar os mais comprometidos com o alvo das críticas. A mim não me choca. Estava frio na praia. O que não impediu a presença de inúmeras famílias nas suas areias. E cães, muitos cães simpáticos. Vi mesmo algumas adolescentes despidas de preconceitos nadando em roupa interior naquele mar gelado. Imagem bonita. Agora, estou constipado… Outra vez. Etiquetas: bournemouth, caim, inglaterra, livros, mar, praia, saramago Damon at 6:57 PM Trabalho intenso. Preocupações. Primeiras desilusões. Saudades – mais ninguém as tem. Assim se pode dizer que têm sido os últimos dias. Como a curva trepa pelo gráfico acima para logo a seguir cair numa cova escura, aí como aqui. Gente difícil. Como eu. Talvez não como eu, mas difícil, de qualquer forma. Eu, sozinho entre a multidão. Estrangeiro reforçado pelas minhas ideias: não gosto de beber, não fumo, não gosto do facebook, oiço música alternativa; o pior de tudo – por vezes sinto-me triste. Etiquetas: desabafos, inglaterra Damon at 1:30 PM
Hoje é o primeiro dia. Mais um primeiro dia que me faz pensar em Sérgio Godinho e na sua canção profética que eu adoro. Daqui a pouco vou encontrar uma universidade a abarrotar de nacionalidades e intenções. Isto tudo com as minhas bem presentes. As intenções, quero dizer. Sonhei com o meu antigo emprego. Passo as noites em Portugal, entre os meus cães, sítios que quis trazer comigo e, pelos vistos, trabalhos de outra vida. Etiquetas: inglaterra Damon at 10:48 AM
E ao quinto dia, choveu, acrescentando a nitidez à ideia de que estamos mesmo em Inglaterra. “E estamos”, respondeu em coro o grupo por vezes designado “Nações Unidas”. Sim, também há ingleses por aqui mas, para já, o sítio parece ter sido colonizado por nós, criaturas multicoloridas, com sotaques mais ou menos estranhos, mais ou menos estranhamente familiares. Suponho que o núcleo duro do grupinho que teve a sorte – nada de ironia, é verdade – de se encontrar na espécie de quintal desta residência é composto por: um português que tem que explicar porque tem sotaque inglês; um sul-africano; uma austro-húngara de origem alemã que tem sotaque americano; uma grega; uma francesa; um indiano da Índia; um indiano de outro planeta, que me faz sorridentemente lembrar um amigo açoreano de outro planeta também :-) Cinco dias depois, começo seriamente a desejar que não nos desencontremos quando as aulas começarem. Etiquetas: chuva, inglaterra, nações unidas Damon at 10:47 AM Bournemouth, Inglaterra. Etiquetas: desabafos Damon at 10:11 AM
A suspensão do Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes é, acima de todas as suspeitas que possam existir, uma bênção para os amantes do jornalismo. A TVI aliás não faz jornalismo, apenas se limita a prolongar o longuíssimo departamento de ficção. Olha, porque não pôr a Mariana Monteiro a apresentar o Jornal Nacional? O conteúdo era o mesmo e o espaço “noticioso” ganhava contornos bem mais… aprazíveis… Gosto muito de bebés. E normalmente os bebés gostam de mim, tenho que admitir. Mas também devo confessar que ultimamente tenho receio de olhar para eles e sorrir. Isto anda tudo viciado e, com ou sem razão, há pais que já nem isso toleram. O que está mal é que isso geralmente só se aplica quando somos nós, homens, a tomar a iniciativa. Pergunto eu: não há mulheres mal-intencionadas? Damon at 12:20 AM Etiquetas: noite Damon at 12:21 AM Etiquetas: desabafos Damon at 1:24 AM O Benfica entrou no campeonato com as pernas tortas. Não que tenha jogado mal. Não que tenha jogado muito bem. Não vale a pena arranjar desculpas, mas é um facto que os jogadores do Marítimo são extremamente frágeis, vem uma brisa e desequilibram-se. Isto ainda agora começa e já promete, principalmente grandes anti-jogos de futebol sem brilho. AJUDEM A UNIÃO ZOÓFILA. Em boa hora reparei nestes anúncios em plena Lisboa, logo gravei o número no meu telemóvel e agora posso – e podemos todos – aos bocadinhos – por uns míseros 60 cêntimos dar uma refeição a um animal abandonado. Não custa – quase – nada. 760 501 015 Etiquetas: animais, benfica, raul solnado, união zoófila Damon at 11:35 PM ![]() Deixou-nos uma das minhas personalidades preferidas, não só no desporto, como a todos os níveis. Bobby Robson, que em Portugal nunca treinou o meu clube, foi sempre um exemplo de dignidade e simpatia. Cheguei a quase passar por portista para chegar a ele. Tinha o desejo de o conhecer, o meu pai negociava regularmente com um portista ferrenho – tinha a fábrica pintada de azul e branco –, homem de alguma influência junto do papado, na altura em que Bobby Robson treinava o Fêquêpê. Nunca conseguiria nada se denunciasse o meu benfiquismo – horror, tragédia, infâmia – por isso, preparava-me para entrar camuflado no estádio das Antas e ser apresentado ao meu ídolo quando o Barcelona se adiantou e o levou para Camp Nou. Diz quem o conhecia que, para além da força, do bom humor, da educação – que exibiu até ao último momento –, tinha uma enorme sensibilidade para com os menos afortunados. Eu diria, recorrendo à vulgaridade das frases feitas, que já não se fazem homens assim. Farewell, Sir Bobby! Etiquetas: bobby robson Damon at 2:27 AM Etiquetas: barretes, bota, carapuças, pé Damon at 12:35 PM Etiquetas: andar a pé, mar, murros, violência Damon at 9:15 PM Vejam: Rita Sá Etiquetas: ilustração, rita sá, vídeo Damon at 12:44 PM ![]() Etiquetas: exposição, fotografia, litoral Damon at 2:38 PM Damon at 10:06 PM Pronto, fui pela primeira vez ao casamento de um amigo. Daqueles amigos da minha idade, portanto, cuja vida e suas etapas acabam por ter um maior impacto em mim. Não vou a muitos casamentos, por isso, acabo por precisar de esclarecimentos ao longo da cerimónia, particularmente na igreja, onde me sinto completamente a mais. Mas não são esses “pés pelas mãos” a que me fui habituando com regularidade que mais me fazem pensar. É a cena típica de um filme “pipoca”: o solteirão, nostálgico e introspectivo, no casamento do amigo. Sem namorada. Sem uma “escort girl” para disfarçar. Sem nada, a não ser outro amigo – caso único – na mesma situação. Como já deixei claro, a cerimónia religiosa pouco ou nada me diz, a não ser o respeito que me merecem as crenças mais ou menos fundadas dos outros. Mas é a ocasião em si. Eu podia dizer que o casamento me é indiferente, que o que interessa é estar com a pessoa que amamos. E esta última parte é sem dúvida preponderante. Mas eu sou assim, gostava de viver numa casa à beira-mar, com um cão e um gato, a mulher que eu amo e um rebento só nosso. E também gostava de casar. E não me imaginava “tão” solteiro por esta altura da vida. Bom, que o Pedro e a Joana sejam felizes para sempre… Etiquetas: casamento, desabafos Damon at 7:01 PM in BU’s Essential International Welcome Guide Não é bom sinal… É das atitudes mais irritantes dentro do género “eu estou-me a borrifar para o próximo”. Se as pessoas não querem saber a resposta, então porque perguntam? Porque se convencionou… E há convenções que são extremamente desumanas, egoístas. Cómodas, como qualquer convenção. Eu sou daqueles que não hesitam em responder “não, não está tudo bem” quando me colocam perante essa não-questão “olá, tudo bem?”. É que não faz sentido. Pressuponho ingenuamente – ou teimosamente – que a pessoa que inquire está interessada, nem que pelo mínimo de altruísmo, em mim. Não querem a verdade, então poupem letras e saliva. Tenho dito. Com toda a honestidade possível. Etiquetas: desabafos Damon at 1:01 AM Poucos sabem reagir à tristeza. Dissemo-lo e bem. Na verdade, é bem mais fácil partilhar uma piada numa noite de copos mais ou menos cheios, conversar sobre a vida (dos outros) do que lidar com alguma amargura alheia que necessite urgentemente de uma mão pousada na cabeça. Às vezes, é preciso saber ficar triste com o amigo, mais do que tentar mesmo animá-lo. As piadas por vezes fazem-nos chorar. Mas poucos sabem verdadeiramente conversar com um amigo triste sem entrar em pânico, em excessos de tentativas reanimadoras ou pura e simplesmente na mais egoísta das reacções: o frete. Aqueles que conseguem lidar com as crises dos outros merecem um aplauso, ainda que pouco mais recebam do mundo do que isso. Damon at 11:04 PM E os amigos são também estes inocentes bichos que adoro e que me adoram de uma forma totalmente inocente, porque inconsciente. Vi parte do debate na SIC. Não o suficiente para tirar conclusões que não tivesse já tirado. Mas ainda fico chocado com a podridão humana. Obrigado, Rodrigo Guedes de Carvalho, por trazer o tema à baila, a bem de uma humanidade desejosa de evolução. Etiquetas: amizade, animais, desabafos Damon at 12:32 AM Damon at 12:50 AM Etiquetas: chuva, desabafos, quase Damon at 12:51 AM Etiquetas: cinema, música, viver Damon at 10:03 PM Whether to write Or too wrong... Damon at 2:03 AM Vou enviar para Inglaterra o DVD que marcou aqueles meses de 2004. Que saudades das filmagens na Afurada, no Palácio de Cristal (schhhiu, clandestinas), na estação de comboios abandonada… Tem um cheirinho a adrenalina bem aplicada, esta curta-metragem, pioneira dos vencedores do LSI Dourado… Vai servir de amostra de tempos (bem) passados, lá em Bournemouth. Com o DVD, vão estes três seres estranhíssimos da fotografia, o Bum, a Bella e o Basil, bem como o sensível Manel, o terrível Inverno, a fria Luísa, o frustrado Graham, e muitos outros… Esperemos que eles sejam “sensíveis”, se percebem a ideia… Etiquetas: cinema, homens sensíveis Damon at 11:00 PM Está um fim de tarde daqueles. Eu aqui, a ouvir a “Hold Still”, com o David e a Ritinha, enfim… Parece que viajo e gosto e não gosto. Mergulhei em poemas velhos ou antigos, já nem sei. Recordei revoltas de adolescente e tive saudades. 1997. Tanto tempo. E nada. Estes fins de tarde continuam a ser daqueles. E eu continuo a vê-los com a mesma sensação. Do mesmo sítio. No mesmo número. Etiquetas: david fonseca, desabafos, música, pôr-do-sol, rita redshoes Damon at 6:50 PM
Eis uma lista de canções que me andam na cabeça ultimamente: 1.Franz Ferdinand – Ulysses 2.The Hours – Back when you were good 3.Morning Runner – It’s not like everyone’s my friend 4.The Hours – Ali in the Jungle 5.Kaiser Chiefs – Never miss a beat 6.Franz Ferdinand – Live Alone 7.Lily Allen – The Fear 8.The Hoosiers – Cops and Robbers 9.Goldfrapp – Clowns 10.Morrissey – Piccadilly Palare Etiquetas: música Damon at 11:54 AM
Cá estou eu, Mais uma vez, Frente ao espelho. Fina tela de gozo. Espera por mim todos os dias. É como se do outro lado Eu fosse mais feio, Pior ainda porque o vidro Se foi riscando Com o cair da areia Da erosão dos tectos. Cá estou, no entanto, incapaz De me pôr a andar, Dar de frosques A toque de corrida, Sem nunca voltar o pescoço Para dizer adeus. Limito-me a Contemplar a figura odiada, Desejar outra em lugar dela, Chego a ter pena do que vejo. Fico aqui horas a fio, Cosendo incapacidades, Inércias e indecisões. Etiquetas: poema Damon at 6:09 PM
Damon at 11:22 AM
Quero chover, Encharcar de mim os teus cabelos, Dar brilho à tua pele esquecida De amor, de abraços, de apoios. Fazer história, correr rua abaixo, Em direcção ao rio turvo, Onde se misturam as lágrimas E os químicos, lavada a roupa suja, Quero polir as pedras, Esculpi-las das memórias Da minha passagem por ti. Quero riscar as luzes, Criar ilusões nos reflexos, Fazer-te sorrir, acreditando Na inocência das águas, As mesmas que matam em alto mar. Que me bebas, Que me chores, Que laves em mim os dedos cansados, Que te queixes dos meus dias, Usando-me como desculpa Para as horas em que és insuportável. Prefiro chover eu. Não gosto que chovam pedaços de céu. E não quero que sejas tu A desfazer-te em dias cinzentos. Etiquetas: poema Damon at 3:43 PM
Não ando propriamente na mó de cima, por isso não estava com um espírito particularmente adepto de concertos rock, com energia e saltos e excessos. Gosto de Kaiser Chiefs porque os considero uma lufada de ar fresco, ao mesmo tempo que me lembram a adolescência ao som dos Blur, dos Pulp, dos Elastica, etc. Ricky Wilson é uma máquina, em palco, não sei - nem quero saber - onde vai ele buscar tanta energia, mas é de facto contagiante. O que eu não esperava era que, estando mais ou menos a meio do Coliseu do Porto, assim de lado, discreto e pacato, acabasse por levar com o vocalista da banda em cima... Tudo aconteceu quando ele resolveu saltar do palco, misturar-se na multidão em êxtase e escalar até às cadeiras da tribuna, onde se sentou um bocadinho, para logo a seguir mergulhar no público cá em baixo. Exactamente onde eu estava. Lá estiquei o braço, mais para impedir que ele e eu nos estatelássemos do que para tocar a camisola transpirada do moço. Mas pronto, é mais um momento que fica para contar aos netos, quando os Kaiser Chiefs tiverem a idade e o aspecto dos Stones... Etiquetas: kaiser chiefs, música Damon at 4:40 PM
Etiquetas: aniversário, avó Damon at 5:23 PM Damon at 4:19 PM Na sala de espera de um hospital, entre correntes de ar que cumprem o papel de angariadoras de clientes, às 3 horas da manhã. Distraidamente, a televisão ficou no mesmo canal que dá concursos e telenovelas, e agora provoca com cenas muito próximas do limite diabólico da pornografia. As senhoras mais velhas tapam os olhos com as mãos semi-abertas, como fazem as crianças ingénuas, e espreitam sem querer por entre os dedos. Os homens pasmam. As raparigas sorriem e mordem os lábios. Eu sorrio e dou graças à ironia, que ainda nos faz mexer os lábios para cima. Se chega uma ambulância, meia dúzia de súbitos samaritanos confundidos entre a realidade e o “Tá a gravar” aproxima-se de imediato, esfomeada, mas faz cara de preocupação, que é o que interessa. A coluna, rouca, afónica, chama os doentes e seus familiares como se estes fossem “um prato de sopa para a mesa 5”. A maioria das vezes não se percebe metade do discurso, mas nem por isso se repete. A vida desta gente não vale assim tanto. Cabe toda numa sala de espera de um hospital, às 3 horas da manhã. Etiquetas: hospital Damon at 3:58 PM
O café da máquina hoje até nem sabe tanto a comida fora do prazo. Da sala ao lado, ecoa a voz do Chris Martin numa ironia desgraçada e fantástica: “we live in a beautiful world, yeah we do, yeah we do”. Através da janela, apesar da chuva, um passarito empoleira-se nos braços pouco mais fortes do que ele do arbusto que veio para aqui ao engano, e por cá ficou. Depois, o pássaro voa. O café acaba. A música entra em fade out. Fico eu, o arbusto e a chuva. Unidos pelo minuto que acabou. E pela eternidade menos bonita que regressa. Etiquetas: desabafos Damon at 11:28 AM
Etiquetas: desabafos Damon at 2:49 PM Enquanto os teus assuntos se resolvem no janeiro quente do outro lado do mar, muita coisa vai mudar, por aqui, vais ver. Vou fazer a barba, cortar o cabelo e comprar roupa nova. Encontrar todos esses seres mais ou menos objectos de que falámos. Voltar a escrever, a pintar, a fotografar. A mostrar o que faço. Erguer-me como se fôssemos chutar uma bola contra o meu portão. Sentir-me eu como tu te sentirás tu. Para que, depois do entretanto, quando voltares, nos sintamos nós. Eu, às vezes, sou assim, como um Mark Renton com um saco de dinheiro na mão, ao som dos Underworld, no fim do Trainspotting. É. Eu às vezes tenho esperança. Enquanto não tropeço. Etiquetas: desabafos Damon at 10:45 AM
Damon at 4:23 PM
Isto É uma espécie de SMS. Mas sabes que, para mim, é Sempre Mais Simples Pegar na esferográfica e, Ainda que risque, Adultere e viole o espontâneo, Sou mais capaz de dizer o que sinto. Mal de mim Que digo o que sinto. Londres é cinzento. É o céu da cor dos prédios E os prédios da cor do céu. Aqui e ali, Umas manchas vermelhas Escorregam pelas ruas húmidas. Outras manchas, Pretas, mais pequenas, Apregoam o seu estilo E vendem-se em miniatura Como Galos de Barcelos. Londres é azul, Porque a luz cinzenta Assim se desenha Nos edifícios cinzentos. Londres é dourado, Só para enganar, Pintam-se as pontes E o cume das estátuas, Que se querem altas, Para que se confundam com Aviões que voam baixinho E contrastem com o céu. Londres é amarelo, Porque o dourado Perde inevitavelmente o brilho. Ou seja: Londres é colorido. Mas só com dois pares de olhos Se consegue ver as cores. Londres Não é como Paris. Em Paris, Está escrito Que se anda de mão dada À pessoa oferecida. Em Londres, Passeiam-se os amigos, E o romantismo É o desse abraço quente E permanente. Aqui, Sinto-me mais português Do que na China. O meu sorriso é verde E vermelho, Com um escudo Na ponta do nariz. Sussurro na névoa Da minha respiração Palavras da nossa língua, Cantadas com mais força, Até parece! Mas sou generoso. Dou-lhes o sorriso que não têm. Em troca, Peço apenas que me deixem Viver um bocadinho Deste país que arrepia. Que vicia. Estou triste, Sem o abraço quente, Sem distinguir as cores submersas No reflexo do rio. Mas sei Que vou cá voltar. Again and again. Mesmo que sozinho E a preto-e-branco. Londres, 29 de Novembro de 2008. Damon at 3:54 PM
- If left untreated, it could kill you. Tradução: - Se a esquerda não for tratada, pode-te matar. Citando esse grande linguista e sambista nas horas vagas, Alberto João Jardim, "'Tá tudo grosso ou quê?!" Etiquetas: tradução Damon at 8:26 AM
“Reviver o Passado em Brideshead” é uma história complexa, polémica para a época, mas também, na minha opinião, um dos melhores textos jamais escritos. Evelyn Waugh, que era um homem e sim, Evelyn era mesmo o seu nome, apesar de criticado por George Orwell ou Martin Amis, teve em “Brideshead Revisited” uma obra-prima, a meu ver. O filme, com o “fininho” Matthew Goode, a orgulhosamente avantajada descoberta de Woody Allen (à falta de Scarlett), Hayley Atwell e a irrepreensível Emma Thompson, está bem feito, os actores são os bons novos pupilos da melhor escola do mundo na arte de representar, em particular, papéis de época. Então, o que levou um senhor chamado Luís Zanguineto a vir à baila e de forma tão veementemente nauseabunda (bela junção de palavras caras)? Conhecem a sensação de, num jogo de futebol bem jogado, entre duas grandes equipas, aparecer um árbitro (português, pois claro) que, com a sua mediocridade, arruína o espectáculo? Pois bem, o senhor Zanguineto não é árbitro, mas teve o mesmo efeito sob o filme de Julian Jarrold. O senhor Zanguineto é um pseudo-tradutor que fez a maior borrada da História do cinema, pelo menos, dos filmes que eu vi, e já são alguns. Do princípio ao fim, sucedem-se erros em português (“conheçes”, “fizes-te”, etc.) mas também traduções fabulosas como “Parado, eu sei o que fizeste” para “Still, I know what you’ve done”. As frases não são exactamente estas, mas garanto a semelhança. Talvez noutros tempos eu desculpasse mais facilmente o senhor Zanguineto, vá, teve um dia mau, a mulher trocou-o por outra, o gato deitou-lhe abaixo a pilha de cd’s “Romantic Ballads”… Mas, sabe, senhor Zanguineto, a vida está difícil, e eu tenho amigos que estão desempregados. Um deles é tradutor. E competente. Etiquetas: cinema, reviver o passado em brideshead, tradução Damon at 11:20 AM
Prefab Sprout, We let the stars go "Ne me quitte pas, il faut tout oublier..." Jacques Brel, Ne me quitte pas O poder da música é infinito. O meu maior vício. Uma seringa que me entra pelos ouvidos... Melhor, uma cotonete, que faz cócegas... Uma fuga para o mundo onde tudo tem o ritmo que eu lhe dou. E os sonhos se realizam quando pressionamos a tecla "play". Etiquetas: jacques brel, música, prefab sprout Damon at 5:23 PM Etiquetas: amizade, música, new york, reni laine Damon at 10:21 AM
Lá fora, senti o vento adormecer-me os membros, enquanto lutava contra o caminho e todos os seus aliados atmosféricos. Senti pequenas lágrimas secas prejudicando a visibilidade, transtornando os olhos forçados a olhar em frente, mas para baixo, quando “the only way is up”. Desculpas. Mas, e cá dentro, porquê este calor parecido com o frio exterior? Porquê estas queimaduras de gelo, esta máquina de acinzentar os dias de sol? Damon at 10:24 AM
E que tal, um dia, sair do trabalho, à tardinha já escura, com as estrelas a entrar na sala do céu e a instalarem-se lentamente para o filme da noite, entrar no carro e ligar o rádio – Morrissey, “Vauxhall and I”, hoje, pode ser? – e dar à chave como quem sorri, atravessar a cidade como quem voa devagarinho, ver nos sinais vermelhos uma pausa, nos verdes uma aproximação e nos amarelos a certeza de que depressa ou devagar, não importa, chegar a casa – aquela virada para o mar, pode ser? – e encontrar o cão e o gato a brincar juntos, na cozinha, levantando-se em uníssono para as boas-vindas, ir fazendo o jantar enquanto não chegas – lasanha, hoje, pode ser? – e pôr a música a tocar enquanto o forno aquece – Elvis Costello, agora, pode ser? – até que o som de reco-reco da chave na porta me faz aproximar para te acolher nos meus braços – pode ser? – e passarmos o resto da noite a conversar na sala, com o mar cantando lá fora… Etiquetas: amor, casa à beira-mar, conduzir, elvis costello, lasanha, morrissey Damon at 12:02 PM
Dançam paus e pedras À minha volta, querem Que eu seja o Sol, Que eu esteja só Como o Sol. Por vezes, sinto O toque do quartzo Nas manhãs, no meu quarto, Se me intrometo na rota, Se me desvio do trajecto. Por vezes, sinto As farpas do carvalho, Ardem como o Capitólio Nos sonhos de um revolucionário, Espetam-me a pele Como se me fossem devorar Com batatas e salada e arroz, ao jantar. Dançam paus e pedras À minha volta, querem Enganar-me com as suas danças, Esperam a voz de comando, Entretanto, de mãos dadas, Dançam à minha volta, Querem é manter-me debaixo de olho, Para certeiras, me partirem Em pedaços iguais a eles. Etiquetas: paus, pedras, poema Damon at 6:11 PM
-Coffee Republic, Oxford, num Inverno difícil, esperando a chegada de um amigo para ajudar a dar valor à vida E um outro: -na Foz, agora e sempre, mesmo que não haja muffins... Etiquetas: muffins Damon at 6:07 PM
Tenho andado com saudades dessa especialidade gastronómica anglo-saxónica. E ainda que seja um apreciador confesso do dito “queque”, admito que o facto de o associar a momentos e locais específicos tem um peso considerável na minha nostalgia: - no Tesco’s, em Inglaterra, retirados de um cesto e postos em sacos de plástico para depois serem comidos num banquinho de Hyde Park, Holland Park, Lightoaks, etc.; - no Starbucks, em Nova Iorque, perto dos escombros do World Trade Centre, numa pausa rara, entre o metro e o path para New Jersey; - noutro Starbucks, em Barcelona, perto da Praça da Catalunha, ansioso, fazendo tempo para ir até à Ronda de la Universitat, ao fim da tarde. Também ando hoje a ouvir demasiado a “Peeping Tom”, dos Placebo. Aquelas linhas “I’m faithless, I’m scared” batem nas paredes num ricochete constante. Nunca vão embora. Vão embora. Embora. Etiquetas: muffins, placebo, viagens Damon at 11:12 AM
Não me apetece beber leite espanhol. Não depois do episódio insultuoso de ontem, na Galiza, onde se viram rios de leite português – e que fosse sérvio, bangladeshi ou guatemalteco – correndo em rio pela estrada fora, com a conivência – e algo mais – dos produtores da zona, que protestavam ali ao lado contra a importação desse alimento a partir do nosso país. O leite é um bem essencial, pelo qual choram milhões de pessoas por todo o mundo. Este tipo de protesto revolta-me, dá-me vontade de tudo menos de me solidarizar com os manifestantes. E em abono da verdade, é bastante frequente no nosso país vizinho. Por outro lado, imaginem o que seria se boicotássemos tudo o que importamos de Espanha?... V. S. Naipaul escreve bem que se farta – pudera, estamos a falar de um Nobel. Mas o que importa realçar é a simplicidade da sua escrita – simples, não básica. A impressão que me dá é que, em Portugal, um escritor que escreva de forma simples só é elogiado se for estrangeiro. O Eça já lá vai, agora confunde-se simplicidade com a banalidade de uma Margarida Rebelo Pinto – entre outras vedetas. Elogia-se imenso alguém que dá a volta ao texto de tal forma que mal se percebe e ainda menos se sente o que lá está. E vamos andando pelos caminhos movediços do pseudo-intelectualóidismo. Leiam “Miguel Street”. Etiquetas: leite, livros, protesto, v.s. naipaul Damon at 3:08 PM
Aleatoriamente, numa lastfm cada vez mais activa, calhou-me a “Carnival 2000”, dos Prefab Sprout. E então senti que a desconfortável cadeira roubada provisoriamente ao jardinzinho se desprendia do chão e, entre uma mistura de confetti e estranhos gritos de guerra – daqueles que não fazem mal a uma mosca – pairava no ar. Mas em 1995. Comoveu-me. Fez o coração bater com mais força, mais depressa, com toda a juventude possível. Pá, os Prefab Sprout… Tanta inocência junta! Etiquetas: 1995, prefab sprout Damon at 6:32 PM
Nada de especial. Nem convém dar importância a episódios destes. Mas não deixa de fazer pensar na efemeridade das relações humanas, na irracionalidade dos gestos mais pensados. Eu explico. Passeávamos num parquezinho perto de nossas casas quando avistámos ao fundo um indivíduo do sexo feminino fazendo o seu jogging vespertino na direcção contrária e, sem hipocrisias, reparámos nas abundantes formas esféricas que lhe povoavam o peito – há sempre uma forma estupidamente cara de dizer as coisas. Uns dois segundos depois, ambos devemos ter pensado se seria a nossa antiga colega de turma – uma daquelas que, não sendo amigas, faziam parte do núcleo com quem nos dávamos bem. E eu, em particular, não me dava bem com muita gente, naquela turma. Bom, confirmámos as suspeitas e preparámo-nos para o encontro – o “então, o que tens feito, blá blá”. Não é que a nossa avantajada amiga, de auscultadores colados aos ouvidos por via do cerúmen, se limitou a baixar os olhos e a seguir? E mais uns minutos, repetia-se a situação. Rapidamente concluímos que não valia a pena comentar. Mas estou certo de que ambos ficámos a pensar nisso. Em quê, concretamente, não sei. Etiquetas: existencialismo, formas esféricas, jogging Damon at 6:04 PM
Podem ficar a conhecer as minhas escolhas aqui: www.clubeliterariodoporto.blogspot.com/ Damon at 3:31 PM De Espanha não vem bom vento, mas vem bom exemplo… Esta noite, fui surpreendido – mas não assim tanto – com a demissão de Camacho do cargo de treinador do Benfica. Não vou fazer comentários desportivos, embora possa acrescentar que me entristeceu ver um treinador que admiro ficar muito abaixo das expectativas à frente do meu clube. Quero salientar apenas a dignidade de um homem que se podia ter deixado continuar no seu lugar – era pouco provável que o demitissem – até ao final da época e depois tirar umas férias. Viu-se contestado, assobiado no seu estádio, assumiu a derrota e demitiu-se para dar espaço a quem consiga levar a cabo a tarefa que ele, assumidamente, não conseguiu. Tendo-se demitido, não tem qualquer direito a indemnização. Mas fê-lo com uma dignidade que não se vê todos os dias: no futebol, como disse Luís Filipe Vieira; na vida, e aí entra a razão do meu comentário. Maria de Lurdes Rodrigues é uma mulher derrotada, vencida pela evidência de ter “os sócios do seu clube a assobiá-la no seu estádio”. Mesmo que “o presidente do clube” mantenha o apoio, seria uma lição de dignidade e bom-senso seguir o exemplo de José António Camacho. Talvez ela diga que a política não é futebol. É verdade. Mas em homens como Camacho, o futebol consegue ser uma actividade bem mais nobre do que a política. Etiquetas: comentário, futebol, política Damon at 1:29 AM
Uma voz a sério Com este artigo, corro o risco de, por mero mal-entendido, passar por moralista, desconsiderando grande parte das muitas associações de defesa dos direitos dos animais em Portugal. Não é, de maneira nenhuma, esse o objectivo. O texto que partilho convosco esta semana passa essencialmente por uma reflexão crítica, embora consciente das dificuldades inerentes a actividades que não rimam com “lucro”, da acção das digníssimas organizações que, em Portugal, combatem os abusos de uma espécie teoricamente inferior sobre outras mais vulneráveis. A verdade é que, no dia-a-dia, em conversas mais ou menos formais com pessoas que, como eu, gostavam de ver respeitados os direitos daqueles que vivem por cá com a mesma legitimidade que nós, sinto a frustração por muito raramente ver as propostas – seja a título individual, seja institucional – serem levadas a sério por quem tem algum poder decisório. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 3:35 PM
Não consigo dormir. Na minha cabeça corroída, ecoam frases simples, aparentemente desprovidas de pólvora mas que, ditas por pessoas de quem gostamos, ferem lentamente na contagem silenciosa das horas nocturnas, quando o tecto do quarto é o triste céu onde somos livres de desenhar todas as apoquentações. Sem querer – eu sei que não é essa a intenção – insultam-me e magoam-me. «Superior, eu?» Tem graça… Minha cara, a razão pela qual eu desaprovo essa conduta é precisamente por te achar demasiado valiosa para esses comportamentos… Etiquetas: desabafos Damon at 3:25 AM
Gostaria de partilhar convosco a minha preocupação crescente para com as tradições que fazem com que o nosso país seja um dos destinos mais requisitados no Carnaval. Pelo menos um dos dois países mais procurados na Península Ibérica. O segundo lugar nesta lista não nos envergonha em nada. Preocupa-me é a perda da nossa identidade, através dos tão bem conhecidos “certos e determinados” interesses “derivados da questão” e, citando o desaparecido Octávio Machado, “vocês sabem do que é que eu estou a falar”. E se não souberem, dá sempre para arranjar qualquer coisinha. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 3:23 AM
canção do momento: guillemots, «by the water» «Sometimes, I feel like nothing’s ever gonna change» Damon at 3:27 PM
![]() Hoje é um belo dia porque hoje é o dia do primeiro episódio da quarta temporada do House na TVI!!! Alegrem-se cínicos, mal-barbeados e coxos, a saúde volta a entreter-nos depois das chamadas entre o INEM e os bombeiros... Vicodin! Vicodin! Vicodin! Damon at 7:44 PM canção do momento: the kinks, «dead end street» Ontem, pela conjugação de interesses e comodidade, desci pela primeira vez até à Ribeira no elevador dos Guindais, o famoso funicular. Nos ouvidos, by the way, “The Lighthouse”, dos Interpol, estranhamente calma, uma espécie de “Song to the Siren” com guitarras. A visão do Douro das pontes e das cascatas sanjoaninas de casas e mais casas aconchegadinhas conseguiu comover-me. Um sábado de Inverno cheio de sol fez-me sentir orgulhoso desta terra tão genuína. Hoje comentei com um amigo que, de cada vez que viajo, quando regresso, gosto mais do Porto. E não necessariamente porque as viagens corram mal. Seja a canção nacional, a de Alfama ou a do Choupal, o Porto também tem um fado. Aquela beira-rio é a nossa Severa. E canta que é uma maravilha... P.S.: Volta. Etiquetas: porto Damon at 11:14 PM
canção do momento: o i-tunes encravado Damon at 11:20 PM
faz hoje cinco (5!) anos que dei andamento a uma espécie de muro das lamentações cibernético, um caderno tragicómico onde me permiti dizer o que muitas vezes não podia fazer em público, soltando esta garganta - e as outras, as que não tenho. Houve alturas em que deixei de o poder fazer, pouco interessava que o dissesse ou que o escrevesse, a notícia chegava onde cruelmente não podia chegar. Vítima dos humores, o blog dos que passam horas a olhar o mar sofreu intermitências que lhe danificaram seriamente a coluna, o sistema nervoso e muitos complexos de golgi de células inocentes - vêem os nomes bonitos que se aprende em ciências, durante um ano e meio? Reflecti gravemente, mais do que nunca, e cheguei à conclusão de que hoje seria um belo dia para desligar a máquina e deixar descansar um endereço que sofre de comas demasiado insistentes. Sou teimoso, acredito na vida depois do log off. Vai-se aguentar mais uns tempos... Vamos ver. Não deve fazer muita diferença, de qualquer das formas. Se o modo de vida continuar assim tão pouco saudável, então, desligo-lhe mesmo a máquina e guardo-o numa moldura com extensão do word. Depois culpo a Al-Qaeda, o árbitro, o Correia de Campos e o tempero da açorda de ontem à noite. Etiquetas: aniversário Damon at 3:55 PM
Damon at 12:15 AM
Lá para os lados da nova romaria. Sim, o grande armazém transformado em local de passeio, então agora, que aos domingos permanece aberto mesmo depois do cozido do almoço. É ali perto, não muito longe do racionalismo sueco, onde se garante que as peças do puzzle encaixam mesmo e se faz crer que os cachorros sabem melhor com cebola frita. Assim, parece que o meu objectivo é claramente o de condenar o senhor que, há umas décadas, apostou num engenhoso método de fabrico de móveis, numa pequena cidade sueca, e que hoje se pode dar ao luxo de baptizar qualquer peça para qualquer sector da casa com nomes tão difíceis de pronunciar como os nomes completos das personagens dos filmes de Ingmar Bergman. Mas não. Nem me passa pela caneta denegrir a imagem do complexo azul e amarelo de Matosinhos, ali como quem vai para o aeroporto ou para o porto de Leixões. Situar-vos é a tarefa. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 7:27 PM
Fim-de-semana prolongado, neste pedaço de terra abençoado pela sorte e por sabe-se mais quem, dependendo das crenças ou cepticismos de cada um. Já se mudou para a décima primeira página do calendário e apenas olhando com atenção nos apercebemos de que o Natal avança ao nosso encontro e já só está a pouco mais de um mês de distância. As janelas conservam-se abertas, como que para armazenar dentro de casa um pouco desse sol incomum, brilhante num céu cujo azul engana turistas e confunde os vendedores de gelados e os de castanhas. Sinal de perigo, dizem uns, e eu acredito… Desconfio de cada movimento das mãos humanas na manutenção da bola gigante que lhes serve de casa. Principalmente quando o poder ofusca cada um desses gestos, como se os braços precisassem de olhos e, acima de tudo, de coração. Mas isso, de momento, não vem ao caso. Na televisão, as coisas são diferentes. Chegam-nos notícias de um México ensopado, poucos dias depois de vermos constantes chamas engolindo a Califórnia, não muito longe na simplificação de um planisfério. Já quase não há nomes para dar aos fenómenos – mais ou menos – naturais que todos os anos, durante os 12 meses, reviravoltam a vida de algum povo. As imagens dramáticas arrepiam-nos as refeições e a verdade é que somos verdadeiramente afortunados quando não sentimos na pele a revolta de um planeta demasiado cansado de agressões. Olho à minha volta e vejo os meus companheiros felpudos, acenando a cauda em jeito de concordância. Talvez eles ainda tenham mais sorte do que eu. Se o ser humano sofre com todas estas tragédias que juntam na mesma panela o fogo, a água e o vento, não se pense que sofrem menos os outros animais. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 6:13 PM A arte, como qualquer forma criativa, não só pode como deve ser colocada ao serviço de ideais, em particular da liberdade, uma vez que seria absurdo que uma actividade tão dependente do livre manuseamento de um pincel ou das próprias mãos, se associasse a qualquer espartilho ou prisão. Os artistas, mais ou menos geniais, mais ou menos inovadores, têm sido responsáveis por inúmeras revoluções, não só a nível político, como principalmente a nível de mentalidades. É bom que assim seja. A característica primordial que faz da arte um bicho tão estranho, tão difícil de definir no idioma dos dicionários e das enciclopédias, é a ausência de limites ou fronteiras – a liberdade levada ao extremo. A irreverência é uma arma tantas vezes usada e tantas outras vezes incompreendida. Quantos não foram os génios que, espezinhados em vida pela ousadia do seu intelecto, acabaram por ver, do repouso das suas sepulturas, serem-lhes reconhecidas capacidades dignas da imortalidade. Aplausos para todos eles. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 4:23 PM
A Associação ANIMAL está a organizar uma manifestação contra a experimentação em animais, e que vai acontecer amanhã, dia 25 de Outubro, às 16 horas, em Lisboa. A propósito dessa acção, mais uma que se espera, desta vez, chegue aos ouvidos congestionados de quem pode fazer alguma coisa, revisitamos um tema que remete de forma macabra para os mais violentos episódios do cinema de terror. Porquê insistir em rimar ciência com violência, se desses versos não sai certamente poesia? Se desses versos sai o alimento de uma indústria que vive, de sorriso ensanguentado no rosto, do massacre de pobres criaturas com a desculpa do comodismo da suposta e imposta supremacia humana? Como sempre, nestas coisas da dor e do sofrimento, pede-se ao leitor que se coloque no lugar da vítima, que se imagine a servir de objecto de estudo por parte de um grupo de estranhos seres de bata aparentemente imaculada – nem o melhor detergente dos mais insistentes anúncios dobrados do castelhano consegue destruir a evidência da crueldade – que usam o seu corpo, que o cortam, que o queimam, com o leitor a ver, sem perceber, mas a ver, a sentir… Milhões poderiam descrever a sua experiência dessa forma caso tivessem acesso a um alfabeto que se traduzisse em palavras humanas. Assim, estes animais limitam-se a chorar à sua maneira, sendo ignorados porque é fácil fazê-lo. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 4:41 PM
Talvez, Richard, talvez a aproximação cúmplice de Jamal aos animais o tenha levado longe demais, a um ardor trágico no fim. Mas talvez a vontade inocente de estar mais próximo desses seres incapazes de declarações de guerra em directo; incapazes de se fazerem explodir por um qualquer ideal vampiro; talvez a vontade inocente de Jamal fosse já uma forma de, sem se aperceber, mostrar ao mundo o quanto ele teria a ganhar com o humanitarismo dos animais, em vez da animalesca vontade do ser humano. Quem já leu «À Procura de Sana», de Richard Zimler, teve a felicidade de conhecer Jamal, a sua dedicação comovedora, a sua inocência sábia, a sua ingenuidade vítima do pior que o homem tem – a inteligência que julga ser seu património. (ler o resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 7:46 PM
Então, a ideia de esbarrar contra uma parede vazia. Melhor: esbarrar contra o vazio, a escuridão, bater, ricochete, voltar a bater do outro lado, no espelho do mesmo vazio. Caminhar sem saber, livre de perspectivas, expectativas, incentivos; preso à necessidade e à ausência da necessidade concreta. Então, a ausência de futuro. O presente dorido, desembrulhado antes do tempo, para revelar uma caixa vazia. O passado reunido na despensa, fora de validade, gritando «eu sou experiência e deves ver-me enquanto tal», sempre mas sempre insuficiente. Damon at 11:05 AM
Confesso que, tal como uns noventa por cento da população mundial, me borro de medo de vir a encontrar um desses exemplares em traje de banho nas praias de Matosinhos. Confesso que admiro os restantes dez por cento de seres humanos que, ou porque as pancadas foram tantas que se confundem com coragem, ou porque – esses então, tão pouquinhos – são verdadeiramente corajosos, se atrevem a lidar de perto com animais tão poderosos. Ao contrário do que possam imaginar, por se julgar que o medo serve de justificação para a violência, não admiro os homens que, abusando dos dentes afiados e esfomeados que se escondem nas suas mentes doentias, roubam sem sentido a vida a outros animais. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 12:11 PM
Woody Allen. Damon at 4:13 PM
Poucas notícias chegam a Portugal acerca do estranho futebol que leva os americanos ao delírio. Afinal de contas, eles até passam mais tempo com a bola nas mãos, aos encontrões uns aos outros, disfarçados de astronautas… Se o desporto não nos desperta interesse, naturalmente que as inevitáveis actividades paralelas dos atletas, drogas, excesso de velocidade, namoradas ou festas privadas para celebrar a primeira vitória do ano – espera, isso é no “nosso” futebol – também não vendem revistas nos quiosques das nossas esquinas. A não ser que as actividades extra-curriculares dos ditos atletas excedam o mero objectivo de vender jornais. E que essas actividades ultrapassem limites que já nem provoquem sorrisos maldosos nos lábios sequiosos dos paparazzi. Fala-se nisso há uns meses, mas só agora a velha Europa deu alguma atenção ao caso de Michael Vick. Esta estrela do futebol americano tornou-se um exemplo para qualquer jovem fã, não só pela sua capacidade de passe nem pela velocidade, mas principalmente por ser afro-americano – como eles gostam de dizer – e oriundo de uma família pobre de um bairro conhecido como «Bad News», no Estado da Virgínia. A zona onde, há 27 anos, nasceu o desportista, é a típica comunidade sem oportunidades, discriminada pela América dos dólares. Não há jardins nem campos de jogos, e o futuro das crianças decide-se entre a criminalidade e o banditismo – não, não há confusão, são mesmo sinónimos. Portanto, Vick tornou-se facilmente uma bandeira da eterna luta pela igualdade de direitos. E muito bem. Até que se misturaram as coisas. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 12:40 PM Está sol. É um fim de tarde soalheiro (e não “solarengo” como alguns condutores perigosos da língua portuguesa teimam em dizer). Os skaters andam de skate, os patinadores patinam… Está quase na hora de mais um fim-de-semana. Vou passar pelo supermercado asiático e comprar os ingredientes para fazer sushi – deu-me as saudades, já não me dedico a isso desde pouco antes de partir para os EUA, passaram-se quatro meses. Há sempre qualquer coisa que falta. Seja o molho de soja. Sejam um rolamento nos patins. Seja uma praia onde pousar o pôr-do-sol. Seja um amor para (se) fazer. Para (me) realizar. Há dias em que isso me deixa triste. Hoje não é um deles. Hoje sinto-me apenas incompleto. Damon at 5:46 PM Chegou ao Benfica um jogador brasileiro chamado Edcarlos. Não vou falar sobre as suas qualidades técnico-tácticas, a capacidade de cabeceamento ou a percentagem de faltas cometidas durante um jogo. Apetece-me dizer que o seu nome demonstra a excelente capacidade de síntese dos brasileiros. Para quê chamar-lhe Eduardo Carlos? Eu, por exemplo, devia ser Carluís. O José Rodrigues dos Santos devia ser Jorro dos Santos. E a Sophia de Mello Breyner Andresen, nome maior da cultura portuguesa do século XX, devia ter sido Somello Breydresen. Espaço é dinheiro e a tinta está cara… Poupar uns centímetros de assinatura não faz mal a ninguém. Damon at 12:29 PM
Parece Inverno, hoje. Apesar de cá dentro a minha testa estar tão humedecida como é costume, apenas e só para chatear os cabelos que teimam em colar-se à pele. Mas as cores confundem-se, esbatem-se e escurecem, ao mesmo tempo, num estranho tom comum de cinza. Apenas o capacete amarelo na cabeça do homem em cima do camião vermelho das obras. O amarelo que se junta à sua versão escurecida na grua gigante para contrastar com tudo o resto. Até eu vim de cinzento, contrariando as regras para um dia feliz com chuva. Um dia grisalho. Um dia que vive a crise da meia idade a caminho do meio-dia. Damon at 11:56 AM
Damon at 12:09 PM Damon at 12:16 PM Se o meu dia fosse um filme – ou um episódio de alguma série tipo “Lost”, este teria sido o escape cómico (pelo menos para já). Hora de almoço. Estou no piso 0, chamo o elevador e carrego no -1, onde está o carro. Percebo pouco de matemática mas sei que o 7 é bem acima do 0 e mais ainda do -1. É para lá que o elevador vai. A porta abre-se e não há ninguém. De repente, há umas carinhas sorridentes (umas 5) que surgem do nada e se juntam a mim no espaço apertado do elevador. São asiáticos, provavelmente japoneses (sintomas: olhos em bico e máquinas fotográficas). Sacam todos das suas maçãs, ao mesmo tempo, e quebram violentamente o silêncio, trincando de uma forma verdadeiramente ensurdecedora as suas peças de fruta. Assim descemos até ao piso -1. Damon at 4:09 PM Pede-se à Verde Eufémia que invada e destrua os meus campos de melancolia transgénica. Parece que a alimentei artificialmente, em laboratórios sofisticados, impregnando os seus genes de químicos repulsivos. Pede-se que destruam sem piedade as suas raízes, revolvam a terra a que elas se agarraram e semeiem novas vidas – até podem ser ventos, cá estou eu para arcar com as tempestades. Damon at 2:31 PM
O que estou eu a fazer no meu emprego de impacto sonoro inegável? Formatar caracteres? Hmmm, “isso é xelente!:-)” O que fica melhor entre o nome do jornalista e o órgão que representa? Um hífen? Uma vírgula? Um ponto? Patético. Damon at 12:01 PM
Damon at 12:55 PM Antiga? Velha, velhíssima, caquéctica, senil, xéxé, porque “antiquada” soa demasiado solene, respeitosa até. Diz-se que velhos são os trapos, que as pessoas são idosas, garantia dada por números elevados quando os cabelos brancos não chegam ou foram entretanto tingidos. Mas velhas são também as mentalidades que insistem em defender uma cultura que a mim me faz pensar apenas em campos preenchidos por sementes vermelhas, sementes de carne de onde não crescem flores, de onde não cresce nada, a não ser a degradação de um país que reclama o preço dos livros para justificar o analfabetismo – e tem a sua razão até um certo momento.Por exemplo, as 21 horas do passado dia 9 de Agosto. Arrependi-me de morte – a morte de que eles não se arrependem – de ter escolhido aquele lugar no restaurante. Porque me irritava. Porque sou má pessoa. É verdade, sou mesmo má pessoa por desejar que alguns daqueles senhores sorridentes, pomposos, bem-regados pelo jantar, não acabassem a noite na melhor das condições. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 6:01 PM 1 – Da pele Arrepio? Que palavra tão básica para uma sensação destas. Básica porque nem sequer dói. Quase não se sente. Apenas o eriçar de uns quantos pêlos, o erguer de uma textura de minúsculos pontos e o consequente esgar de estranheza. Se é isso que sentes quando te conto esta história, quando te descrevo o processo desde a raiz malévola, mostras sensibilidade, mas a repugnância solidária não se compara – não pode comparar – ao arrancar do nosso embrulho derradeiro, ao rasgar do invólucro de onde nunca é suposto sairmos. E agora fecha os olhos e sente. Mais do que o arrepio – eles agradecem o arrepio mas é imprescindível que te esforces por sentir. Agora sim, que abriste os olhos, conseguiste aproximar-te minimamente do que sente o animal esfolado vivo. Aquele que nunca percebe porque o fazem, apenas a indescritível nudez, que não fala de pudores, mas de oposição à vida. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 1:30 PM
Os campos de milho a caminho de minha casa deviam ser considerados património da UNESCO. Deviam ter sido nomeados para as sete maravilhas, não de Portugal, mas do mundo. Ao pôr-do-sol, deviam ser emoldurados. Naqueles pequenos segundos entre a curva depois dos armazéns, o riacho invisível e as casas que abrem portas para a aldeia, sente-se a paz, o dourado, o “corn fields forever”, como teriam entoado os Beatles, caso não tivessem nascido em Liverpool, mas na Maia. Depois dessa pausa em que o carro avança mas o tempo pára, tudo volta ao normal. Muito menos interessante. Damon at 11:38 AM No caminho até à capital simbólica da Holanda – perdoem-me os de Haia, roam-se de inveja os de Roterdão – não me saía da cabeça o hálito de poeta de Jacques Brel cantando-me a vida dos marinheiros de Amesterdão. «Dans le port d’Amsterdam» não cabia neste espaço uma descrição detalhada do que fazem os homens do mar holandeses, gente desse país que tem um pouco de Atlântida e que todos dizem que um dia vai mesmo ficar debaixo de água. Enquanto isso não acontece, passeei por uma cidade que sempre quis conhecer, pelos canais, pelos hábitos libertinos que não partilho mas que gostei de ver com os meus próprios olhos. É verdade que eles mantêm uma espécie animal em cativeiro, virada para as ruas, pedindo festas e outros carinhos. O distrito da Luz Vermelha é por demais conhecido pelo à-vontade com que oferece toda a variedade de exemplares humanos, do sexo feminino. Um sentido de humor perverso e de gosto discutível podia apontar no sentido do trocadilho com o título. Mas não é essa a intenção. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 6:37 PM Damon at 3:34 PM
Hoje é dia dos avós. Mais um título, o que indica que, qualquer dia, seguindo a necessidade outrora enfrentada pelo Governo Celestial, de criar um dia para todos os santos, de modo a evitar reclamações, ainda vamos ter o Dia de Todos os Parentes. Para já, tudo bem, enquanto não chegamos ao Dia dos Primos em 5º grau Da Parte do Pai. O que não está bem é massacrar os netos ao pequeno-almoço para satisfazer os desejos obscuramente saudosistas dos velhinhos. Isso não se faz. Obrigar-nos a ouvir o Toy ainda se suporta, com um pouco de sorriso amarelo e um copo de sumo de laranja. Agora, o António Calvário a repetir mil e quinhentas vezes o refrão da “Mocidade” dá vontade de desejar que o 25 de Abril tivesse tido um bocadinho mais de violência. Ainda mais quando as 1501ª, 1502ª e 1503ª repetições vêm da insistência do Jorge Gabriel em que o público participe. Sempre tive uma relação especial com os meus avós, lamento que já não estejam cá, talvez nesse caso eu me calasse perante a sua sabedoria incontestável, engolisse em seco e aguentasse o frete. Mas admito que bebi o leite mais depressa e meti umas bolachas no bolso. Mais cinco minutos em frente à televisão e sentir-me-ia tão velhinho… Damon at 12:10 PM A verdade é que pedi emprestada a beleza triste do título a uma dona enlutada. A quem me dirijo em jeito de carta aberta, ao mesmo tempo que aceno ao animal que acabou por ver a última das sete vidas ser-lhe retirada da frente cedo demais. Era uma gata branca, de um branco como nunca vi em mais nenhum animal, parecia feita de nuvem. Muitas vezes a elogiei por isso. Ela, vaidosa, ignorava-me, deixava-se ficar no seu canto. A dona dizia que eu exagerava. No fundo, sabia que eu tinha razão, que aquele felino que se deitava nas suas costas em noites frias de Inverno era realmente um exemplar de rara beleza. Mesmo que não fosse. Ainda que tivesse o pêlo feio e as cores mal combinadas não mudaria o sentido das minhas palavras e das palavras que deram origem a este texto. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 1:03 PM Às vezes, tenho saudades dos primeiros dias. Quando a ilusão de responsabilidade me fazia franzir a testa - o que agora me dá vontade de sorrir e dizer "enfim!". Mais ainda, tenho saudades da partilha dos primeiros dias. Às vezes, pergunto-me se são duas praias, se não se trata tudo de uma grande coincidência de horizontes. Damon at 12:48 PM A questão que se me coloca é a seguinte: por onde andam os rafeiritos de Nova Iorque? Porque os deve haver, apesar de aparentemente todos os cães da cidade serem golden retrievers, huskies, caniches e outras raças difíceis de pronunciar e que muitos dos donos mal saberão apresentar. A noite de Domingo está longe de ser a mais animada da semana nova-iorquina. Longe da ilusão de uma sexta-feira que aparenta um fim-de-semana maior do que verdadeiramente é; longe do clímax de sábado, quando a manhã de Domingo se avizinha perfeita para uma ressaca na relva do Central Park. Mas o que se vê ao Domingo à noite é que os americanos (incluindo nestes todas as nacionalidades porque aqui só há estrangeiros) escolhem essa altura para passear os seus amigos de quatro patas. (ler resto aqui) Etiquetas: vida animal Damon at 4:28 AM Encontrei uma fotografia bonita num site. Uma daquelas em que fazias cara feia sem nunca deixares de ser mais bonita do que um sorriso. Lembrei-me da vontade. Lembrei-me do à-vontade e da proximidade. Aproximei-me para me aperceber dos pixels capazes de te desenhar. Dei-lhes os parabéns. Eras mesmo tu, aquela expressão não é de mais ninguém. E levantei voo. Apanhei o avião mais próximo. Apesar de saber que provavelmente ninguém me esperaria no aeroporto. E fiquei com um jet lag esquisito que me há-de acompanhar o resto do dia. Uma sensação de não estar aqui, mas mais perto. E talvez esta distância não se meça em quilómetros ou milhas. Damon at 4:14 PM Sabes que estou mal-habituado, há sempre alguma forma de chegar aí… Ainda que o telefone por vezes esteja ocupado, ou que os horários sofram de dessincronização. É quando estes dias acontecem – dias que aí chegam a ser noites – que me apercebo do vício de falar com um amigo. Perigoso. Cruel. Caio num poço e pronto, parece que à minha volta as horas não se desenrolam como deviam. Apenas o som do ar condicionado para me fazer companhia. Isto na hora de partilhar. Na altura de desembrulhar os presentes, à meia-noite – que aí chega quase a ser dia. Leio e engulo a saliva acumulada. Leio e reflicto. Leio e sinto-me cheio e com vontade de expelir essa matéria gorda que são as palavras. Talvez se chame a isto crescer-mais-um-bocadinho. Eu chamo-lhe desagradável. Eu chamo-lhe ter-que-ir-trabalhar-sem-comer. Apetecia-me tanto conversar sobre aquilo que já te disse tantas vezes. A novidade é que agora estou longe – que nunca chega a ser perto. Damon at 2:50 PM Etiquetas: vida animal Damon at 7:40 PM Damon at 11:01 PM Não me lembro do dia em que nos conhecemos. Como podia lembrar-me? Apenas das fotos que nos mostravam juntos, pela primeira vez. Eu tinha um dia, ele à volta de oito meses. As nossas mães pisavam terreno inglês, de um hospital com nome de esperança, onde tive a sorte de nascer. Mais ainda do que se possa pensar. Encontrámo-nos mais tarde, repetimos os encontros uma vez por ano, se tanto, até 1995. Perdemo-nos de vista desde então. Eu fiquei pelo pequenino Portugal, difícil de encontrar no mapa mundi. Ele foi para o outro lado do Atlântico, nunca convencido, repetindo no sotaque nortenho, «I'm too proud of being British». Amanhã, reencontramo-nos em Atlanta, na Georgia, onde a família se fixou. Sei que continua «too proud» mas... será que ainda quer ser primeiro-ministro do Reino Unido quando crescer? Espera aí, o tempo passou... Damon at 3:47 AM canção do momento: reni laine, «swim» O sonho americano
Etiquetas: poema Damon at 9:17 PM
Etiquetas: vida animal Damon at 5:22 PM
canção do momento: the good the bad and the queen, «80's life» Sentimento imperfeito
Etiquetas: poema Damon at 5:02 PM
As intermitências de um blog Damon at 6:47 PM
Etiquetas: vida animal Damon at 5:05 PM Televida
Etiquetas: poema Damon at 7:10 PM Senta-se. Traz um tabuleiro com o prato reflectidamente decorado de alimentos saudáveis. Come com calma. Mastiga o prazer de estar sentada a contemplar o branco atípico das paredes – de mãos dadas com a sua pele. É então que, cintilante, o pequeno tesouro se ergue nas suas mãos como uma pomba revelada pelo ilusionista. Um pequeno livro, Penguin de certeza. Começa a ler e esquece o prato e a comida. Esquece a coca-cola que se esvai numa hemorragia de gás. Esquece o empregado que levanta os pratos e atabalhoadamente pergunta se «quele soblemesa». Esquece o mundo. Vira as páginas. Entretanto, vou encher o prato e passo por ela. Minutos depois, um cliente berra com o empregado por este o ter salpicado de molho de soja. Depois, entra a polícia para prender um velho ditador sul-americano que comia chop suey como quem escolhe entre Estaline e Hitler. Entretanto, uma cliente perde os sentidos e estatela-se, abrindo uma frincha no chão com o baque dos seus anéis. É dessa forma que se descobre um antigo túnel escavado no tempo em que Vale e Azevedo era presidente do Benfica. De seguida, o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Guilhufes irrompe pelo estabelecimento acompanhado pela Orquestra Sinfónica do Bahrein, para tocar uma versão de «Saturday Night Fever». Depois, dá-se um golpe militar que coloca no poder o General Motors, seguido do respectivo contra-golpe que devolve o governo ao Capitão Iglo. Entretanto, descobre-se que um dos cogumelos chineses é, afinal, atómico e, atónito, o vegetal explode em pleno restaurante. A seguir, o mundo acaba. Ela fecha o livro. Fica dois segundos a olhar para o desenho da história no ar, deixa o dinheiro em cima da mesa e sai, sorridente, para ir dar um passeio. Damon at 6:17 PM
Damon at 11:50 AM
canção do momento: belle chase hotel e quinteto de coimbra, «verdes anos»
Para dentro das betoneiras
Damon at 3:49 PM
O facto de haver um grande número de pessoas dispostas a albergar cães em suas casas é, à partida, louvável, ainda que insuficiente. Nem todos temos as mesmas intenções quando damos abrigo a um desses animais. Nem todos o fazemos por gostarmos verdadeiramente deles e muitos de nós, seres humanos, nem sequer mostram o respeito devido pela dádiva que eles constituem. Em suma, nem todos deveriam ser donos de animais. (ler resto aqui) Damon at 7:37 PM
Existem manhãs-tardes-noites em que a janela parece demasiado pesada para se abrir. Em que os músculos do seu puxador metálico, enferrujado pela chuva interior, se sobrepõem aos braços da vontade. E mesmo quando ela se abre, renitente, uma infinitude de outras janelas por abrir afasta o ar puro – qual oxigénio, é vontade – dos meus pulmões negros de uma nicotina que é toda ela cinza quando nasce. Só. Ela própria uma palavra com mais letras do que o próprio estado de espírito. Só. Devia ser a única palavra dos dicionários com apenas uma letra. Seria suficiente. E depois o ridículo. Lembrar-me de uma canção pimba que os altifalantes das festas de verão costumam tossir numa voz de ovelha negra: «ai solidãããão, solidããããão…». E depois o medo. A voz da Clara Ferreira Alves e uma infâmia – tão infame de tão verdadeira – pronunciada num programa de televisão: «Raramente os escritores são felizes». E agora? Fico feliz se um dia for escritor quando não posso ser escritor se um dia for feliz? E depois este céu que parece que enferruja… Damon at 2:39 PM
Um homem que viaja com os amigos, também eles homens, por uma estrada sinuosa no meio do verde, em busca do descanso de um domingo. Depois de uma curva, uma varanda perfeita para o rio Douro que, silencioso, lembra a todos a chuva que pode vir mas também todas as praias das suas margens. Pára-se o carro na berma de pedra esburacada pela erosão. Abrem-se os olhos para a percepção de que não precisamos assim tanto do estrangeiro para ver paisagens bonitas. Ali mesmo, à nossa frente, se desenham cheiros e melodias, estórias e história. (ler resto aqui) Damon at 10:34 PM
Sentei as palavras num café, de manhã, para fugir ao vício dos dias a começar à tarde. Pedi um croissant aquecido, com manteiga e uma garrafa de UCAL, de onde jorram sempre memórias que sabem bem, nesta altura do ano. Pensei em presentes. Pediram-me uma lista, crença desesperada de que o Pai Natal ainda esteja vivo. Também as peço, de vez em quando, e talvez seja assim que um pouco erradamente ele sobreviva. Damon at 12:18 PM
Damon at 12:29 AM
Damon at 12:29 AM
Damon at 4:43 PM
Não tênho nada mas tênho tênho tudo... Damon at 3:16 PM
(Respirar fundo) (ler resto aqui) Damon at 2:37 PM
Nas ditas histórias, há quase sempre lugar garantido para um ou mais representantes do mundo animal. Há até alguns contos especificamente escritos com o intuito de dar voz ao ladrar, ao uivar, ao miar e ao zurrar. As fábulas carregam com elas uma tradição centenária e uma vontade, quase sempre bem-intencionada, de exemplificar de forma simples o comportamento correcto. «Quase sempre» bem-intencionada, porque também se escreveram fábulas, nos anos trinta e quarenta, acerca dos judeus na incorrectíssima Alemanha nazi. Mas esquecendo por momentos esse episódio pouco digno da História, a maioria dos contos com animais foi escrita para transmitir às crianças um saber, de forma lúdica e fácil de memorizar. (ler resto aqui) Damon at 7:29 PM
Não sendo totalmente desconhecida dos mais atentos, a vertente de defensora dos animais de B. B. é ainda para muitos uma incógnita. No entanto, não se pense que a defesa dos direitos dos nossos amigos surgiu apenas como passatempo para ocupar as horas livres de uma reformada. (ler resto aqui) Damon at 7:29 PM
Damon at 1:05 PM
Eu sempre quis visitar esses países, na minha curiosidade pelo idílico e admiração latina por culturas mais organizadas do que a minha. Mas há sempre lugar para a desilusão. (ler resto aqui) Damon at 2:58 PM Porque já não o podes fazer Por tão pouco que te peça,
Damon at 5:27 PM Amei. Talvez me tenha permitido amar. Como se amar exigisse uma licença passada após prova física e intelectual, com carimbo da delegação local e assinatura autenticada do senhor director-geral. Como se amar exigisse a presença de três representantes do registo civil, como nos sorteios do Totoloto. Como se amar não fosse mais do que uma amálgama de bolinhas coloridas, pintadas de números que, ao percorrerem um curto e estreito caminho, ditariam a nossa sorte, cantarolada na voz esganiçada de uma menina sorridente. Como se amar fosse uma questão de números. Como se amar fosse uma questão de sorte. Não. Amar é uma questão de azar. Damon at 4:00 PM
A menina tropeça?
Damon at 12:54 PM
Damon at 12:24 PM
As origens do Dia Mundial do Animal remontam a S. Francisco de Assis. O religioso, para além de ter conquistado o coração de muitos seres humanos que o seguiram e ainda hoje seguem, preocupou-se, ao longo da sua vida, com os animais. Consta que chegou a comprar pássaros em feiras apenas para os poder libertar das suas gaiolas. Francisco de Assis morreu a 4 de Outubro de 1226, dois anos antes de ser santificado. No Congresso de Protecção Animal de Viena, em 1929, foi instituído o dia da sua morte como Dia Mundial do Animal. Um ano depois, celebrou-se a data pela primeira vez. Muito teríamos ainda de caminhar até chegar o ano de 1978. Foi por essa altura que Georges Heuse, cientista de renome, convenceu a Unesco a aprovar a Declaração Universal dos Direitos do Animal. (ler resto aqui) Damon at 7:31 PM
Damon at 8:01 PM
A vida de Bobby corria sobre patas, nos últimos tempos. Tinha até arranjado uma namorada de olhos azuis que o fazia pular de contente, de tão derretido que estava. Enquanto lambia o prato para não ter que o lavar, fazia festas na cabeça de Martim, o que fez com que não se apercebesse da chegada do melhor amigo. - Entra, Becas! Não contava contigo já. Tiveste sorte de eu estar acordado. - Então, Bobby? Não vais passar umas férias de homem, pois não? Acordei cedo, com o Marcelino a arranhar a porta do quarto. Resolvi trazê-lo cá fora, para um passeio, não é, Marcelino? Marcelino acenou com a cabeça. - Ah, ainda não o tinha visto… Nem sabia que tinhas um humano… (ler resto aqui) Damon at 9:29 PM
Faz-me falta Uma flor na mão, Um jantar na agenda, Um restaurante com vista para o mar, Ao fundo da rua.
Damon at 4:09 PM
No dia em que tomei a decisão, havia muito planeada, de me juntar ao grupo de pessoas dedicadas e incansáveis vulgarmente conhecido por Midas, sabia que a luta pelos direitos dos animais iria exigir uma teimosia psicológica considerável. Nem refiro a entrega física, o trabalho duro de campo, porque esse é executado de forma histórica e não por mim. Seria, aliás, uma hipocrisia reivindicar como minhas essas façanhas. Desde sempre me considerei um «lamechas» em tudo o que diz respeito a seres mais frágeis do que eu. Tenho esta tendência aflitiva para me pôr no lugar dos outros e pensar no que sentiria o meu corpo no momento em que alguém me espetasse um pedaço de ferro para diversão de um público doente, no momento em que alguém me atirasse pela janela de um carro ou me esfolasse vivo para fazer de mim um casaco. Muitas das situações que me chocaram têm sido, aliás, referidas ao longo deste ano, nestas páginas. Outras, calei-as por serem de tal forma indignas que não conseguiria explicá-las por palavras, sem manchar irremediavelmente o texto de vermelho. O estado de espírito que descrevo, ainda que pessoal, reflecte certamente o que vai na alma de muita gente que se preocupa com os nossos amigos. Por exemplo, a quantidade de e-mails «forward» não pára de aumentar na minha caixa de correio, relatando crueldades como o abandono ou os maus-tratos. Mas ainda há teimosos que insistem em remar contra a maré… Ainda se encontram sorrisos no fundo destas caixas. (ler resto aqui) Damon at 12:57 AM
É uma questão muito mais grave, de uma importância dificilmente definível para o futuro da cultura em Portugal., a que tempera este primeiro artigo depois das férias… (ler resto aqui) Damon at 3:17 PM Estar com alguém com quem gosto tanto de estar e sentir saudades, mesmo ali, enquanto conversamos, pressentir o momento a seguir, em que o silêncio me deixa num quarto sem luz. Estar com alguém e sentir-me sozinho, por dentro, apetecer-me pedir para que me virem do avesso e me aqueçam. Me confortem. Não o admitir para não gerar pena. A pena não me faz companhia. Apetecer-me pedir «fica mais um bocadinho» mas pensar «não, que egoísmo da minha parte, estar comigo demasiado tempo deve cansar…». Eu próprio estou cansado de estar comigo. … É engraçado o que podemos fazer para passar o tempo, quando temos um computador. Podemos pôr música a tocar no Media Player e depois acelerá-la para ouvir o efeito. Podemos escrever uma data no calendário do Windows e ver em que dia calha. Podemos mudar os nomes às pastas. Aos documentos. Formatar textos. Patético… … Podia ir ao shopping, gastar dinheiro em roupa (para mostrar a quem?), cd’s, livros e filmes (para partilhar com quem? Para ver e ouvir com quem, no sofá da sala?). Ir ao cinema nem pensar. O terrível peso de não ter ninguém a quem segredar uma emoção do filme… Para variar, não culpo ninguém senão eu próprio. E já não consigo simular diálogos nem forçar uma dupla personalidade me faz sentir menos sozinho. Damon at 10:26 PM Damon at 2:33 PM Leva-me a dar uma volta, esta noite Até onde haja música e pessoas Jovens e vivas. Quando passeamos no teu carro, Nunca mais quero ir para casa Porque já não a tenho Leva-me a dar uma volta, esta noite Quero ver pessoas e luzes Vamos passear no teu carro E por favor não me deixes em casa Não é minha, é deles E eu já não sou benvindo. E se um autocarro de dois andares Vier contra nós E eu perder a vida ao teu lado, Que forma divina de morrer… E se um camião de mercadorias Nos matar aos dois, Perder a vida ao teu lado Será um prazer e um privilégio para mim Leva-me a dar uma volta, esta noite Leva-me a qualquer lado, quero lá saber… E na escuridão do túnel pensei «Meu Deus, chegou a minha vez, finalmente!» Então um medo estranho apertou-me e não fui capaz de perguntar Mas leva-me a dar uma volta, esta noite Leva-me a qualquer lado no teu carro, quero lá saber Nunca mais quero ir para casa Porque não tenho casa, Não tenho casa… Mas há uma luz que nunca se apaga Há uma luz que nunca se apaga Stephen Morrissey (tradução livre e provavelmente deficiente tecnicamente do autor deste blog) Damon at 2:05 AM Damon at 10:23 PM 3 velhotes num banco de rua Aprenderam com o caminhar cínico do tempo a esconder as cicatrizes. Os três. Os cem. Os mil. Esquecem ocasionalmente as ausências, conformam-se com as realidades espremendo-as num copo gasto na taberna, por entre cartas meias dobradas de tanta batota inocente e dominós apagados pela fricção dos dedos. À pedra onde pousam os pés, sentem-lhe o pulsar da vida de todos aqueles que repousam por baixo dela. E sabem-se pessoas de sorte por ainda os acolher aquele banco tosco, longe de ser túmulo (livra!), onde as tardes nunca parecem feitas de horas, mas de palavras partilhadas, gastas pelo uso, é certo, mas talvez por isso mais deles. Jogam todos na mesma equipa. Os três. Os cem. Os mil. Vestem todos a mesma farda de cerimónia e orgulham-se dela, usada mas limpa, conservada em tons de cinza e branco, como o cinema quando nasceram. Todos se apoiam em bengalas. Os três. Seja ela feita de madeira, do cruzamento entre os dois braços ou da orelha. Mesmo que um se apoie nos óculos e outro semicerre os olhos quando fala, todos eles vêem bem, quanto mais não seja, para o passado, onde os números se confundem já numa sopa de cavalo cansado mas sábio. E se protegem a cabeça do sol, é porque sabem que o calor lhes pode derreter as recordações e os filhos e os netos não podem ficar sem herança. Os sorrisos que sibilam nas bocas vazias de dentes são o adorno dos seus dias. O resultado de terem aprendido com o caminhar cínico do tempo a esconder as cicatrizes. Os três. Os cem. Os mil. Damon at 4:52 PM Damon at 4:03 PM Amadeus Mozart O amor que vivemos, eu e tu. Lembras-te? Era um futuro pouco próximo, um Inverno de flores a abrir. Jurámos pintar um quadro juntos nas margens do Vltava, que passeava como um mar revolto correndo para ontem. Fá-lo-íamos bruto, como o rio que inunda as casas incendiadas de Praga; fá-lo-íamos com garras, como Kafka lamentava da sua cidade; fá-lo-íamos dos nossos corpos e para sempre. Lembras-te do amor que vivemos? Aquele que nunca passou da intenção de um pequeno pedaço de papel, preso ao frigorífico pelo magnetismo de uma marca de iogurtes; aquele que nunca existiu… Ainda ontem me sentei nessas mesmas folhas secas que se banham de sol, junto ao rio, e lembrei esse futuro nada próximo. Reli as cartas que nunca escrevi e reflecti acerca das razões que nunca me deste para a tua partida. Todos esses objectos de alma são palpáveis na minha memória, apesar de nunca me terem tocado as mãos. Talvez porque o Vltava me tenha lavado as ideias, levado as imagens para o passado, eu tenha a certeza de ter passeado por aqui, de mão dada contigo, de olhos postos num sorriso que pressagiava memórias iguais a ele. É curioso como se desenha na perfeição a forma doce como me apontaste a Ponte Carlos, cheia de turistas pequeninos, insignificantes, prestes a ser engolidos pela magia da tua cidade. É curioso, quase tanto como o facto de isso nunca ter acontecido; quase tanto como o mais provável ser que esse futuro tenha passado sem que eu desse por ele; mas nunca tão curioso como o facto de teres morrido havia muito, quando eu nasci. Damon at 5:31 PM
Damon at 5:29 PM Não sei se o álbum é melhor ou pior do que os anteriores. Sei que estou ansioso pelo próximo, o que é preocupante, tendo em conta que este ainda agora saiu. Mas é assim. Não me consigo fartar. Que se lixem as tretas «não estamos aqui para imitar ninguém». Gostava de escrever letras e melodias como ele. De cantar como ele. De ter o estilo que ele tem. Pá, ele é o verdadeiro «Diva Lord»... Numa palavra: ![]() GENIUS Damon at 2:40 PM
Damon at 2:38 PM Dez anos. Quem éramos nós, nessa altura? Éramos alguém, sequer? Rapazolas que nem barba tinham, voz aguda e instável de quem, em breve, vai piar mais grosso. Parece que foi ontem ou talvez hoje de manhã. Sim, foi há bocado. Acordei com o sino infantil da campainha centenária e eras tu, por uma vez pontual. Trazias a bola debaixo do braço e no rosto a vontade de trabalhar... por um sonho recente. Não falaste das dificuldades de conciliação do emprego com a universidade, do problema das propinas, do salário mal-pago, da necessidade de ir lá para fora, trabalhar no duro. Falaste do torneio de futebol da nossa escola e de como queriamos fazer boa figura. Passámos a manhã a treinar, fazendo do portão baliza, apesar das reprimendas do meu pai. Falei-te dela (Daniela, Sílvia, Maria João, Joana...) e do sonho menino de a conquistar com flores e poemas. Falei-te dela, de certeza, porque sempre falei mais do que tu... Depois, foste apanhar o autocarro para casa e eu fui almoçar. Apanhei o metro e vim trabalhar, tentando distrair as decepções das flores murchas e dos poemas amachucados. Tu apanhaste um avião para o Brasil, para te casares. O primeiro a casar. Tinhamos dez anos quando nos conhecemos, hoje de manhã. Entretanto, ao almoço, passou tanto tempo... Damon at 4:12 PM “Tap”, diz a secretária de contraplacado quando, acidentalmente, a agrido… Damon at 6:30 PM Existem homens que mordem os cães – quem diz cães, diz gatos, diz canários e todo o tipo de animais – por não saberem aceitar que também eles têm direito a revoltar-se, de vez em quando. (ler resto da crónica aqui) Damon at 2:59 PM Há momentos em que me limito a deixar cair a cabeça na janela suja do metro, consentindo o apoio momentâneo dos meus cansaços naquela almofada de vidro fumado. Estou na montra cansada do fim de tarde, vendemos – eu e os outros – ao mundo urbano o mito do trabalhador exausto, frustrado e eternamente expectante de que o dia seguinte seja finalmente… Há momentos em que, de cabeça trémula da instabilidade dos carris, penso que não sei para que sirvo. Para quem sirvo. E, no entanto, sei tão bem o que quero. Quem quero. É nessa altura que o coro me grita “assenta os pés no chão”, no latim das pessoas sábias. E de repente, “eu quero” fica sujeito a uma censura e transforma-se em “o que eu posso querer”. Há dias em que a fronteira que divide essas expressões se torna desesperante e anseio por um qualquer espaço schengen onde nos possamos movimentar sem barreiras entre a felicidade que queremos e aquilo que nos é permitido querer. Em momentos desses, em que as certezas jogam futebol na minha cabeça, transformando-se em dúvidas que esbarram sempre na trave e no poste, apetece pedir que peguem em nós e que nos chutem também. Para a baliza. Ou para o buraco. Damon at 12:18 PM Damon at 3:39 PM
«Você é A Cabana. Você é o típico melancólico, que gosta de pensar e repensar na vida. Romântico, adora cenários intimistas e pela-se pela doce amargura de um coração partido.» Damon at 12:39 AM Não sei para quem escrevo, hoje. Se para a espuma que canta as mágoas No lugar onde outrora eu cantei os meus sonhos Em silêncio; Se para os seres pensantes que, Como eu, se sentam umas horas Numa esplanada de madeira rangente E fingem que descansam; Se para os reflexos perfeitos Moldados no espelho onde as faces Se sobrepõem: as que não suportam Ficar longe do mar (cá fora) e as Que não suportam ficar longe da lareira (lá dentro). Sei que não escrevo para ti, hoje, Porque as musas poéticas também precisam de férias E eu definitivamente não quero atrapalhar a minha. As musas poéticas, quando se chateiam, Conseguem dissolver todos os versos de papel E fazer estalar o cristal das ideias que ainda não foram Devidamente acariciadas. Pequenos pássaros percorrem a areia aos saltos, Levam no bico pequenos alimentos E nas asas a vontade de sonhar. Talvez seja para eles que eu escrevo, hoje. sei que escrevi este poema num dia frio... a referência à lareira não tem, definitivamente, que ver com os dias que correm... Damon at 1:39 AM ![]() Chegaste ao meu colo, bola de pêlo que tinha pressa em ver o mundo, tal era a força com que tentavas espreitar do caixote de cartão, mais alto do que tu, cá para fora. Cedo adoptaste a teoria da tua mãe: as casotas não servem para se dormir lá dentro mas sim por cima delas. Cresceste. Gostavas de te enfiar entre as pernas das pessoas para que te fizessem festas e abanavas-te todo, não só o rabo, quando chegava alguém. Quando ladravas, era uma deixa para a brincadeira. Então, rodopiavas, saltitando e voltavas a ladrar. Depois, corrias outra vez e voltavas a ladrar. Houve uma vez que ladraste a sério e apanhaste um ladrão dentro do nosso jardim, a tentar assaltar o carro. Passavas horas a fio deitado ao portão, à sombra, a ver quem passava. Adoravas rebolar no cobertor e ir mordiscando uns sapatos. Eras resmungão com os outros, a tua família de pequenotes chatos. Alguns metiam a cabeça dentro da tua boca e tu ralhavas, ralhavas, ralhavas… Foste um Amigo. Quis o destino que no dia em que estivemos quase a decidir acabar-te com o sofrimento, tu próprio percebesses que era hora de ir embora. A consolação é a de que a dor acabou, esse papo no pescoço que insistia em puxar-te a cabeça para baixo já não te faz sofrer. Encontrei-te deitado na sala, onde gostavas de estar. Apesar da peculiar alergia a pulgas, do reumatismo e dos problemas de pele, espero que tenhas sido um cão feliz, Sandy. Damon at 2:50 AM Poucas vezes se me afigurou tão óbvio o tema de uma crónica como esta semana. Não só por ser bombardeado todos os dias com lembranças acerca do assunto, graças à televisão pública, aquela que é de todos nós. A vontade de agradar a gregos e a troianos (ou na versão menos polémica, aos «prós» e aos «contras») tem limites, meus amigos. Uma vez ultrapassada essa barreira, ela transforma-se em pura e simples hipocrisia. (ler resto da crónica aqui) Damon at 6:55 PM Damon at 1:32 AM Pormenores de reportagem: Numa peça sobre a greve dos CTT, achei piada a uma situação: a dada altura, a jornalista questiona o funcionário dos Correios acerca do atraso na entrega da correspondência e na forma como o facto pode prejudicar os destinatários. O funcionário diz: “olhe, ainda ontem me ligaram da Câmara de Felgueiras, porque estavam à espera de uma encomenda”. O que é certo é que as imagens seguintes mostram, por entre os montes de cartas armazenadas, à espera de ser entregues, alguns “sacos azuis”… Será que a nossa querida Fátima espera que o carteiro lhe traga algo?… A Lear, fábrica de qualquer coisa de que não me lembro, está quase a fechar, o que é mau no contexto de crise que atravessamos. Mas o que é menos importante e por isso me chamou mais a atenção, é o nome do sindicato que representa os trabalhadores daquela empresa: o STIEN. Aparece o senhor do dito sindicato, o nome dele e, por baixo, a sigla já referida… Será que tem alguma coisa a ver com o “apoio” prestado aos operários? E os homens do sindicato, sentem-se de alguma forma descriminados pela designação nitidamente feminista? Bem, antes STIEN do que SPARTILHO ou TRUCES… Damon at 3:39 PM Já tinha lido o “Trainspotting” e o “Lixo” mas nas cómodas versões traduzidas. Agora que decidi ler os romances em língua inglesa na versão original, deparei-me com o facto do lunático Irvine Welsh ter decidido escrever como as pessoas falam… na Escócia. O resultado é que a leitura demora o dobro do tempo. Entretanto, porque não adaptar o formato ao contexto português e, neste caso, portuense? Sim, porque se fomos buscar tanta coisa a Endemóis e afins, porque não estender o intercâmbio unilateral, em que somos tão bons, à literatura? Sendo assim, aqui fica uma amostra do que pode ser o romance “Puorno, uóah”, de Ervino Galês: “O rio Douro brilhava como o molho da francesinha acabada de fazer. Levou o fino à boca e foi então que o viu. Chamou-o: -Ó colegueinha, ánda cá! Uoilha, conheces o Quinhe Manieta? O gaijo que bende mortailhas… -Uóah, o quié que tu queres? Bai masé pó c$?~1ho que te f?da, cabrom de m?~!da! Tu desmarca-te que eu bou mas é ao taicho, teinho a patroua à espera… -Espera, uóah! Teinho aqui uma ciena pra teie, é bãoe! Bais gainhar munta massa co isso, num seijas assinhe, Leitos… -Ieeé, choupa-me a ber seu deixo… Tu queres masé chular-me outra bez cumo quándo me lebastes a conhecier o gaijo que era super dragom e que me queria bender gánza. Tás masé tuolo, uoah! -Num há dubda qués miesmo tone quinhe, ó Leitos! Mas tu bais-te arrependier, deixa o Toneinho Zaruolho apanhar-te em Cedofeita quêle acatrepa-te que tu até bais mánco pra casa, masé! O rio Douro tinha perdido o brilho, momentaneamente. Já nada parecia importar, nem mesmo a francesinha moribunda, linguiça de fora, esvaindo-se em molho. Foi então que ele a viu. Chamou-a: -Ó boua, ánda cá, c?ãilho!” (continua…) Damon at 4:31 PM
Damon at 12:45 PM
Não me façam rir... "Entrepreneur", moi? São demasiados crepes e sopas de ninho de andorinha... só pode ser... Damon at 5:00 PM
Damon at 4:54 PM
Obrigado pela deixa, Inês;-) Damon at 4:53 PM E ainda que já não seja estudante, sinto-me a ser puxado para o vácuo vazio e com mau hálito. Damon at 12:16 AM Eh, pá, o tempo passa e já estou mais perto dos trinta do que dos vinte, o que é uma bela desculpa para uma depressão e para os primeiros pensamentos «estou a ficar velho». Senão, vejamos: Eu lembro-me do actual treinador do Benfica, o loiríssimo Ronald Koeman (que a minha mãe diz que tem cara de bebé) jogar no Barcelona e marcar um golaço ao Porto. Lembro-me do Veloso ser capitão do Benfica e do João Pinto ser capitão do FCP e proferir declarações hilariantes. Também me lembro do Figo com o cabelo à cogumelo (ai se a Helen o tivesse conhecido na altura). Na televisão, lembro-me daquelas senhoras que, na RTP, anunciavam a programação; do «Duarte e companhia», do «Agora, escolha», do «Modelo e detective», do «Dallas», da «Vila Faia», do «1,2,3»… E do «Dartacão»! E do engenheiro Sousa Veloso no «TV Rural»! Lembro-me da moda dos Fiat 127 de um castanho duvidoso e depois, do aparecimento do Fiat Uno. Lembro-me do anúncio do Citroen AX com um miúdo tibetano. Eh, pá, lembro-me dos meus primos da Alemanha mandarem postais com a sigla R.F.A. e da Margaret Thatcher ser primeira-ministra. Lembro-me do Artur Albarran apresentar o Telejornal (naquela televisão que a minha avó tinha, que deformava as pessoas, a cabeça dele parecia a de um alien…) e da Manuela Moura Guedes cantar (CREDO). Lembro-me de aparecerem os Panikes (eram da D. Pasolini) e as sapatilhas Pump, da Reebok. Lembro-me das lutas entre o Senna, o Prost e o Mansell e até do Piquet, na Fórmula 1. E da Maia ser uma vila. E dos autocarros de dois andares. E do trolley nas ruas do Porto. E das Tartarugas Ninja e dos livros da Disney com sotaque brasileiro. E de mascar pastilhas da Gorila e comprar aqueles gelados que vinham em tubinhos e que mais não eram do que gelo com corantes. E do Herman José não ser loiro e ter piada (sim, isso vocês também…). Lembro-me do Billy Idol ter sucesso e dos «Momentos de verdade» estarem no cinema. E do Tulicreme e dos anúncios da Planta… E das Brickmanias… Eh, pá… Damon at 1:46 AM Damon at 3:39 PM Tudo isto para dizer que me sinto empurrado. Por uma força que pode ter a mãozinha pouco cuidada e escura do Darth Vader ou não. São amigos que partem, outros que têm mais que fazer, outros que já não dizem nada, outros que já não dizem tudo, outros que se assustam com as minhas saudades, outros que encontraram formas mais bem-dispostas e menos chatas de ter amigos, outros que etc. E o texto não é para os condenar, que isso seria muito feio. É apenas para realçar os empurrões que me dizem que este não é o meu sítio. Que é altura do “desenmerdamento” à francesa e que talvez seja melhor fazer as malas e partir como a Linda de Suza. E do rádio esvoaçam ondas que entoam “you saw the whole of the moon”. Outros tempos. Nessa altura, tudo o que eu queria era ficar. No espaço e no tempo. Damon at 4:06 PM Está demasiado calor para o meu Abril. Para trabalhar, na caverna do escritório com vista para a balbúrdia poeirenta da Avenida dos Alheados. Para falar, sobre o tempo ou sobre o espaço. E eu que gosto de sol e do azul bem à vista no meu céu. Acodem-me os amigos, refrescam-me com palavras, convites, jantares. Não me encontro. Está demasiado calor para me encontrar. E quando o meu dedo deixa a sua marca no círculo luminoso da porta da carruagem de mais um metro (longo metro), sei que viajo de novo para não me encontrar. Falta alguém que chegue ao pé de mim e, no sorriso de um aviso de tens-o-cordão-desapertado, me diga: “olha, estás a ver ali aquele rapaz, de saco na mão? Sim, aquele ali com ar de quem percorreu a Avenida da Boa Vida a correr e não se cansou; és tu!”. Falta alguém. Talvez que eu ponha cartazes à porta do metro. Talvez que eu crie uma petição na internet. Fazes-me falta, alguém. Está demasiado calor para o meu Abril e mesmo assim o arrepio de estar sozinho percorre-me todos os países do corpo, mesmo os do eixo do mal. Encontra-me. Damon at 3:48 PM Damon at 3:58 PM O MIDAS tem, neste momento, vários cães e gatos bebés (a partir dos dois meses de idade) para entrega imediata. Tem também um grande número de cães adultos de todo os tipos e de todas as idades. Contactos: 96 457 20 96 ou 93 370 71 85 Damon at 11:20 PM Há uma grande parte de mim que é criança. Que ainda não se habituou a certos conceitos adultos. Mesmo a expressão «conceito» para aquilo que antes não era mais do que uma palavra, um sonho, uma imagem desenhada. Tenho um lago dentro de mim. Onde, espelhado nas águas, ainda me vejo de calções curtos e onde as coisas mais sérias se constroem com baldes de areia e pás de plástico. Onde um problema grave é o lego que não encaixa ou o carro que partiu uma roda e já não adianta friccioná-lo no soalho, que ele não anda. Há uma parte de mim – grande, quase tão grande como eu – que precisa de carinho e atenção, às vezes, diários. Alimento-me de sonhos, é isso, e mais do que o lado bonito destas palavras – conceitos – o que importa é que me desiludo quando acordo. Que me parece impossível que certas coisas não tenham acontecido ainda e outras não estejam a acontecer porque, quando brincávamos às casinhas ou fazíamos as emissões em directo do sofá para a mesa de plástico com cadeiras brancas, não era isto que acontecia. Não era suposto… Daí o vazio. Ainda preciso de pessoas com tempo para brincar e com quem possa partilhar os sonhos e os legos. Damon at 12:57 AM Odeio faltas de inspiração. Ainda mais estas, causadas pela solidão. Odeio a solidão, sufoca-me, como se uma multidão roubasse todo o meu ar. Engraçado, não é? Como a mais triste forma de nos sentirmos sozinhos nos faz pensar em multidões… Devia estar a escrever sobre animais e só me ocorre que me sinto como um deles. Preso na monotonia de não ter nada de novo para contar. Sempre à espera de ter algo de novo para contar. Algo de que está já toda a gente à espera e que nunca acontece. A monotonia é desinspiradora. A desinspiração é revoltante quando apenas a inspiração nos pode salvar. Nunca a fé. Essa é um mero vocábulo para sermões do senhor abade. Damon at 10:01 PM Sim, pai, estive a ver filmes com cãezinhos, outra vez. E de novo senti em mim uma cumplicidade que ainda não sei explicar. Estamos em 1988, sou um puto, pouco mais que um bebé que aprendeu a andar e a falar. Já me ensinaram na escola a contar pelos dedos frágeis os oito anos de existência que trago em mim. Muitos sonhos. Muita vida para correr pelas veias. E esta cumplicidade que não sei explicar… Esteve a dar pela milésima vez aquele filme em que o cão, Benji de seu nome, é capaz de mil e uma proezas para salvar vidas humanas. De certa forma, já sinto que é mesmo assim. Sinto-o no nosso Fúria – nunca me identifiquei com o nome, cão tão dócil não é capaz de sentir essa «fúria» – e no Dique de cá e no Dique de quem a minha avó, lá longe, em Santarém, se orgulha como de um filho. Sinto-o nos animais que se aproximam das minhas mãos quentes da brincadeira, na rua. Aqueles de quem todos se admiram que eu não tenha medo. Medo de quê? Das suas línguas húmidas que me acarinham à sua maneira? Do seu pêlo macio que se enternece à passagem dos meus dedos? É esta cumplicidade, talvez mais tarde, quando a barba começar a picar e o acne enfim despertar da minha pele, talvez então eu consiga entender esta solidariedade. Não preciso de te dizer, pai. Estou a chorar e não sei como explicar. Comovo-me facilmente com as patitas do Benji que procuram no ser humano o amigo que existe sempre, ainda que muitas vezes adormecido, na irmandade de sermos todos animais. Mas que digo eu? Tenho oito anos e não me ensinaram ainda estas coisas complicadas. Apenas sei que gosto de brincar com o Fúria enquanto ando de baloiço, sacudindo as pernas que ele tenta ternamente agarrar com os dentes. Sei que somos dois cachorros a crescer quase ao mesmo tempo: ele, um pastor alemão; eu um miúdo luso-britânico. Ainda não sei que havemos de continuar a crescer juntos até à idade adulta, correndo pelos quintais, a ver quem chega primeiro, deixando-nos cair na erva fofa, como dois irmãos. Gosto de ver os filmes do Benji. Ele é simpático, peludo, bonacheirão. Amigo das pessoas. E no filme só os muito maus é que não são amigos dele. Mas, no filme, pai, ele acaba sempre por ganhar. Sem magoar ninguém. A sua audácia salva sempre alguém de cair nas mãos dos malvados. Por vezes, lá magoa uma pata no ramo atrevido de uma árvore mas continua sempre. Depois vêm os créditos finais, com os nomes dos actores. É então que eu choro… E tu adivinhas sempre que estive a ver um filme com cãezinhos. Não estou triste. Pelo menos, conscientemente. Choro de orgulho por um «primo afastado» do nosso Fúria ser tão corajoso, apesar do tamanho, da fragilidade aparente. Choro, comovido, não aquela lágrima fácil, não a «lágrima de crocodilo», como alguns lhe chamam, apesar de eu nunca ter visto um crocodilo a chorar, estou certo de que, se o fazem, são sinceros na sua dor. Aliás, ainda não aprendi, com oito anos, que o Homem é o menos sincero dos animais. Mas aprenderei, acreditem que a vida me há-de contar essa história… Sim, pai, tenho estado a ver televisão. Vim até ao jardim aproveitar o sol desta tarde de Domingo. Eu e o meu amigo de quatro patas gostamos do sol e das tardes preguiçosas de Domingo. As lágrimas secam num instante. De qualquer das maneiras, eu, por esta altura, apenas sei que os animais são meus amigos. Desconheço que os mauzões dos filmes do Benji se multiplicam na realidade e às vezes ganham. Sou demasiado novo para saber que há quem não entenda esta irmandade entre animais: eu, o Fúria, o Benji, o Dique, o gatinho do vizinho, as vaquinhas que pastam no prado a caminho da escola, o periquito que canta, mesmo preso, os meus pais que se comovem com a minha comoção e o mundo inteiro… Nunca hei-de perceber como há quem não entenda esta ideia. Damon at 1:28 AM
Damon at 11:55 AM Sempre gostei de caminhar ao acaso em lugares que nao conheco. Nao gosto de me guiar por mapas, a nao ser que o tempo seja pouco. Nao e o caso, comeco a conhecer Oxford relativamente bem, as suas ruas de tijolo vermelho com o sol mais frio que ja vi e senti a espreitar ao fundo, por entre os ramos humedecidos das arvores. Sai do hostel em busca da maior livraria do mundo e acabei por ir dar ao ringue de gelo. Ao lado do edificio que nao tem nada de especial, encontrei mais uma pequena maravilha que os ingleses sabem sempre conservar, mesmo no meio da cidade. Caminhando ao lado do rio Tamisa, apressado em direccao ao trafego de Londres, um parquezinho agreste, cheio de relva, pontes romanticas e arvores intocadas ha mais de cem anos. E certo que borrei as sapatilhas na lama e que encontrei um junkie a injectar-se mas nem mesmo isso consegue retirar a beleza aquele lugar. Sao 16:15, fim da tarde, aqui, portanto. Imagino que la fora estejam temperaturas negativas. Vou beber um chazinho e preparar-me para ir a uma exposicao de arte. Ate breve. Oxford, 24 de Janeiro de 2006. Damon at 4:08 PM oxford esta gelada. sexta feira a noite e as inglesas andam de mini saia, em busca dos copos perdidos que as compensem do frio. amanha vou voltar ao sitio onde eu proprio comecei... vou ver a maternidade com o simbolico nome "hope hospital". vou ver durham road e os patos no parque, ao lado de nossa casa, aos quais o meu primo dava bananas. talvez me encontre por la. espero de qualquer das formas encher mais umas paginas do meu surpreendentemente preenchido diario de viagem. eh, pa, cheiro mesmo a caril...;-) ate breve! oxford, 13 de janeiro de 2006. Damon at 8:49 PM Alguma vez te disse – eu sei que não – que é tão fácil ter saudades tuas? E que as oiço no cismar dos ponteiros do relógio? E que as vejo no olhar da minha gata? E que as sinto na respiração mais lenta do que o costume, entalada em suspiros e sorrisos tristes de recordação… Nunca te disse, mas escrevi, como é costume, aliás. E por muito que tente passear pelos parques, ler e ver filmes com a Natalie Portman, gravar bandas sonoras para cada momento, repito a frase mesmo que não queira; mesmo que não a diga… Está a chover, se te interessa… Está frio mas nada que não se suporte. E tenho saudades tuas – não sei se já te disse. A tua prenda de Natal espera por ti, pousada com carinho ao lado dos meus livros de poesia. E não… não queria mais do que o sorriso amigo que cura qualquer doença, indisposição ou mariquice…
Damon at 1:52 AM
Para Maria Teresa Ramalhão Pereira (1988-2005) Damon at 7:40 PM Bio-amnésia Às vezes, Esqueço-me de quem sou E dedilho hipóteses Na guitarra do meu avô, Aproveito as horas mortas E os dedos compridos. Esqueço-me De quem já não sou, Da razão e de aprender As filosofias Que mudam a cor do cabelo. Se tenho uma janela Que se estende em campos, à minha frente, Emigro por ela, Procuro trabalho lá fora, Estendo os braços à enxada E escavo, escravo Da liberdade de viajar. Se todas as janelas se fecham, Mascaradas de agentes da PIDE, Murcho no meu vaso, mas só cinco minutos. Depois, acordo para o sono E para os aviões de papel Que sobrevoam a minha casa Nas proximidades do aeroporto. Às vezes, Esqueço-me de quem sou. E quando me lembro, de novo, Nem sempre fico satisfeito. Damon at 2:45 AM
Sono desconhecido
Damon at 10:24 PM O palavrão
Damon at 6:06 PM
Os dois extremos de uma corda (antes que o mundo acabe)
Damon at 7:34 PM
Esteve um dia bonito, hoje… Eram 7 da manhã quando me ergui das trevas do meu leito gripal, garganta dormente, narinas congestionadas em hora de ponta e a cabeça com a sensação de ter acabado de sair de uma discoteca. Se fosse mesmo preciso acordar cedo, não conseguiria mas, assim, fui-me sentar na sala a lamentar o acordar doloroso da garganta e a pedir cházinho e paciência. E lá fora, quem diria, o céu azul, a tonalidade amarela a projectar-se nas árvores – aquela tonalidade que me faz sempre pensar no acordeão da «To the end», dos Blur – e as notícias: o trânsito, longe dali, os jornais económicos na revista de imprensa, o Marocas que é um puto e o Cavaco que só anda nisto pelo desporto… Dei preferência aos desenhos animados, à Lilo e ao Stitch, e ao episódio já visto do «Coupling», no People and Arts. E depois, no canal Hollywood, quem diria, àquela hora da manhã, um filme daqueles: «Equus», com o inacreditável Richard Burton – bebia quase tão bem como representava – e a Jenny Agutter, curiosamente, actriz-fetiche de uma das personagens de «Coupling». Depois… fui sonhar com uma sala de aulas cheia de vereadores da Câmara do Porto, com um professor que escrevia nomes de jogadores de futebol no quadro e frases incompletas. A luz foi entrando através das frinchas na janela. Projectou-se no tecto em pequenos traços que pareciam código e fui tendo saudades intercaladas com sonhos estúpidos. Esteve um dia bonito… Pena ter-me passado ao lado. Damon at 6:55 PM
Sinceramente não me lembro bem se eram estes os números exactos, mas que eram acima dos 110, disso não tenho dúvidas. Refiro-me ao tempo que será necessário a Portugal para atingir a produtividade média da EU, segundo um estudo recente. Sem grandes comentários, apenas uma imagem: aqueles placards electrónicos que começaram com a Expo, continuaram com o programa Polis e o Euro 2004: “Já só faltam 130 anos para sermos tão produtivos como os outros”. Lindo… A Joana E a velhinha, pobre coitada, vivida e experimentada e com dores nas cruzes, que foi para a porta do tribunal às 8 da manhã, para ser “a primeira da fila” a entrar para o julgamento de Leonor e João Cipriano, mãe e tio imerecidos da pequena Joana? A senhora, sedenta de alguma coisa para fazer para além de se queixar da reforma e das dores nas cruzes, sorrindo para a câmara da SIC, admitiu que “sim”, só estava ali “por curiosidade” e apenas lamentava ter perdido “uma das sessões do julgamento”. A senhora, coitadinha, precisava de uma distracção… Pobre Joana! Louise Wener Vinha eu no metro, que a esta hora é bem mais agradável, sem empurrões para conseguir o melhor lugar ou o pivete de um dia de trabalho, quando me apercebi de uma coincidência: a autora do livro que eu estava a ler era a dona da voz que eu estava a ouvir no meu discman: Louise Wener, a ex-vocalista dos desafortunados Sleeper, que podiam ter dado muito mais se a Britpop não tivesse ficado fora de moda. Ainda assim, conseguiram ser a banda sonora do momento em que o Mark Renton (leia-se: Ewan McGregor) e a Diane (leia-se: Kelly MacDonald) estão os dois e tal e coisa, no Trainspotting. A menina Louise, finda a aventura musical, virou-se para os livros e é agora escritora a tempo inteiro como, aliás, vem escrito no livro. E estou a gostar bastante dele. Consta é que ainda não está traduzido para português, este “Big Blind”. Estejam atentos, senhores tradutores… Ah! E por acaso, a Louise era uma das vocalistas mais sexy do tempo da Cool Britannia, rivalizando com uma tal Sophie Ellis Bextor, mas com o dobro do talento. Damon at 4:42 PM
Pensamento de hoje, às 13h30 Damon at 8:58 PM Aqui estou eu, o rei sem trono das idas e voltas com grandes intervalos pelo meio. Cá estou eu, regressado dos e-mortos-vivos da nossa web. E para dizer mal dela, ainda por cima, desgraçado sou… Porque de momento sinto-me farto das artificialidades das novas ferramentas de comunicaç?o: os blogues e a ansiedade que os comentários (ou a aus?ncia deles) provocam; o messenger, sempre t?o cheio de smiles e lol’s e onde n?o é possível distinguir sorrisos de esgares e olhares tristes de um rosto corado por algo de bom; mais recentemente, o hi5, esse belo instrumento para saber quem s?o os amigos dos amigos e onde o melhor amigo é aquele a quem atribuímos um 5 (cinco qu??!). Querem maior prova de amizade…? Parece-me a mim que tudo isto encerra demasiada aus?ncia de sensaç?es. É t?o bom receber cartas ou mesmo um telefonema… Sentir um abraço, uma carícia, e retribuí-la. Estamos (eu incluído) demasiado dependentes da Internet. Ainda há cem anos, n?o havia luz e agora, se nos falha o modem, ai Jesus Nosso Senhor Bill Gates! Basicamente, é por todas estas manias do Restelo que n?o me tem apetecido ir a blogues, escrever em blogues, ligar o messenger, etc… Basicamente é porque tenho sede de toque, de sorrisos que n?o sejam bonecos amarelos e redondos. É óbvio que gosto de ter comentários no staringatthesea. E também acho que fico demasiado ? espera deles, ?s vezes. Mas gosto ainda mais da voz, do olhar e da pele. Queres ir tomar um café? Damon at 5:42 PM Damon at 1:11 PM Damon at 8:09 PM
Stansted, 23:59 Schhhh, Estes pequenos seres adormecem Enquanto, lá fora, Na grande massa nocturna, Monstros meio-pássaros, meio-homens, Se preparam para mais uma migraçao. Aqui e ali, Pequenas cançoes: O aspirador que estica a tromba Para lamber o chao; Ela tosse, em voz baixa; Eles sussurram, fingem-se em casa E só lhes faltam Os lençóis e a escuridao; Pequenos comboios movidos a empurrao Transportam baús, Tesouros incalculáveis, E as suas rodas segredam o caminho. Esta aqui, Sem pudor de mostrar as peúgas, Dança com os caracóis imaginários Do seu cabelo virgem. Olha-me, curiosa: “Por que nao dormes?”. Schhhh, Prometo nao fazer muito barulho Com a caneta, que nao ressona, Pelo menos, acordada. Fico aqui sentado, a ver-vos. Os polícias marcham delicadamente, Sem sabendo bem se nos protegem Ou se nos vigiam. Os grandes pássaros chegam E partem logo a seguir E eles, os mais pequenos, Quase nem dao por isso E sem querer, imitam-lhes os voos, Entre um e outro sono. Chegam mais pequenos seres, Fazem os ninhos Nos poucos sofás livres Que subsistem por estes ramos. Fazem barulho Ao pousar as malas, Porque ainda nao perceberam: Schhhh. O voo destes pequenos seres É mais sagrado Do que o dos monstros lá fora. Fico aqui, a olhar por eles. Stansted, Londres, 31 de Agosto de 2005. Damon at 12:24 AM Tram 25 Atravesso a ponte Já o Sol faz a cama onde se deita. Subo todos os andares De todas as torres que se erguem Como casas de papel a tres dimensoes, No quadro a minha frente. E sobre os carris, continuo. Entras na próxima estaçao, Sobrevoando o chao em passos leves, De olhar baixo, para nao acordar os sonhadores E nao lhes desviar os caleidoscópios Para sonhos mais difíceis de concretizar. Aproximas-te. Sabes que ao meu lado Nao há rio que te leve, Regime que te oprima Ou velho viagradependente que te assedie Com estalidos da língua obscena. No prenúncio da próxima estaçao, Misturamos as cores, A escuridao dos meus olhos Pede alguma luz emprestada A serenidade dos teus E, a partir daí, em micromomentos, Colhemos frutos e flores Nas margens de cada um de nós. Sorris, mas és tímida. Talvez para nao desvendar O pequeno arame que te prende os dentes, Indicando-lhes um caminho para crescer Na sua juventude desencontrada. Nao faz mal. E encolhes os ombros Num arrepio súbito, Como se sentisses os beijos Das minhas maos no teu pescoço. Estamos quase a chegar. Saio na próxima paragem E vou visitar museus e palácios E lojas de recordaçoes. Por entre os teus lábios, Oiço-te dizer: «Corre comigo, Apesar de teres as pernas em chamas. Dança, pega em mim ao colo, Eleva-me aos astros mais serenos, Também eles feitos em fogo. Ama-me, Apesar do teu coraçao Nao ser mais do que um céu choroso, Uma arma que, a qualquer momento, Pode disparar contra si própria E fazer chover As palavras erradas.» E eu? Eu sou um turista, Uma nuvem que rasteja e vai embora. Hao-de passar muitas épocas altas Até que nos encontremos de novo. Praha, 28-8-05. Damon at 7:46 PM Vltava O rio cai Em desalinho, Arrastando as pontes, As pedras e o po. O rio cai Num protagonismo bruto, Deixa/nos mudos e surdos E leva/nos com ele. E quando nos leva, E para nunca mais nos trazer. As sirenes, ao longe, Anunciam catastrofe, Provavelmente mais algum poeta Checo com um ataque de inspiracao, Talvez outro Jan Palach, Ainda e sempre envolto em fogo, Protestando a invasao sovietica. Indiferente, O rio cai em fios Para depois da espuma. Desenha cordas de brilho, Bracos que arrastam as pontes, As pedras, o po E os meus olhos Que procuram no futuro Um encontro sonhado. Praga, 24 de Agosto de 2005. (desculpem a falta de acentos e a pontuacao esquisita mas nao e facil usar um teclado checo...) Beijos e abracos para todos. Damon at 1:20 PM nao podia deixar de partir sem dizer qualquer coisa... a verdade é que nao me tem apetecido escrever por aqui, ou melhor, nao me tem apetecido sequer ligar o computador. dessa forma, decidi que o melhor era nao forçar, nao me por para aqui a inventar sob o risco de deitar tudo por água abaixo e ainda ficar perdido no meio do mar, sem bóias nem ilhas aonde me agarrar. mas antes de rumar a capital do país onde nasci, tinha que vir cá dizer qualquer coisa. tinha porque tinha. nao podia abandonar um blog durante dez dias sem sequer dizer "até já". nao podia deixar o meu filho cibernético morrer a fome. cá estou. e espero que voces também. até breve, com um aroma de Trafalgar Square e do país de Kafka, Kundera e Poborsky... ah... hoje um miúdo veio-me pedir que lhe comprasse um papel onde se lia nossa senhora de qualquer coisa. disse que nao podia ajudá-lo e ofereci-lhe um gelado. é bom ver que as crianças ainda sao iguais em toda a parte. o brilho nos olhos e o orgulho com que, minutos mais tarde, o vi passear de gelado na mao... Damon at 1:12 AM Damon at 7:37 PM
Voa como um pássaro Daqueles cujas penas Desenham no céu O nascer e o por-do-sol, O arco-íris que alivia a tempestade, O supremo sorriso das pétalas de chuva. Voa como as aves Que me confiam um rumo, Inocentes e sábias, Sabem apenas que voam sempre Para algum lugar, Por mais longínquo que seja E nunca se esquecem Do ramo onde repousa o seu ninho. Abre os teus olhos, lá em cima, Abre-os como se abre a janela, de manh?, Para ouvir as cançoes do mundo, Ve-nos cá em baixo, pequeninos, Atarefados, desejosos por voar como tu. Abre os teus olhos, lá em cima, Limpa com eles o céu, Dá-nos dias azuis, horizontes de luz, Lanternas nocturnas Que contam segredos Em código morse, intermitentes. Mas regressa. Quero que me contes Quantas nuvens s?o precisas Para guardar os teus sonhos. Damon at 1:03 AM a) o nosso valor é quase sempre superior ao daqueles que, supostamente, e apenas em teoria, nos orientam; b) talvez seja mesmo melhor nao ir por aqui... Damon at 10:06 PM A Padme anda maluquinha. Nao pára quieta na sua inocente e ao mesmo tempo felina vontade de brincar. Uma amiga minha que me fala de ideias bonitas para fazer algumas das coisas de que mais gosto. Sinto-me confuso. Porque nao sei onde estou. Nao sei para onde vou. Nao sei para onde vamos. Na minha cabeça, um turbilhao de locais, uma misturada de pontos cardeais e de coordenadas. Para onde vamos, quando tudo acabar? Maia Porto Braga Oslo Manchester Castelo da Maia Londres Praga Bruxelas Paris Gueifaes Moreira da Maia Vila do Conde Lisboa Aveiro Vermoim Tubingen Botswana S. Jorge Marco de Canaveses Roma Santarém Tampere Vila Nova de Gaia Santa Maria da Feira Madrid Mercúrio Vénus Terra Sistema Solar Via Láctea Universo Damon at 12:59 AM O teu corpo nu Propaga-se no ar Como incenso. Erguem-se Pequenas chamas Dos candeeiros de rua E a noite parece mais calma, Mais doce, As estátuas ronronam E as bocas de inc?ndio Uivam a Lua. Conseguem ouvir-se Ranger as molas De um colchao na relva E os manequins, Encerrados nas montras, Esboçam sorrisos. O teu corpo nu Passeia o odor Pelas paredes. E as sombras agradecem, Desenham esgares Nos teus contornos, Navegam em círculos, Até que o dia nasça. Querem se encontrar Para depois se perderem Na luz. E o teu corpo nu Regressa a casa, Onde te encontra Quieta, inocente, Ingénua quando pensas Que tudo nao passou de um sonho. Damon at 2:10 PM os sonhos sao perigosos como as flores, as mais belas sao, muitas vezes, as mais venenosas. Algumas tem espinhos, Algumas nao tem cheiro E perdem a cor Com a ameaça de chuva. A noite passada, Piquei-me num espinho De um sonho cor de rosa. Molhei os lençóis, As minhas veias choraram E os rios regaram Pétalas de papel crepe Que em vez de crescer, Murcharam. Por isso, jurei Parar de sonhar, Pelo menos até A próxima Primavera. Mas os sonhos Sao teimosos Como as ervas daninhas E chamam por mim Como campainhas E pelo menos No perfume decantado Do encanto enganador Dos sonhos, As flores deste canteiro Serao minhas. Serei jardineiro, Regador, Estufa, Alquimista, Farei do veneno, Perfume E do perfume, Veneno Para matar Os pesadelos. Damon at 7:47 PM esvoaçar por aí. por em prática todas as teorias que levaram o super-homem a acreditar. fazer da «tonight we fly», dos divine comedy, um motor, que embale as asas, que crie um sopro leve, só isso. sem perigo. sem atacar senhoras loiras (ontem a noite vi «os pássaros», do hitchcock). é isso. vou fechar os olhos. fechando os olhos, tudo é possível. Damon at 2:48 PM comprar um gelado e partilhá-lo contigo. rir como só as pessoas felizes riem. sentir nas linhas da minha mao o destino da tua. por as tuas estrelas no céu da minha boca. adormecer na almofada do teu peito. acariciar-te e ficar com as maos cheias do perfume do teu cabelo. colar os meus olhos aos teus e ficar assim, sem ter medo de que percebas. regressar para ficar horas a saborear o momento. Sei que nao existes. Nem mesmo na minha imaginaçao. Nao tens rosto nem cheiro. Mas o verao assim é um gelado de nada. Insípido e frio. Damon at 2:36 PM O poder do papel e da tinta Duas folhas brancas, Coscuvilheiras, Em cima da mesa, A espera que eu lhes conte Os teus segredos. E a esferográfica, Vermelha, cúmplice, Trinca-espinhas sanguinária, Seduz-me com o olhar Matreiro, de quem conhece Todas as minhas asneiras E que orgulhosamente Lhes cuspiu em cima. Recuso-me. Argumento com Uma crise de inspiraçao E luz insuficiente, Para além do reumatismo Que me tem afectado As pontas dos dedos. Dói-me a cabeça. E sabendo que a memória É uma despensa, Doem-me as costas E nao posso baixar-me A procura das caixas de papelao Onde guardei o que me contaste. As duas folhas, brancas, Pele macia a fazer inveja As modelos nórdicas Dos anúncios ao creme Nívea, Ameaçam o suicídio, Fazem chantagem emocional, Aproveitando uma rajada de vento Para se atirarem do Evereste desta mesa. A esferográfica, Vermelha, De vestido transparente, Simula uma hemorragia E diz-me que se esvai E que vai perder todo o sangue E que há palavras que nunca escreveu E tem tanta pena de morrer Sem as dizer. Eu, Que nao posso Com este sofrimento, Acabo por fazer-lhes A vontade e, Em cento e vinte linhas, Conto-lhes tudo o que sei Sobre ti, Tudo o que me contaste, Tudo o que n?o me contaste, Tudo o que me disseram E tudo o que vi Através da fechadura Que me mostrou O teu corpo E o teu quarto. Satisfeitas com a refeiçao, As folhas levantam voo, Para eu nunca mais as ver. Mas diz-me o vento Que o livro vai ser publicado Em breve. Damon at 9:31 PM Damon at 2:30 AM Ah, o amor… Essa entidade que nos pode fazer ver «a vida em rosa»… E que pode fazer com que nos «enterremos» nas suas areias movediças… Damon at 1:13 AM Ontem, enquanto atropelava sacos de plástico numa espécie de auto-estrada, aproveitava o caminho em linha recta para pensar. Conduzia os meus pensamentos através das ruas habituais. Pensava nas tendencias depressivas. Pensava no sentimento tragicómico que desperta em mim o facto de alguém ser capaz de pensar que eu pudesse, alguma vez, aproveitar-me de um ser inocente. Senti-me insultado. Conseguiram fazer-me por em causa uma ingenuidade que eu vou guardando apesar das mil e uma quedas. Continuei a conduzir, atropelando sem piedade os sacos de plástico que se atreviam a atravessar fora da passadeira. Porque é disso que eu sou capaz. De atropelar sacos de plástico. Quanto aos seres plenos de sangue e de vida, sou bem capaz de me precipitar na ribanceira para nao os abalroar. Se puder desviar-me das moscas, faço-o. E a noite, encontrei a primeira rapariga a quem me declarei, há treze anos. Damon at 11:43 AM Aqui, neste canto mais escuro da minha cama, apenas o piano de marianne faithful sussurra lamentos nos meus ouvidos, enquanto a selecçao sub-21 acalenta esperanças contra metade da antiga Checoslováquia. Uma gata espreita, por entre os orifícios das persianas que nos fecham cá dentro, uma oportunidade de ir ver o mundo, mesmo que ele nao seja mais do que um jardim com uma árvore no meio. Apenas o piano de marianne faithful… e daqui a pouco os violinos, que acrescentarao argumentos ?s queixas de uma sexta-feira ? noite. Há uma feira do livro no palácio de cristal. A brisa que sopra poder-me-ia empurrar para um passeio, apesar das dores nas costas. Na mesinha de cabeceira, um livro espera que o completem, que lhe fechem a porta, que o encerrem para que finalmente possa descansar em paz. Uma mensagem espera resposta. Uma gota de suor arde-me no olho direito. O piano de marianne faithful… para me lembrar que tenho saudades de um sorriso. Saudades que nao posso admitir, apesar de nelas apenas sobreviver o desejo inocente de conversar. É sexta-feira, faz-se tarde na noite e as primeiras estrelas sobem ao céu ou descem ao meu mundo, depende da perspectiva. As luzes eléctricas, que também sao estrelas, desenham caminhos ao fundo do horizonte. Aqui, neste canto pequeno da minha cama, pousado na colcha encorrilhada dos pés que tentam em vao caminhar, apenas o piano de marianne faithful lamenta os sussurros da ausencia. A selecçao está a ganhar. Damon at 9:32 PM As viagens de Sara A Sara voltou a viajar, como sempre, entre o Porto e Lisboa e vice-versa. A Sara voltou a sentir nas veias amolecidas pelo ar condicionado a aridez plácida dos campos ribatejanos; voltou a olhar a estaçao de Santarém como quem olha para um sorriso num dia simples de verao, em que um mini aguardava com uma avó ansiosa lá dentro. Sara voltou a refrescar os olhos nas lezírias, pegando em livros, em cadernos, em cassetes, em cd's, em leitores de mp3; voltou a passar pela praia imensa de Espinho, sentindo o combóio enfiar os pés na areia quente, espreitando sempre em busca de caras conhecidas que ali se tivessem refugiado das aulas pouco apetecidas. Sara apercebeu-se das mudanças. Mas acima de tudo, apercebeu-se do que nao mudou e da vontade de seguir viagem mesmo depois de se anunciar o fim da linha. Damon at 2:44 PM Damon at 2:23 PM descrever. já escrevi tres textos para o jpn hoje. todos eles sobre futebol, é curioso: o meu clube ingles foi comprado por um milionáriozeco qualquer americano e o país revoltou-se; o dínamo de moscovo quer tantos jogadores portugueses quantos os operários da construç?o civil em portugal; amanha é o jogo do título, ou se calhar nao, nao acredito que o meu benfica vá ganhar, mas pronto(s)... almocei. uma francesinha, para variar um bocado. o molho estava fraco... comprei a prenda para o meu pai, que faz hoje anos: um livro sobre o tep (teatro experimental do porto) do qual ele, num tempo remoto, fez parte como actor. espero que ele o leia, para variar, porque o livro foi caro como o caraças (que é muito caro!) e porque ele quer sempre os livros todos e duas páginas depois, na melhor das hipóteses, deixa-os esquecidos a acumular pó e jornais velhos. e é a vida. há que alimentar o blog. quando nao há muita coisa para dizer, descreve-se o dia. vou para casa, (es)tá bem?... Damon at 4:56 PM
Damon at 3:02 PM após receber cartas de reclamaçao da alta autoridade para a comunicaçao anti-social, do Deco, do alto comissário para as minorias éticas, do movimento das forcas amadas, do sindicato dos trabalhadores da disfunçao púbica, da comissao de desprotecçao aos hiper-protegidos, da confraria da maç? frita com run, do cónego cogumelo, do tapa-bento XVI, da comissorum praxorum sopensorum em bebedorum e da associaçao dos leitores de jornais, revistas, blogues e dvd's e cassetes, a gerencia deste blogue deliberou que era altura de quebrar o ritmo depressivo e com um ligeiro sabor a xarope para a tosse comprado no ervanário que esta instituiçao de inutilidade pública vinha adoptando nos últimos tempos. Assim, como nao temos o jeito para contar anedotas da mulher do presidente dos EUA, resolvemos presentear-vos com uma lufada de boa disposiçao na melhor tradiçao centenária dos blogues: lol lol lol lol lol lol lol lol lol lol lol lol :-) ;-) :-) ;-) :-) ;-) estao a ver como somos felizes? o mundo nao gosta de pessoas tristes! pronto, vamos lá voltar ao costume... Damon at 12:22 AM Damon at 8:18 PM
Piromania Pelo teu olhar de terra queimada, Presumo que também olhes para lá, Na direcçao de um horizonte Frequentemente embaciado Pela poeira das cinzas. Pelas tuas maos, cavadas do trabalho De encontrar um poço onde um dia Te possas esconder do mundo bonito, Presumo que nos devamos apresentar. Mas para que palavras? Vamo-nos sempre lembrar De um encontro Num dia seco Como uma queimadura. Nao trocamos Morada nem e-mail Nem número de telemóvel, Sabemos que um dia… Nao apressas o passo, Tens a sabedoria de quem reconhece Que o inevitável acontece E que a trovoada é pólvora seca E que os deuses também se cansam De esperar sentados. Entre os teus cabelos cinzentos, Cabos fire wire na tua pele, Corre o vento sul, guardiao de um deserto, Decerto faminto de um curto-circuito. Pelo amor de Deus ao Diabo Que lhe trata do solário E do aquecimento central, Presumo que ainda nos vamos encontrar, Refrescando os olhos no brilho. Há um calafrio, Um calor frio que nos percorre, Que nos une e damos as maos, O tempo suficiente Para que as rochas dos nossos dedos Se toquem e criem ciencia, Numa maravilhosa experiencia De electricidade estática. Uma pequena amostra, Um desenho de cores quentes Nasce dos nossos corpos E entao viramos as costas E partimos sem dizer adeus. Nunca te disse o meu nome Mas sabes que ele se pronuncia Como o riscar de um fósforo. Nunca me disseste o teu nome Mas eu sei que já o ouvi dizer Numa noite de S. Joao. Um dia, Ainda nos vimos Num vulcao E há-de ser a lava A fermentar A nossa descendencia. Um dia, Ainda nos vamos Ver Com olhos De luz. Um dia, Ainda nos vamos Ver Nos incendios. Obrigado, Gonzaga, pela contribuiçao... Há frases que saem por acaso e depois, estao lá os maldosos para lhes deturpar o sentido... :-) Damon at 4:37 PM Se fosse suficientemente importante para os ter, adoraria mostrar aos meus inimigos o quanto sou forte e rijo, o quanto cheiro ao suor dos vencedores, que toda a gente sabe tem o cheiro dos louros, da camomila e da hortela-pimenta. Tive a má sorte de nascer assim, carne, osso e este maldito sumo que as vezes é mais ácido que a toranja. Nasci homem mais do que mito, ou seja, frágil como todos os homens, ou seja, ao contrário do mito, que é forte e rijo, com um coraçao que levanta halteres em provas olímpicas. Sou um homem pouco forte, porque estou cansado. Triste. Só. Coberto de poeira que se mete nos olhos e faz chorar. Choro demasiado. Mais do que o senhor doutor recomendou. Nao preciso de lágrimas artificiais. Elas vem. Lá do fundo de um poço de ras. Choro no caminho para casa. Sozinho no quarto. No géiser de uma conversa, quando já nao se aguenta. Nao me apetece estar sozinho. E o silencio é terrível no meio do barulho. Tal como a escuridao é asfixiante em frente aos holofotes. Como a solidao é aterradora enquanto os outros dançam. Nao me apetece continuar sozinho. Com uma vergonha secreta dos «eu nunca…», cartazes que jamais foram arrancados das minhas paredes. Vinte e cinco vezes as velas se apagaram. Qual menina dos fósforos, vou acendendo a madeira húmida para me aquecer. Mas já nao chega. E nunca. Nunca. Alguém me censura quando eu nunca…? Alguém me censura quando eu nunca… apesar de ter sempre… sempre… tentado, com toda a força, com todo o sumo, sentir o que é verdadeiramente viver? Cometi um crime? O horror de ter assassinado jovens indefesas com uma seta sem sentido, uma vontade de ser especial, de dar e receber, já agora, de ser abraçado, essa obscenidade, esse palavrao que os lábios expelem quando se tocam. Saber a que sabe. Obsceno! Criminoso! Sentir o conforto de uns braços, o odor das palavras que cheiram bem… Santa Inquisiç?o vos proteja de hereges como eu… Sinto-me triste. Só. Cansado. Frustrado. Curvado na hora das refeiçoes. Com uma ruga no meio da testa e os olhos descaídos, habituados ao cimento do chao. Incapaz de disfarçar. Só. Até que alguém me desse a mao. Só me desse a mao. És capaz de me censurar? Aqui estou eu, nu perante uma plateia pouco estupefacta. Sou eu como tu, amigo por tempos desaparecido, sempre disseste conhecer-me. Sincero. Se tentasse nao s?-lo, nao conseguiria. É que eu sou assim, mais homem do que mito, feito de carne, osso e sumo. E água que mata a sede aos canteiros por onde passo. A caminho de casa. Sozinho no quarto. No géiser de uma conversa, quando já nao se aguenta. É só uma fase, pouco mais do que uma frase… Damon at 4:50 AM O dia de hoje é feito de ar. O dia de hoje é feito do vento que eleva em danças soltas as serpentinas e os braços das crianças. O dia de hoje é feito de marés e de luas e do azul intermitente do céu. E sao os cravos vermelhos que dao cor aos coraçoes livres. Damon at 6:23 PM Damon at 4:52 PM Partir e ficar Há quem parta os dias Com a faca do queijo E os corte em pedaços brutos E os vá comendo com o pao Que o padeiro mal amassou E a felicidade é manteiga Fora do prazo. Há quem parta como os dias Um pouco de cada vez. E eu nao posso por a esperança Na folha grande do jornal, Esperar dele boas notícias Para o lado escuro da rua. E nao posso por a esperança Nas maos do cardeal, coitado, Ainda agora lá chegou E já viveu quase todas as vidas Que o Evangelho lhe ditou. E nao posso por a esperança Nos abraços que eram eras e horas E agora pedem desculpa “Mas há uma vida ridícula De jovem empresário de sucesso Para (sobre)viver”. E nao posso por a esperança Nos livros, nos cadernos, Nas folhas soltas presas ao céu, Como os pássaros. Há quem parta os dias Como quem parte um copo, Só para que o vinho se espalhe Pelo chao, em pequenas veias, Para ver até onde vao os rios, Até quando vao os rios Ter ao mar. E eu nao posso por a esperança Nas colheitas, nos frutos, Nos cereais, na comida ultracongelada, Que a chuva que tem caído, este ano, É seca como só o gelo Sabe ser. N?o há quem parta comigo, Ver como é a vida nos filmes, Preto no branco Ou verde no azul, Se as estrelas caem por vontade própria Ou porque o adesivo que as prende ao céu Perde a força. -“Que força é essa?” -Desculpa, nunca fui bom com cedilhas e lol’s Eu é mais pontos de interrogaç?o E reticencias, se nao te importas… Esperam por mim no aeroporto, Por detrás de um balcao, Uma menina com pasta nos dentes E meias de vidro (Duvido que sejam de vidro, Cá para mim, s?o de acrílico). Uma menina de vidro Com dois bilhetes, As malas estao feitas, Só falta enche-las de espaço, Mas sempre que vou tirar o carro da garagem, A chave parte-se na igniçao. Damon at 3:19 PM
há bocado lembrei-me de que, afinal, podemos mudar o mundo. por o mar por cima de nós e correr pelo céu em busca de uma nuvem onde nos possamos esconder durante horas. basta um pouco de treino e um dia havemos de lá chegar. sim, eu ainda acredito que um dia serei capaz de fazer o pino. Damon at 3:26 AM Pode ser uma mania idiota mas sempre achei piada a reparar nas express?es dos jogadores de futebol nas fotografias que vem nos jornais. No esforço pelo resultado que mais lhes convem, os jogadores, neste caso, o Costinha e o Luisao, revelam-se autenticos mr. fotogenia... Damon at 2:50 PM Horas que morrem, Atropeladas por autocarros Desgovernados, Cruéis e ávidos de tempo, N?o as vejo E atravesso sempre Na passadeira. As horas moribundas, Gordurosas, Transpiradas pelo excesso De exposiç?o ao sol, Acenando, a custo, Os ponteiros desiguais, Um para cada lado. Horas que morrem E que matam Porque d?o que pensar E sobretudo Porque d?o tempo para pensar. Horas cruéis! N?o tenho tempo Para ver as horas Que morrem, Deixo-as morrer Numa eutanásia cobarde De quem tem medo De ter tempo. Damon at 12:52 PM Vem brincar comigo Para o jardim, Construir utopias Com baldes de areia e água. Apetecia-me. Muito. E acho que pior do que ter saudades de alguém é ter saudades de alguém que achamos que nao tem saudades nossas. Damon at 9:13 PM
Acordo. Mais cedo do que posso quando posso acordar tarde. Abro os olhos. Suspiro. Nao posso pensar no que me leva a suspirar. Sinto uma batida mais forte. Nao posso pensar no motivo da aceleraçao. Por fim, cedo. Entro na viagem da paranóia de ideias. Misturo imagens, cenários, hipóteses remotas e pessoas com argumentos que “nao posso esquecer de anotar qualquer dia”. Fico assim uns bons minutos. Sendo que é um conjunto determinado de minutos que forma os meses, os anos, os séculos… Finalmente, depois de suficientemente sozinho, depois de desiludido q.b., levanto-me a custo porque me apetece adormecer. Apetece-se que seja o gajo sorridente que é o subconsciente a gerir os acontecimentos. Levanto-me. Música on. Nada de muito mexido. Entro na paranóia dos factos incontornáveis e indesmentíveis. "that's 'cause I'm a... Sister, I'm a... all over this town" Morrissey. Damon at 11:31 AM durante estes primeiros tempos de estágio, tenho pensado bastante e só tenho pena de nao ter oportunidade para anotar a maior parte dessas reflex?es. No entanto, durante um fim-de-semana carregadinho de informaç?o para trabalhar, arranjei uns modestos cinco minutos para vir até cá escrever uma coisa em que tenho andado a pensar. Ao longo deste tempo, tenho-me surpreendido com a facilidade em comunicar, de um modo geral, com as pessoas ligadas a cultura do nosso país, em particular, a musica e recentemente, as artes. Há uma ingenuidade positiva nos nossos artistas, uma espécie de consciencia de que o país é pequeno e nao tem espaço para narizes demasiado erguidos ao céu. Durante esta semana que passou, dei por mim a pensar que, por vezes, apetece-me mais ser amigo dos meus entrevistados do que o jornalista que lhes faz perguntas. Nesta profissao, persegue-se demasiado a polémica, nao se valorizam as conversas descontraídas, sem o intuito de procurar desesperadamente os podres inevitáveis de cada um. A essas conversas chamam eles «fait-divers»... Excepç?o feita a um ou outro caso, conheci esta semana várias pessoas muito simpáticas, que trabalham como eu para serem reconhecidas naquilo que fazem. Nao desejei nunca denegrir-lhes a imagem ou encurralá-los num beco sem saída. Quis conversar com eles, enquanto se bebe um café, saber as suas histórias. Essa é, sem dúvida, uma das raz?es da minha luta pelo jornalismo cultural. Com o devido respeito: qual congresso do PSD, qual carapuça!... Damon at 12:11 AM morreu Karol Wojtyla talvez por nao ser católico, por duvidar de muitas das intençoes da igreja, prefiro recordá-lo como Karol Wojtyla, o homem, mais do que como Joao Paulo II, o papa. Karol viveu os extremos irm?os do nazismo e do comunismo soviético na sua Polónia natal. Era um homem inteligente e, indubitavelmente, carregado de boas intençoes. Discordei dele em grande parte das suas opinioes mas isso nao me impede de lhe reconhecer o carisma e a importância, nao porque morreu (a tradiçao manda elogiar sempre quem morre e isso ve-se nos nossos políticos, de cada vez que morre alguém importante) mas porque tentou fazer uma coisa que até entao nenhum dos seus antecessores tinha feito de uma forma tao clara: unir povos separados pela religiao. Para o senhor que se seguir no cargo mais importante da igreja católica, a tarefa nao vai ser fácil. Damon at 5:06 PM Tópicos de discussao: -o meu ensaio pouco científico acerca de lares da terceira idade e hospícios; -mais um reencontro com o ausente; -a respiraç?o dos batráquios (o tema do costume...); -ideias que possam surgir no calor do momento... Naturalmente, estou aberto a sugestao de outros tópicos de discussao pela parte de V. Exa. Sendo assim, a reuniao poderá ficar marcada para a sede da nossa empresa, pelas 21h30. Sem mais de momento, A minha versao adulta. Damon at 8:25 AM cançao do momento: jeff buckley, «hallelujah» a produtividade é relativa. nao gosto de, mesmo estando de férias, me sentir inútil. gosto de ter liberdade para escolher o que me apetece fazer, isso sim. mas temo que nao ande a fazer grande coisa. ontem, de tarde, fui até a foz. eu e eles: o caderno, o livro do Zimler, a máquina fotográfica e a novidade «pendisk-leitor-de-mp3». estivemos juntos sentados na esplanada, a fazer de contas que sabiamos passar uma tarde descansada, sem fazer grande coisa a nao ser olhar o mar. mas é mentira. já passaram esses dias em que eu conseguia ver nas ondas «os segredos contados em sil?ncio». nao que já nao sonhe, seria preciso nao me conhecer para achar que eu já nao sonho... mas reconheço que sao mais ténues as suas apariçoes. mas a tarde de ontem acabou por ser útil. nao li muito, ando sem paciencia para ler, nao demoro muito a desconcentrar-me e o livro até é muito bom. mas escrevi dois poemas, um dos quais deixo por aqui como prova. também tirei muitas fotografias. uma das minhas preferidas está lá em cima, como uma espécie de ilustraçao para este post. e caminhei. é curioso como eu ando muito mais se estiver a ouvir música. desde que o meu discman inseparável decidiu que era tempo para parar de andar as voltas, que eu andava muito menos. agora, desde que comprei o pequeno objecto a que o meu pai chama «o supositório» (sem comentários... é um leitor de mp3...) que tenho mais vontade de caminhar. e é curioso. tenho tido tempo. nao me posso habituar, senao... aqui fica: Dois cálices de vinho do Porto Dois cálices de vinho do Porto, vazios… Damon at 1:52 AM Damon at 5:15 PM Damon at 9:35 PM Damon at 6:05 PM acabei de chegar. abri e porta e dei de caras com uma ausencia. nao estranhei. olhei uma última vez lá para fora. vi se estava tudo no sítio. se todas as árvores se mantinham de pé. se todas as pedras se mantinham constituídas em edifícios. apaguei a luz. virei as costas. fechei a porta. tranquei-a. entrei no corredor frio. continuei. conformei-me. acredito que a ausencia seja apenas um espaço em branco, a espera de ser preenchido. Damon at 2:50 AM
esta noite, sinto-me só. e sem vontade de importunar a vida dos que me sao naturalmente próximos. consciente de que também eles t?m uma vida a viver com as respectivas companhias. ou nao. há pessoas que gostam de estar sozinhas. que precisam. eu ?s vezes também preciso de estar sozinho. mas esta noite nao. e daqui a pouco até vou sair de casa. para um bar provavelmente cheio de gente. para ter uma reuniao e discutir infinitamente assuntos com fim ? vista. e vou sentir-me só. nao sei porqu? as pessoas acham-me com cara de quem gosta de estar só. e ?s vezes até gosto. ?s vezes, nao. muitas vezes, nao. esta noite, nao. Damon at 10:40 PM poucas vezes regresso a minha antiga escola primária. Depende da duraç?o dos mandatos políticos e dos caprichos dos Presidentes. Hoje, por ocasiao de mais umas eleiçoes, lá fui eu, pela rua abaixo, percorrendo o caminho que, noutro tempo, de mochila as costas, me levava a uma actividade que, na maioria das vezes, me dava prazer. Foi curioso, no meu último ano como estudante, regressar ao sítio onde o fui pela primeira vez (se exceptuarmos a pré-primária). Nunca me calha a minha antiga sala, tenho pena, gostava de ver como está, se as mesas ainda s?o as mesmas... No entanto, ao subir as queixosas escadas de madeira, hipocondríacas como sempre, pareceu-me ouvir as mesmas queixas, os mesmos lamentos para n?o serem levados demasiado a sério: «estas crianças n?o me poupam os degraus, sobem-nos e descem-nos demasiado depressa, com as botas cheias da lama do recreio». votei em consciencia, olhando com cuidado para o quadrado onde punha o «x». Olhei com desdém para um partido que usa um facho (fascio?) como simbolo e sorri, certo da sua inevitável derrota, uma chuva que extermine (acho que esta palavra lhes diz algo...) a chama da sua incendiária e disparatada existencia. Viva a Democracia! e vim para casa, estudar. Pelo caminho, ainda compus com palavras uma canç?o que, nunca se sabe, pode vir a existir... Damon at 7:16 PM
Por ter dito asneiras... Damon at 5:27 PM
Estava triste e saí para tirar fotografias...
Damon at 5:27 PM
Existem inúmeras cançoes de autores mais ou menos conhecidos, mais ou menos recomendáveis, que falam de postais recebidos de parte longínqua ou nao, de alguém mais ou menos próximo que, de momento, se encontra relativamente longe. Também há a versao «referir-destinatário-do-postal», como na «postcard to Rosie», dos Divine Comedy. Por outro lado, o Tom Waits evoluiu, com a chegada do século XX (toda a gente sabe que ele é muito mais velho do que isso...) para o uso do telefone quando escreveu a «telephone call from Istanbul». Nao conheço nenhuma cançao chamada «postcard from Tampere». E, na verdade, nao sendo este bem o caso, já que o postal que tenho na mao até tem o carimbo de Helsínquia, acho que «postcard from Tampere» dava um excelente título para uma cançao. Podia falar de frio e de neve. Podia contar a historia de um senhor que numa estranha bicicleta de tres rodas (sim, eu sei que já nao seria bicicleta) atravessasse a cidade coberta de neve, distribuindo sacos cheios de novidades, de notícias do resto do mundo, talvez dos países quentes, como o nosso. O senhor, de sorriso no rosto, boné bem enfiado na cabeça para nao deixar entrar o frio nem sair as ideias, seguraria com as luvas recheadas da experiencia das suas maos, os sacos que também poderiam conter pao quentinho ou a matéria com que ele se faz. Ou cobertores para aconchegar do Inverno. Pouco sei de Tampere. E mesmo de Helsínquia, nao posso dizer muito. Mas talvez venha a escrever uma cançao sobre isso. Conta-me mais coisas! Damon at 1:09 PM
tenho a minha frente um papel com nomes de orgaos de comunicaçao social. É suposto escolher aqueles que me dao mais jeito ou simplesmente os que prefiro. Tenho que entregar este papel dentro de poucos dias. E esperar. Nele reside uma aparencia de futuro. Mas é mesmo só isso. Um futuro efémero. Porque a grande fatia de futuro que a vida ainda há-de comer, essa é ainda uma mistura de ingredientes incertos. Mas nao faz mal. O futuro que esta folha fotocopiada representa, ainda que efémero, curto, pode significar aquilo que se retira sempre de positivo em tudo o que nos acontece: experiencia. Tenho as ideias semi-definidas. Nao vou pensar na minha média baixa nem na média alta dos outros. Vou-me concentrar naquilo que gostava mais de fazer, tendo consciencia de que dificilmente fico lá depois desta etapa. E vou acreditar que seja o que for vai ser bom. Damon at 1:31 AM
Porque será que há pessoas que semostram chateadas, quase indignadas, quando nos mostramos preocupados com elas? Será pelo medo de assumir que, afinal de contas, precisamos todos uns dos outros? Ainda há quem pense que podia viver sozinho no mundo... Pensamento ingénuo e pouco inteligente... Há tantas vantagens em apoiarmo-nos nas pessoas que sabemos incapazes de nos deixar cair... Damon at 7:44 PM
faz hoje dois anos que eu vim para a praia sentar-me a ver o mar. Damon at 8:59 PM porque é que temos sempre inevitavelmente que ser a casca rugosa de um tronco, correndo o risco de, caso contrário, ver posta em causa a nossa masculinidade? Damon at 1:23 AM
«Amanha é uma vida inteira»... 21 anos de aulas em 24 anos de existencia... Como é que eu nao hei-de estar assim? Damon at 8:58 PM
Ainda bem que foi só um sonho. Ainda bem que amanha nao começa a última semana de um ritual aparentemente monótono, irritante, fútil… a última semana de um ritual que apesar da apar?ncia, engordou todos os sorrisos que consegui tirar do bolso, que os encheu como baloes, com o ar fundamental nas nossas vidas. Ainda bem que amanha nao começa o fim de todo o conforto, da certeza de optar por um dos dois lados: a janela para a rua ou a janela para o mais profundo de todos os desejos. Amanha nao começa o fim dos «Bons Dias» cozidos com sono no forno de um padeiro madrugador, as matinais promessas de cumplicidade e compreensao. Ainda bem que amanha nao é o princípio do silencio, o fade out que avança devagarinho, pousando cuidadosamente os carapins no chao, subtil como um prenúncio, nao querendo ferir mas acabando por explodir num chafariz de emoçoes. Exactamente. Como um chafariz… Ainda bem que… Apesar das noites mal-lavadas, construídas ao frio, entre um jantar e uma festa mascarada de filme de terror piegas; apesar das frustraçoes, das ilusoes perdidas em abraços recusados; das legendas erradas para as palavras certas; dos dias em que a presença era uma ausencia de vontade… Sinto-me bem, obrigado. Nao, nao quero um copo de água. Está tudo bem agora que acordei. Agora que os meus braços se enrolam nas palavras e se seguram ao sorriso para nao cair. Eu estou bem. Estou bem porque foi só um sonho. Nao «O Sonho», apenas um sonho efémero, chateado por ter que ir embora a boleia da madrugada. Está tudo bem. Nao deixemos o café arrefecer. Nem tiremos as ruas a luz da nossa passagem. Está tudo normal. Ainda bem, Homem Grande. Ainda bem que esta nao é a última daquelas noites de Domingo. Este pólen do Inverno… Já passou. Damon at 1:34 AM e pronto... já enviei o que tinha a enviar. agora é só ficar a espera que decidam o meu destino por mim. pelo menos dos meus últimos tr?s meses como estudante. sinto um ligeiro acelerar do ritmo cardíaco e muitas saudades antecipadas de pessoas com quem ainda vou estar várias vezes. a quebra de alguns hábitos aparentemente banais está-me a dar cabo de todo o optimismo que uma situaç?o de estagiar no estrangeiro possa proporcionar. nao sao só tres meses. sao os ultimos como estudante... mas eu vou. Damon at 7:23 PM
O meu diário começa amanha
Frases batidas, as passas do Algarve ou de importaçao, nao importa, champagne ou champanhe, alguns segundos e… eis que tudo muda, olho para o lado e os sonhos realizam-se… Nao me apetece ir a festas de serpentinas e muitos confetis, dançar sob influencia de um qualquer compositor borbulhento e alcoólico, como faz toda a gente que usa esta noite como mais uma altura para se afogar dentro do copo, o que é muito cule, muito tá-se bem… Provavelmente um filme no dvd, uma conversa agradável e muita reflex?o acerca do tempo que passou e daquele que está a porta, que sao basicamente os mesmos doze meses do costume. Mas o próximo ano vai ser diferente. Muito diferente. Inevitável como o Sonho. É por isso que o meu diário começa amanha. Dez anos depois de eu me ter armado aos cágados a reunir poemas num molho de folhas a que chamei livro. Dez anos depois de os Radiohead terem lançado o «The Bends», os Pulp, o «Different Class», os Blur o «The Great Escape» e os Oasis o «Morning Glory». Uma década depois de termos inventado uma «Nova Era» sem sabermos que havia uma rádio com esse nome (a preferida do meu barbeiro de entao). Citando-me a mim próprio, «amanha é uma vida inteira». Citando o Grande Neil Hannon, «Tonight we fly». Citando o pobo, «Xaudinha é o que é prexijo!». Citando Bruno Brasil, «Assim é que se quer!» Citando O Estranho, «Pois, é isso!» BOM ANO NOVO! Damon at 11:30 PM
FELIZ NATAL! Damon at 7:38 PM cançao do momento: radiohead, «a punchup at a wedding» Enquanto voava
Damon at 3:26 PM so quero dizer que se ha coisa em que sou um convencido, e em relacao aos meus amigos... sou mesmo um arrogante, acho mesmo que tenho os melhores amigos do mundo! Damon at 6:47 PM
frase do momento: «A FNAC é uma empresa diferente.» ALERTA: Agredidos por seguranças da FNAC No dia 29 de Novembro de 2004, saía o novo álbum de uma das nossas bandas preferidas, The Gift. Por volta das 16h30, eu e o Joao, sem nada que fazer na faculdade, resolvemos dar uma volta e, porque nao?, passar pela loja da FNAC, na Rua de Sta.Catarina, no Porto, para escutar os novos sons da banda de Alcobaça e mais uma vez perdermo-nos no emaranhado de produtos culturais que aparentemente elevam o nível daquela rede de lojas. Dirigimo-nos ao balcao, onde pedimos a um funcionário para ouvir o disco que ele introduziu no leitor. Ouvimos e a certa altura tivemos que sair por razoes de tempo. Deixámos a caixa pousada no balcao e, obviamente, o cd no leitor. Foi nesse momento que se dirigiram a nós dois amáveis funcionários da empresa de segurança que a FNAC contratou para nos proteger dos larápios e proteger os sagrados bens culturais das maos hábeis dos gatunos – a S.O.V. O alarme soara, portanto fomos gentilmente conduzidos, por entre os consumidores de cultura, até um local longe dos olhares dos transeuntes. Estávamos num espaço pequeno: eu, o Joao, o Senhor Segurança Pedro Coelho e o – por este último intitulado – Chefe de Segurança da FNAC. -Dá cá os cd’s! – ordenou o Chefe da Segurança. -Eu nao tenho nenhum cd… – respondi, sem perceber bem o que se passava. -Tira a roupa! – ordenou mais uma vez o Chefe da Segurança, num tom agressivo. O Senhor Segurança Pedro Coelho observava. -Só o faço na presença de um agente da autoridade. – respondi. De imediato as faces dos dois seguranças se encheram de raiva. O Líder disse: -AI QUERES A POLÍCIA, É? -Quero! – respondi, despindo o blusao que tinha vestido e atirando-o para o chao que, num lugar tao pequeno, acabou obviamente por atingir ligeiramente o Chefe da Segurança. E pronto. O meu acto foi considerado uma agressao e de imediato senti os socos do Senhor Pedro Coelho no meu rosto. Ao mesmo tempo, o meu amigo Jo?o perguntava como era possível aquilo estar a acontecer. Fui atirado para um elevador de cargas pelo Senhor Pedro Coelho que me apertou o pescoço, empurrando-me contra a parede e prosseguindo a tarefa de me socar a cara. Eu continuei a dizer: -Eu nao roubei cd nenhum! -Isso agora nao interessa nada, se roubaste ou nao! Tu agrediste o meu chefe e vais pagar por isso! – foi a resposta do Senhor Pedro Coelho. Fui levado para o quarto andar do edifício, para uma sala frequentada por seguranças e funcionários da FNAC, com uma entrada para um armazém. Ao passar por um dos funcionários, empurrado pelo Senhor Pedro Coelho, pedi: -Chame a Polícia, por favor. Foi-me respondido: -Eu é que te f!dia, se pudesse! O Senhor Pedro Coelho, segurança contratado pela FNAC ? empresa oportunamente chamada S.O.V. sentou-me num sofá e prosseguiu com os socos. Olhou-me nos olhos e disse: -Fixa bem a minha cara, eu até posso perder o emprego mas hei-de te apanhar no Porto e matar-te! E deu-me mais alguns socos. Entretanto trouxeram o meu amigo Joao que também havia sido agredido na cara pelo Chefe da Segurança, quando tentara chamar a atençao de duas funcionárias da FNAC para a situaçao, fora completamente ignorado e tentara entao abrir a porta (passível de ser aberta apenas de forma electrónica) para chamar a atençao dos clientes que passavam na parte comercial. Sem sucesso. O meu amigo chamou entao a Polícia através do 112. A Polícia já tinha sido chamada pelos seguranças para nos acusar de furto. Ficámos ? espera, rigorosamente vigiados. Durante o tempo todo em que fui agredido, passaram pelo local funcionários da FNAC, alguns riram-se, outros ignoraram, alguns espreitavam do armazém em busca de diversao. A Polícia chegou e foi convidada pelo Chefe da Segurança, de mao no ombro do agente da autoridade, a entrar no gabinete e só depois fomos chamados. Devidamente revistados, nao encontraram absolutamente indício nenhum de furto. -A acusaçao de furto está completamente posta de parte. – disse um dos polícias. Prosseguiu: -Podemos deixar as coisas como estao, ou… -Nao, nao, eu quero apresentar queixa. – respondi de pronto. E pronto. Depois, demos o nosso depoimento aos agentes da PSP que nao anotaram quase nada e que nos aconselharam a apresentar queixa apenas tres dias depois, ou seja, quando as marcas da agressao estivessem já muito menos visíveis. Nao seguimos o conselho, fomos ao hospital e a outra esquadra onde apresentámos queixa. No dia seguinte, em resposta a RTP, a FNAC negou que se tivesse passado algum destes factos. Nao falou em averiguaçoes, nem inquéritos internos, nao me ouviu nem ao meu amigo. Ouviu os seguranças e concluiu: n?o houve nada. Tenho hematomas na cabeça, na face, marcas de unhas no pescoço, o lábio ferido, dói-me as costas e o maxilar. Nunca durante o tempo todo respondemos a alguma das agressoes. As agressoes passaram-se no dia 28 de Novembro de 2004, data de lançamento do «AM FM», por volta das 17h15. Obviamente que o álbum dos Gift entra na história por pura coincidencia. Porque dois jovens apreciadores de música, ansiosos por ouvirem o novo álbum de uma das suas bandas preferidas, acabaram por ser violentamente agredidos por um crime que – de forma comprovada pela Polícia – nao cometeram. Acho que é bom que se conheçam estes casos. Na esquadra, os polícias admitiram que nao é a primeira nem a segunda vez que um caso semelhante acontece naquela loja da FNAC. Peço a vossa compreensao e apoio, acima de tudo para aqueles que foram obrigados a ficar calados por nao terem os meios ao seu alcance. Acima de tudo, em nome de todos aqueles que possam vir a passar pelo mesmo. Obrigado. Damon at 1:18 AM sou feito de muita matéria, neste momento. sou feito de incerteza. feito de dúvida, num jogo de ping-pong entre a emoçao e a razao. parte de mim percebe que o boletim meteorológico prev? uma boa oportunidade de mudar o rumo natural de um estudante cuja média nao é brilhante, nem pouco mais ou menos. a outra parte de mim nao percebe nada dessas coisas e quer viver próxima das pessoas de quem gosta, numa rotina de conversas e cafés que deixam um bom sabor na boca. mesmo que eu fique, a vida nao será assim. se o combóio aparecer, eu vou. mas, caramba, tantas saudades por antecipaçao... sou feito de tristeza. pela comprovaçao de que é mesmo assim. de que tinha razao e dentro em breve seremos amigos-de-tomar-café-de-longe-a-longe. nao tem sido nada positivo este ano, nao senhor. nalgumas coisas, isso foi inevitável; noutras nao. sou feito de preguiça. hoje nao me apeteceu mesmo nada sair de casa. lá fora, a terra matava a sede depois de alguns agradáveis dias de jejum. li um livro. vi programas de puro entretenimento, daqueles que os «dr's» só veem para poder criticar (pelo menos, é o que eles argumentam...) e tratei das minhas fotos, que a grande exposiçao está quase a chegar... e acho que amanha veio cedo de mais... sou feito de revolta. por ver que o slb vai deixar escapar uma oportunidade tao flagrante de ser campeao, mais uma vez. e que isso só vai acontecer por falta de empenho. sou feito de espanto (ou talvez nao). por ver que o pcp elegeu como líder um dos seus elementos mais obsoletos, um pedaço de artilharia do século XIX, duro mas tao enferrujado... este homem com um nome que os americanos gritam quando saltam de para-quedas foi a vergonha das eleiçoes presidenciais que opuseram cavaco e sampaio, existindo apenas para denegrir a imagem do primeiro, sem qualquer dignidade. quem me conhece sabe que nao tenho partido. acredito que em democracia, é bom que a esquerda e a direita se mantenham em forma. ainda bem que, com todos os defeitos que possa ter, existe o be. sou feito de falta de sono. como vem sendo costume de domingo para segunda... etc. Damon at 11:31 PM
cançao do momento: dodgy, «so let me go far» As vezes oiço-vos falar do ano que vem, essa criatura mítica das profundezas do tempo, filha da incerteza e do medo. Nao gosto assim tanto de surpresas. Gosto de saber o que se passa e o que se vai passar. Tal como em relaçao aos E.T.'s, também do próximo ano nao sabemos bem o que esperar: uma recepçao calorosa e amigável ou uma guerra de ricochetes... Damon at 5:02 PM
Em Inglaterra, nao há só hooligans e gente snob. Nao existem só os Oasis e o Elton John ou o Roy Keane e o Vinnie Jones... Existem também muito boas pessoas, humanas, nao tao frias como as querem fazer parecer. Existem pessoas sem peneiras, apesar dos cargos importantes que ocupam, apesar dos prémios que receberam e da importancia da entidade patronal... Nao quero dizer nomes, mas é impressionante a boa vontade de algumas pessoas para ajudar estranhos (para além de ti...). A sério, parem com essa treta de achar que os ingleses se acham todos superiores e só sabem beber cerveja e andar a pancada nas imediaçoes de um estádio... Hoje foi só mais uma prova... Damon at 7:36 PM
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A fechadura. O regresso as imagens, graças ao Flicker... Damon at 6:29 PM
Sou um saudosista assumido. Considero que o passado é tudo o que temos garantido, já que o presente já foi e o futuro ainda vai ser. É por isso que eu gosto tanto de fotografia, de pintura, de literatura, de música; todas elas sao registos do passado, mais ou menos longínquo, mais ou menos fiel. É por isso que há doze anos faltava um dia para eu te dar os Parabéns pela primeira vez... Damon at 5:35 PM
hoje foi um bom dia. um dia bem-passado, vivido aos bocadinhos. é que, como eu te disse, aproveitámos. é que, daqui por um ano, nao nos vai certamente ser possível faltar as aulas para passear pelo Porto, almoçar «pelo caminho» para depois nos deixarmos ficar a conversar... obrigado pela excelente companhia. Damon at 11:45 PM
Entao, estou aqui outra vez. Demorei mais de uma semana a decidir que tinha finalmente alguma coisa para escrever no meu staringatthesea. Vinha cá todos os dias - nao acreditam?. Ficava a olhar para esta caixa branca mas nada me surgia que pudesse ser digno desta e-morada. Talvez e-namorada(?) Entretanto, recebi aplausos, momento de uma alegria imensa, principalmente porque nunca me levei demasiado a sério e esforcei-me mais do que para um trabalho. Fomos muito bem-acolhidos e mais do que no aplauso final, foi nas vossas expressoes atentas, de um humano enternecedor, que encontrei vontade de continuar, enfrentar tempestades que parecem jogos infantis e que s?o, por isso mesmo, duplamente perigosas. Entretanto, choveu um bocado. Na terça-feira, tive um dia mau, daqueles que nao sabemos explicar, ou melhor, sabemos (sim, B.B., sabemos sempre...) mas nao queremos ou a censura que nos habita risca com o seu lápis azul as frases proibidas. Simplesmente acordei mal-disposto, longe de me sentir realizado e ainda mais longe de me sentir alguém. Apetecia-me conversar. Apenas isso. Entretanto, os dias sumiram-se e o sol apareceu e desapareceu mas esta noite, ainda consigo ver estrelas. Espero que a semana seja boa apesar do Bush ser Presidente do mundo... Damon at 1:34 AM
frase do momento: «fantastic expectations, amazing revelations» amanha começa a Matinée. amanha começar-se-á a perceber A vida depois de Durham Road. amanha subo ao palco, agarro no microfone e desato a contar sentimentos. amanha, vou a correr até a Maia. Outra vez. De outra maneira. Amanha vou ser talvez Participativo outra vez. Vens a correr para me ver? Sejam benvindos... Damon at 9:32 PM
frase do momento: «absence makes your heart lose weight» Pedra moída Está um vento Parecido com o teu Lá fora. Infinita poeira, Pedra moída Enche-me os olhos De uma cegueira Que se parece Contigo. Amanha, Espalharei temporais, Espelharei no mar O fogo de artifício Dos relampagos. Cuspirei fogo, Despenharei no mar Os barcos piratas E os navios de guerra E decidirei depois A sorte dos generais. Cai uma chuva Miudinha como tu Lá fora. Ácido de oxigénio, É água das pedras Aquilo que chove, O segredo Está na paciencia Com que se espera Que os castelos se rendam. E o granito se transforme Em pedra moída, Infinita poeira. E a poeira se transforme Em pedra moída, Granito para fortalezas. Amanha, O púlpito será A trincheira, Contarei segredos Que encherao de incertezas Os coraçoes eruditos E os tablóides. Tento aprender A cantar Contigo As coisas feias. A fazer Da poeira Pedra moída, Da pedra moída, Castelos De cartas Que eu gostaria De enviar, Um dia. Para enchermos De coisas simples As tardes de Domingo, Talvez comer castanhas Na Foz. Amanha Subo ao palco. Damon Durham. Damon at 2:30 AM Damon at 7:57 PM frase do momento: «e a recordaçao é o que está depois do que foi vivido, como se fosse a memória a construir o dia de amanh?.», Nuno Júdice. Ir ao shopping, num fim-de-semana. Que chatice. Aquilo deve ter açúcar, que as formigas vao todas lá parar. E há quem faça as compras de Natal em Outubro. E há os casais que gostam de se passear de mao dada e mostar ao mundo capitalista que estao bem ou, pelo menos, parecem. Nao contava com uma surpresa tao boa quando decidi enfrentar o exercito dos sacos de plástico. Num cantinho, curiosamente deserto, do Norteshopping, há um espaço chamado Silo, onde se fazem exposiçoes. Foi lá que mais uma vez me apaixonei pela fotografia, em particular pela fotografia de seres humanos (e também de animais, como a Rita, uma cadela com um ar incrivelmente fotogénico e simpático). Foi lá que fiquei a conhecer Ouka Leele, uma fotógrafa espanhola de um incrível talento e, acima de tudo, sensibilidade. É pena que os livros de fotografia sejam tao caros... Esta exposiçao a preto e branco (que contrasta com trabalhos anteriores da artista, muito coloridos) vai estar no Norteshopping até 7 de Novembro. Depois, lá fui comprar o livro sobre Gaudi ao quiosque do Público, para fazer um e-book, que os engenheiros dizem que já ninguém liga aos livros de papel (sem comentários) e pus-me na fila para tomar um café pelo qual valeu a pena esperar. É que, com o café, deram-me um daqueles pacotes de açúcar que me dizem qual é a melhor coisa do mundo. Damon at 6:00 PM
Exército dos homens que ainda lutam por um sonho Sejamos invencíveis, Impossíveis campeoes, De testas transpiradas E um olhar Um pouco mais profundo. Sejamos insolúveis, Indecifráveis puzzles, De olhos abertos Mesmo que o mar Os tenha enchido de sal. Se engordámos, Foi do ar que nos deram a beber, Dos segredos que nos contaram, Das fotografias que nos mostraram, Polaroids perdidas, achados arqueológicos Do tempo em que se fazia amor No fundo do mar. Peguemos em armas, Se for preciso, Ousemos erguer as vozes Enrouquecidas pela maresia E façamo-nos ao caminho Que o inimigo espera por nós E o sol nunca se poe para ele. Sejamos fortes, castelos, Palácios, solares, cabanas Mas nunca muralhas, Nunca navio encalhado As portas da cidade proibida, Se ainda nos resta vida Ainda que nao a verdadeira,Vamos combater! Damon Durham. Damon at 7:41 PM frase do momento: amanha vou para a escola. E é assim… Um dia, tinha que ser. Está a chegar. Amanha é o meu último primeiro dia de aulas. Depois de uns longos 18 anos a tentar aprender, o sacana do dia tinha que aparecer. E logo agora que nao me apetece nada começar a procurar emprego. Logo agora que está tudo em crise… Um dia, tinha eu seis anos feitos há alguns meses, disseram-me para pegar na mochila (ainda vazia) e ir para a escola. Eu disse «está bem» e pus pés ao caminho. Ainda eram uns bons cinco minutos a pé! Pelo caminho, o vento fresco fazia-me esquecer que tinha nariz, enquanto esmagava inofensivas folhas secas e cumprimentava as pessoas que ainda se davam ao trabalho de vindimar. Quando cheguei a escola, fiquei a saber que tinha uma professora chamada Alegria, com um carro verde fluorescente… Mais tarde, fiquei a saber que a D. Alegria se divertia a dar cachaços nos alunos e a ameaçar-nos com uma cana que chegava ao fundo da sala. Na mesma carteira, uma daquelas antigas, com o banco preso a mesa que levantava, com sítio para cábulas, sentei-me com um colega e a mae dele. Esse colega viria a ser o meu melhor amigo durante alguns anos. Há pouco tempo, a luz dos holofotes durante um concerto de música gótica provocou-lhe uma cegueira parcial que faz com que ele só veja metade das pessoas que passam por ele na rua. Eu, por azar, ando sempre do lado das pessoas que ele n?o v?, coitado… O que vale é que ele ainda pergunta aos meus pais por mim… Depois dessa primeira ida as aulas, num ápice, passei para a Preparatória da Maia, para a Secundária da Maia, para a Secundária do Cast?lo da Maia, para a Universidade do Minho e para a secçao de quarentena da Faculdade de Letras do Porto, que é como quem diz, o curso de Jornalismo. E pronto, amanha, vou pegar na mochila, meter os livros lá para dentro (que saudades de ter livros que compensassem a mediocridade da maioria dos professores, agora já só tenho a mediocridade…), os cadernos, o lápis para as contas, a borracha, as duzentas canetas de cores e espessuras diferentes, e vou para a escola, conhecer novos colegas para brincar (alguns agora brincam comigo pelas costas, sem eu saber, é uma outra técnica, mais adulta…) e novos professores que também vao brincar comigo, particularmente com a minha cara. E pronto, depois de amanha, já vou ser um homenzinho. E vou ter saudades. Damon at 6:38 PM Nao há água cá em casa. Um cano qualquer rebentou e agora caem pingos do tecto e da torneira… nada… Deve ser por isso que estou chateado… Ou porque a minha Internet é um valente excremento… Ou porque me apetece ver um filme e a sala já está (muito) ocupada… Ou porque quando me apeteceu ir passear o Jivago, começou a chover… Ou porque me esqueci do caderno na empresa e agora nao posso fazer o alinhamento para o concerto… Ou porque me apetece gravar cd’s e tenho o gravador avariado… Ou porque as tardes agora sao exclusivas para outras actividades que nao aturar-me… Ou porque estao quase a começar as aulas… Ou porque vou ter que andar a tirar os acentos todos a este texto senao vai ficar tudo cheio de ~~~~… Tens razao. Tornei-me um tipo tao rezingao que até a brincar pareço chateado. Mesmo quando estou bem-disposto, parece que ninguém nota. Deve ser porque estou chateado por nao estar sempre assim, bem-disposto. Sou um dos velhos dos marretas, nao é verdade? O último poema que pus no blog, escrevi-o com um sorriso nos lábios, pleno de ironia. Agora que o releio, parece que estava com uma neura quando o escrevi… Tenho mil e uma desculpas para estar chateado mas sao isso mesmo, desculpas. O pior é que as vezes já nao sei agir de outra forma. Parece que desaprendi a brincar. Acho que é a isso que se chama «ser adulto»… Até nem estou chateado, neste momento… A sério! Olha, foi golo do Benfica no CM… Há uns anos, era capaz de telefonar a um amigo para celebrar… Que chatice! Empataram. Damon at 4:49 PM
Mentiroso! Eu sou um mentiroso Daqueles que nao podem Com uma galinha pelo pescoço. Eu sou um mentiroso Daqueles que viajam pelo espaço, Nao perdem tempo Em filas de autocarro, Viajam mais do que o trânsito E do que o comandante Cousteau. Mas foi uma nave discreta Que me deu boleia até aqui, Foi uma nave pouco concreta Que me deixou em frente ao mar, Onde me sentei e fiquei Eternamente a sonhar. Por isso, Eu sou um mentiroso Daqueles que enganam a fome Com um amargo de boca. Sou um aldrabao. Expiro pedaços de nada, Papéis riscados Onde alguns l?em poemas, Mentirosos como eu, Toda a gente sabe Que os pais do défice S?o os poetas. Eu sou um mentiroso Daqueles que viajam pelos passos Que se desenham na areia E é no Inverno que vao ? praia, Há quem diga Que buscam no horizonte Novas mentiras para contar. Há quem diga Que esperam um barco com os olhos, Um veleiro sem destino, Que vem de um país inventado. Eu sou tao mentiroso Que ?s vezes acredito Nas mentiras que conto. Sou um mentiroso, Mas nao sou tao prepotente Como o Sr. Presidente. Damon Durham. Damon at 2:47 AM ontem foi um dia útil. fiz arrumaç?es no quarto, portanto, senti-me responsável. li um livro, portanto, senti-me intelectualmente activo. fiz exercício físico, portanto, senti-me fisicamente activo. fui ao teatro, portanto, senti-me culto. escrevi um poema, portanto, senti-me só. Damon at 9:32 PM Em Santarém, regressei ao local de tantas horas bem passadas, tantos mimos e tantos motivos para que eu reconheça, mais de dez anos depois, a importância de ter bons avós e de conviver com eles. Desci a Avenida dos Combatentes, deserta, como que a pedir o sorriso da minha avó com o neto numa m?o e a trela da Faia noutra; como que a pedir a saudaç?o e os dois dedos de conversa obrigatórios ? porta de cada casa, por trás da qual se escondia sempre uma amiga. No pátio ao pé da Escola Primária, um dia brinquei e joguei jogos inventados no momento, em noites quentes, ribatejanas como os campinos; noites ternas, ribatejanas como os meus avós. Arrisquei descer a rua de asfalto mal passado, pedras abandonadas, íngreme como a vida de alguns dos habitantes deste bairro. A meio, a casa onde devorei as melhores sopas da minha vida (incluindo a primeira que alguma vez comi); onde só se entrava para se ser bem-tratado; onde, logo ? chegada, se ouvia uma voz doce e experimentada de sorrir contra as tormentas que dizia «anda, Faia, vai lá mostrar as meias ao Carlinhos, anda…»; onde passei ser?es intermináveis a ouvir o riso da minha avó por causa da imagem pouco nítida da televis?o, por causa de qualquer coisa, pequena ou grande… Tantos anos depois, o sofá onde muitos desses sorrisos nasceram, pobre, triste, morre ao sol, abandonado ? porta. Lá dentro, n?o se v?em portas nem móveis, apenas um amontoado de objectos e pessoas misturadas como tralha. Disseram-me que a actual dona da casa é uma dessas pessoas com quem brinquei ao pé da Escola Primária. Pobre casa. Bem sei que o Bairro de Santa Isabel, em Santarém, é um bairro social, maioritariamente habitado por gente pobre. Mas um dia, do meio da rua, ergueu-se um palácio onde viveu uma Rainha. Eu apenas quis reerguer esse palácio. Mas ele já n?o existe. A n?o ser nas minhas lágrimas que s?o sorrisos porque assim me ensinaste. A n?o ser na minha memória, como um livro que nunca se esquece. Que nunca se apaga. Eterno como o teu riso. Damon at 12:29 AM
Vou dar uma curva. Vou dar uma volta ao bilhar grande. Vou-me pisgar. Pouco fiz estas férias e sinto um cansaço ridículo, aparentemente sem pés nem cabeça. Talvez ainda n?o seja tarde para rentabilizar as minhas - supostas - últimas férias como estudante. Vou por aí, tirar fotografias, escrever umas «freakalhadas» e ler uns livritos (pouco lhes toquei). Fugir do trânsito caótico. Fugir da rotina das rotundas e dos círculos viciosos viciados pelas vicissitudes da vida... Só uns diazitos, ok? Prometo escrever... Damon at 5:27 PM
frase do momento: «Sítio de Sonho» É o dia certo para pôr aqui este poema já com algum tempo... Eis a quest?o Jogo ao quarto escuro Com o meu corpo, Escondo os olhos debaixo da cama E o sorriso num sítio incerto, Nunca me lembro de onde ele está, Nunca me lembro, Na hora de o ir buscar. Talvez ele já n?o se lembre de mim. Lá fora o Ver?o. Os olhos procuram-no Como os lábios procuram a água, Quero nadar, Quero voltar a nadar Voltar a ser Quero correr, Quero ir a correr até ? Maia, «Eu vou a correr para te ver outra vez», Eu corro muito quando sou feliz, Talvez já n?o te lembres do quanto eu corro quando sou feliz, Mas eu corro muito, Voo muito, Ando muito de bicicleta, Jogo muito futebol, Vivo muito quando sou feliz, Talvez já n?o te lembres. Havemos de voltar a voar, Havemos de voltar a levantar voo, Celebrar pequenas coisas Aos saltos, inventando abraços Daqueles que se improvisam no momento. Mas já passa da Uma e Vinte, Já passa da Uma e Vinte, Os ponteiros agora arrastam-se, As horas passam contrariadas Mas n?o voltam para a Uma e Vinte, Tudo mudou... Mas eu quero correr, Saltar, correr, saltar, Andar de bicicleta, Quero ir a correr até ? Maia, Eu corro muito quando sou feliz, Corro mais do que as minhas pernas Quando sou feliz, Palavras estranhas, «Quando sou feliz», Há qualquer coisa que se estende delas Como uma parte estranha e oculta que se quer mostrar, Gasto pontos de interrogaç?o para que me mostres, Desenho pontos de interrogaç?o Como outrora iniciais, como outrora os meus passos Se desenhavam no pó quando eu corria, Quando eu corria Gasto pontos de interrogaç?o Mas n?o quando sou feliz. Gasto pontos de interrogaç?o para que me digas: Quando sou feliz ? Damon at 2:45 AM frase do momento: «eu vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher bonita.» Descemos as escadas ? pressa, na escurid?o daqueles que apenas v?em luz. Sentimos os ossos a pedirem músculo, os músculos a pedirem carne, a carne a pedir pele. Cobrimo-nos com a escurid?o e abraçámo-nos. Sentimos os corpos cobertos por pequenas gotas e pensámos pegar-lhes fogo. Fomos ao fundo do mar. Damon at 2:08 AM
Há dias, no metro, voltei a aperceber-me do crime que, actualmente, na nossa sociedade complexada, constitui retribuir um simples sorriso a uma criança. Depois do caso da Casa Pia, tornou-se proibido dizer a frase «gosto de crianças» sem que uma graçola maldosa ou uma express?o escandalizada logo surjam. No metro, um simpático menino apontava para a paisagem do outro lado da janela e sorria, na sua inoc?ncia, para mim, um estranho sentado ? sua frente. Ao corresponder ao gesto da criança (como poderia deixar de faz?-lo, saturado que estou de adultos que ora exibem esgares enfurecidos, ora sorriem hipocritamente?) logo senti os olhos de Torquemada n?o só da m?e (o que até se pode compreender, por raz?es infelizes que s?o por demais reconhecidas por todos, quanto mais n?o seja, pela tinta ávida dos jornais e afins) como de toda a populaç?o «andante» que naquele momento gritava em sil?ncio contra mim. Já o meu pai, que sempre gostou de se meter com os miúdos de aspecto traquina, na rua, afagando-lhes o cabelo ou brincando com o seu sorriso purificante, se queixara há tempos de n?o poder fazer mais isso nos dias que correm. É uma realidade triste, com alguma raz?o de ser mas muito empolada. Muitos de nós ainda acham mesmo que as crianças s?o o melhor do mundo. E sem piadas de mau gosto. Até porque felizmente as crianças n?o as entendem. Damon at 2:10 AM «Já nao se pode conversar nesta casa», berra ele. A questao é que ele ainda nao percebeu que nós nao falamos a mesma língua. Ele aprendeu a conversar no boxe. Eu nunca pratiquei boxe.
Damon at 9:09 PM Mario Netto Quem sou eu Para além de todos os teus sorrisos? Qual a minha história Senao a que desenhares para mim? Uma ousadia de gestos, Um improviso, uma dança de cordas… Quem sou eu, Amante das minhas loucuras, Criança que tarda em crescer? Nao ves que já é tarde Para mim? Nao ves que agora é a tua vez De dançar nas maos dos gigantes negros? Quem és tu Senao a minha voz, O meu sorriso estancado, Erguido de um momento em que te ris De um passo em falso, de uma pirueta atrevida? Entao fervo no meu sangue de farrapos, O meu coraçao de algodao em rama dá pulos Porque eu sou teu, «Eu sou teu!» E nao de uma qualquer prateleira cavernosa, E nao das maos pouco hábeis de um antiquário sedento De notas no bolso. Pulo mais alto, Grito sorrisos na tua voz E espero que nunca me esqueças, Que nunca o passar das horas Te faça entregar-me como alimento Para a arca monstruosa das recordaçoes passadas, Onde peluches moribundos habitam castelos de Lego em ruínas. Eu sou apenas O estender dos teus braços, Enquanto o despertador nao toca. Qualquer dia, Oiço o último aplauso. Se puderes, Nao cresças. Damon Durham. Damon at 2:20 PM
Há em cada um de nós um crepúsculo. Um fogo que se extingue com o passar das horas. Regressa para de novo sucumbir ao poder da agua salgada. Uma bailarina nua dança a nossa frente, no engenho de embalar a criança que todos somos. A sua pele escurece com o passar das horas. ? noite ela é o tecto do meu quarto. Suficientemente perto para que eu o observe. Demasiado longe para que eu lhe toque. Há em cada um de nós um crepusculo. Filho do dia e da noite. Damon at 9:35 PM Cadernos do sudoeste 2004 O regresso a casa O silencio. Entrar em casa. Beijar os pais. Pousar as malas e sentir a aus?ncia de ruído, a perturbadora viol?ncia do regresso ? tranquilidade. Quatro dias n?o s?o nada e eu tenho que ter vinte e poucos anos nalguma coisa. Sinto a falta dos gritos a meio da noite, dos disparates produzidos após os banhos nocturnos e o nevoeiro; da mistura atrapalhada dos corpos debaixo dos chuveiros; dos vídeos dos Pluto, dos Keane, dos Rammstein e da Câmara Municipal de Odemira, formas de encher chouriços entre os concertos; das filas pouco rectilíneas para o p?o com chouriço; do constante abrir e fechar dos fechos das tendas; do som «ploc ploc» dos chinelos; dos djambés omnipresentes e audíveis em qualquer canto da zona; da música, acima de tudo, dos saltos, da emoç?o antes e durante os concertos, principalmente das bandas que sabem que n?o basta tocar, sabe bem falar com o público (ainda bem que n?o s?o todos como os Kraftwerk…). Mesmo que a febre n?o seja a mesma de uma adolesc?ncia menos longínqua do que ?s vezes parece. Aqui, em casa, há uma paz aparente que ?s vezes n?o desejo. Por muito que goste de ver os meus pais novamente. Mas quatro dias n?o s?o nada. E tenho que ter vinte e poucos anos nalguma coisa. Damon at 7:32 PM Há bocado, passou por mim um senhor que falava com o relógio de pulso. Nos próximos dias, vou certamente ver muita gente a fazer figuras mais tristes na Zambujeira do Mar... Pelo menos, vou-me encontrar mais uma vez com o meu amigo Neil Hannon, ou seja, com os The Divine Comedy, discretos no cartaz do festival mas gigantes na arte de juntar poesia e melodia. Muitos outros nomes juntar-se-?o a eles num palco cheio de gente interessante quanto mais n?o seja na música. Ah! E acabei bem o ano lectivo, apesar de todos os lamentos e frustraç?es. Tive o prazer de ver na pauta o meu primeiro (e único) 20 da minha vida universitária. Há um ano atrás, eu dizia que a disciplina de Laboratórios de Som e Imagem ia ser a minha preferida do curso. Deu trabalho fazer uma curta-metragem sobre «Homens sensíveis» mas os dois algarismos na pauta e o prazer de «trabalhar» com pessoas fantasticas compensou. Obrigado a todos! Até para a semana!!! Damon at 12:58 AM Tenho um novo amigo. Chama-se Jivago, tem dois meses, e já ladra. Vamos de férias os dois. Damon at 6:03 PM Tenho livros para ler. Tenho blogues para consultar. Tenho filmes para fazer E outros para ver. Tenho poemas para escrever. Tenho mares para nadar. Tenho campos para percorrer. Tenho jogos para jogar. Tenho discos para ouvir. Tenho telas para pintar. Tenho países para visitar. Tenho amigos para conversar. Tenho histórias para ouvir E outras para contar. Tenho telefonemas para fazer E cartas para enviar. Tenho iguarias para saborear. Tenho esperanças para manter E sonhos para ampliar. Tenho vontade Mas nao posso. E o que diz Dominique Wolton Acerca disto? Damon at 9:51 PM frase do momento: «Que 31 do caraças!»
Sobrevivemos ao caos, ao enxame teórico que tenta picar-nos. «Depois nao deites isto fora», dizes tu. Nao deito fora o que? O que é que nos resta, semi-engolidos por nomes de livros-papoes, monstros com a forma de teses de mestrado? Passeamos de um lado para o outro, tentando fazer com que os pés se colem ao chao quando o que nos apetece é começar a correr no início do parque de estacionamento e, ao chegarmos ao fim, sentirmos que os pés se separaram da terra e que caminhamos em direcçao ao céu. Mantemo-nos acesos com piadas retiradas de um qualquer manual do absurdo e é assim que entramos na noite, trancados na sala, de olhos agarrados as grades, pedindo liberdade para ir pelos campos, tirar fotografias, cantar, conversar enquanto sentimos bem perto o cheiro do verde. Estamos quase... Estamos quase, caros colegas... Quando sairmos daqui, metemo-nos numa nova chamada «procura-se emprego». -«Disseste expressionismo, nao foi?» Damon at 7:31 PM Terror de te amar Terror de te amar num sítio tao fragil como o mundo Mal de te amar neste lugar de imperfeiçao Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa. Que nenhuma estrela queime o teu perfil Que nenhum deus se lembre do teu nome Que nem o vento passe onde tu passas. Para ti eu criarei um dia puro Livre como o vento e repetido Como o florir das ondas ordenadas. Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). Damon at 9:35 PM Nem sempre é fácil ter 2 países... Nunca é fácil quando eles se encontram nos quartos-de-final de um campeonato europeu de football. Que ganhe o melhor!!! Damon at 7:43 PM frase do momento: «Contra os canh?es, marc(h)ar, marc(h)ar!» Vencemos a Espanha numa verdadeira Aljubarrota futebolística. Derrotámos a arrogância de um país que sempre se habituou a olhar-nos de cima para baixo, «nuestros hermanos» quando é preciso, acima de tudo, donos e senhores de uma península que julgam ser sua. Estou certo que neste momento já circula no país vizinho o cartaz com a cabeça do árbitro a prémio porque de certeza que os espanhóis viram neste jogo algum lance duvidoso. A culpa só pode ser do «co?o» do árbitro, n?o é verdade?... Vimos o jogo na marginal de Gaia, num ecr? terrível, onde n?o conseguiamos ver a bola, mas que, mesmo assim, parecia uma fogueira ? volta da qual uma multid?o se aquecia. Fomos ao Porto celebrar como se já fôssemos campe?es europeus. Cantámos juntamente com suecos, dinamarqueses, holandeses, etc. que, depois de b?bedos, s?o todos portugueses. No fim, faltou qualquer coisa. Damon at 1:05 AM Damon at 12:45 AM Damon at 3:35 PM O vento queima. O vento arde. Uma água com gás moribunda repousa, ao meu lado, reluzindo na ténue esperança de me atrair. N?o sei porqu?, n?o tenho sono. Invento festas no tecto do quarto e espero que me caiam levemente em cima as fantasmas esbeltas que dançam por cima de mim. Troco de posiç?o. Ergo os olhos para a janela que irradia escurid?o. O céu cheio de estrelas preenche todo o espaço ? minha frente. Desaperto parte da camisa que n?o tive tempo de tirar. Espero que uma estrela caia para de novo enfrentar a árdua tarefa de adormecer para o mundo. Ainda se as manh?s nascessem nuas… Damon at 1:19 AM Eu ainda sonho que haja montanhas para la do meu horizonte. Eu ainda acredito. E o meu carro serve apenas para la chegar. O meu carro tem dois lugares. É modesto. Tem pó e pedaços do vidro que partiu, um dia. Mas va la, eu nao me importo de nao estar sozinho. Nao me importo. Percebes? O que eu quero realmente dizer é: «Antes a forca que a solitaria!» Mas digo apenas que nao me importo Para disfarçar os exageros, Para mostrar que sou forte, Que sou corajoso E enfrento mares e ventos sozinho. So a neve. So a neve me constipa. Eu ainda acredito. Ainda sonho que haja horizonte para la das montanhas. E que haja estrelas. De que cor serao as estrelas nesse outro pais? (territorio augusto numa eternidade morna) «Antes a forca que a solitaria!» Eu ainda acredito. Eu ainda sonho que haja espaço na tua mao Para mim. Ainda ha espaço no meu carro (tem dois lugares) Para ti. Damon at 1:22 AM frase do momento: «De l'endroit, ou je suis, on voit des bras de mer qui s'allongent, qui s'allongent...» (em resposta ao teu comentario, Joana) Pensei por momentos parar o tempo mas se o tempo parasse, a musica deixaria de se ouvir, porque a musica (o piano, o violino, a guitarra, o acorde?o e todos os outros) alimenta-se do tempo. Mas também é verdade que o meu tempo se alimenta de musica. E a verdade é que tenho fome de mais momentos como a verdadeira iguaria que é o tempo passado num concerto de Yann Tiersen... Na verdade, gostava de transformar a minha vida num concerto de Yann Tiersen, cheio de valsas da Amelie... Damon at 12:27 AM frase do momento: «Who cares what cowards think any way?» Pois é, Joana, é hoje! Vai ser Amelie Poulain, Lenine e muitos outros num mesmo local: a Figueira da Foz. Damon at 12:22 PM frase do momento: «I think I've got a feeling I've lost inside» Que vontade louca de rebobinar. Que saudades de n?o ter carta de conduç?o nem poder votar. Andar nas camionetas castanhas da A. Maia, logo de manh?zinha, ou no 54 (Avenida dos Aliados). Andar de bicicleta (ir ate a praia, ate ao centro da cidade, no verao, depois de jantar e ter que deixar a bicicleta em casa de um amigo e pedir a alguem (que saudades de nao ter telemovel) que me fosse buscar. Jogar futebol ao sabado de manh?, mesmo que apenas eu e um amigo (dava para treinar os remates e as defesas). Jogar basket ao fim da tarde, com o walkman (que saudades das cassetes gravadas da radio) ou com um amigo. Jogar matrecos nas tardes livres. Ir a todas as festas e todas as romarias. Usar as moedas de colecçao para andar nos carros de choque. Ter explicaçoes de matematica por causa da companhia e nao da explicadora. Gravar cassetes de video e ver outras em casa de um amigo e rir durante horas. Ir a todos os eventos do Forum, incluindo o Festival de Folclore, as audiçoes da escola de musica para ouvir a mesma companhia das explicaçoes de matematica tocar a «Wonderwall», e o inevitavel Festival Internacional de Teatro Comico. Usar o cabelo a tigela e andar com uma mochila da selecçao inglesa. Beber fanta e comer croissants com cobertura de chocolate. Ouvir o segundo toque. Ser advertido por estar a falar demais durante a aula. Cantar opera nas aulas de ingles e amarrotar o teste de portugues e depois ir tirar duvidas. Dar nomes aos professores. Fazer desenhos nos livros, incluindo a letra «S» repetida vezes sem conta. Olhar pela janela e sentir-me bem naquela mesa, naquela cadeira ao fundo. Ver o port?o. Comer cachorros no tasco da velha. Comer nos trengos. Ir a Maiabela comprar rebuçados e ao minimercado comprar bolachas no intervalo. «(What's the story) Morning Glory?», Oasis; «The Great Escape», Blur; «Different Class», Pulp, «The Bends», Radiohead; «Coming Up», Suede... Oh, Boy... Sera que sou eu na mesma?... Damon at 2:31 AM frase do momento: «Podes nao acreditar mas a saudade (...) anda no ar». A conversa que nao temos Podiamos falar dos barcos Que pescam por arrasto E arrastam consigo Todos os tesouros Do fundo do mar. Talvez eles se sintam Como eu, que me sinto Arrastado a dizer-te Que todas as praias Sao demasiado longe Do mar alto. E no fundo, Do mar apenas espero Boleia para a outra margem, Para la do mais proximo Dos horizontes. Podiamos conversar Sobre o fenomeno das ondas Que, quando batem na areia, Se desfazem Em mil pedaços de nos. E nos nao somos Suficientemente academicos Para deixar Que os cientistas Espalhem rumores acerca Da nossa fragilidade «Patetica», dizem eles. So nos resta falar sobre O tempo que faz No tempo presente E esperar que o dia nasça Com vontade de ser Protagonista Nos calendarios Dos proximos anos... Ou entao ficar a ver Os navios a chegar ao porto E as estrelas a adormecerem E guardar as palavras Para aqueles dias Em que os olhos cheios de mar Nao conseguem falar. Damon Durham. Damon at 2:12 PM frase (ausente) do momento: «obrigada!» Estava frio. Estava escuro. Procurei pelas tuas palavras numa cegueira de becos sem saída. Procurei o calor das tuas palavras que respirassem, que soprassem para cima de mim como a minha avó me fazia as feridas quando eu era pequeno. Carreguei as costas os ossos que nao sentia. Apenas uma mancha vermelha me mantinha vivo. Nas tuas palavras, encontrei apenas a aus?ncia. A neve, mas sem o lado belo e inocente. O gelo feito do fogo que queima, nao aquece. Nas tuas palavras, encontrei apenas mais um tunel para a noite. Damon at 6:07 PM O Borras é blog! Se todos os blogs fossem como o Borras, o mundo n?o estaria t?o borrado! O Borras é limpo! O Borras cheira bem! O Borras sabe vestir-se e apresenta-se em público como um blog de respeito! O Borras faz um post parecer uma epopeia! O Borras é uma epopeia! Quando se abre o Borras, entra um perfume pelo quarto e o dia corre melhor! O Borras é pequeno-almoço! O Borras é almoço, lanche, jantar, ceia e todos com sobremesa incluída! O Borras é café! O Borras é de todas as cores que quisermos porque o Borras n?o é chato! N?o se repete como este manifesto! Este manifesto é melhor se for lido no Borras! O Borras l?-se! O Borras bebe-se e saboreia-se e repete-se porque se quer mais! O Borras n?o enche, preenche! O Borras n?o engorda, enriquece! O Borras n?o enjoa, satisfaz! O Borras é poeta! O Borras merece o Nobel! O Borras é nobre! O Borras é nobre porque é gente! Se eu fosse um blog, queria ser Borras! Se eu fosse um café, seria um café orgulhoso de ter Borras! E ainda há quem lhe estenda os olhos! E ainda há quem lhe queira tocar! E ainda há quem se borre com medo que o Borras morra! E ainda há quem o queira cheirar! E ainda há quem goste tanto dele que o queira ver nu para depois vesti-lo! E ainda há quem lhe queira oferecer flores! E ainda há quem lhe queira oferecer sementes que um dia ser?o flores e árvores! E ainda há quem queira beber café apenas para ficar com as Borras! O Borras faz falta! O que faz falta é animar o Borras! Viva o Borras, viva! Pim! Carlos Luís Ramalhao
Damon at 1:33 PM Fotografei a chuva e ela parou por momentos. Guardei a máquina no bolso e voltei para dentro, feliz por ter conseguido quebrar aquela triste corrente. N?o gosto de chuva. É demasiado parecida com aquelas gotas que as torneiras e os olhos de vez em quando n?o conseguem suster. Sentei-me na cama interminável do meu quarto infinito e fiquei a olhar para a fotografia, sorrindo por n?o estar a chover. Só ent?o me apercebi de que o facto de n?o estar a chover n?o significava obrigatoriamente que fizesse sol. O facto da chuva ter parado n?o significava obrigatoriamente que tu fosses voar até ? minha janela. Apaguei a fotografia e dei ? chuva toda a liberdade para cair. Damon at 11:22 AM Sou o poema rejeitado, Atirado para o lixo Pelas m?os do progenitor, Reescrito vezes sem conta, Rejeitado vezes sem conta. ?s vezes, Quando o balde é despejado, Ainda me despeço Das contas telefónicas fora de prazo E das cartas que trouxeram más notícias E, num impulso, Regresso ao mundo, Ofereço-me como uma nova tentativa De levar um sorriso ao coraç?o de alguém. Mas há sempre uma m?o Cheia de veias, Cheia de pele, Ossuda e sem sentimentos Que me amachuca mais um pouco, Que me rasga em pedaços Rigorosamente quadrados E depois me devolve ao poço sem fundo Onde os poetas enterram os filhos imperfeitos. Já nem a fita-cola me vale. N?o há livro que me queira Nem metáfora implantada Que faça de mim desejado. Sou o poema rejeitado, Filho do azar e da falta de inspiraç?o, Que percorre, ao sabor do vento, as ruas ? espera de uma chuva que acabe com a dor. Damon Durham. Damon at 5:44 PM Ontem, vi algumas pessoas que apareceram só para provocar, com pedras na m?o, a dirigirem-se para o centro do Porto. Ontem, vi a arrogância de quem, por estar habituado a ganhar sempre, ultimamente, se esquece de que saber perder é, por si, uma grande vitória. Ontem, vi uma dedicatória bonita a dois jovens que perderam a vida precocemente. Ontem, redescobri o prazer de saltar e sorrir e gritar pelo nosso clube (e n?o contra o clube adversário). Ontem, redescobri que, apesar de estar habituado a pertencer ?s minorias, no desporto, n?o há dúvidas, faço parte de uma imensa maioria. Ontem, senti um orgulho enorme em ser do BENFICA! (Ah, e Parabéns ao F.C.Porto, que se bateu com muita classe, reduzido a dez jogadores) Damon at 7:40 PM Ela é Pequenina! Mas Ela é MUUUUITO GRANDE! É uma grande mulher, um MARCO na História de Portugal, mais particularmente da pacata localidade de Guilhufes. É uma grande amiga, com quem partilhei já momentos marcantes e com quem espero partilhar muitos mais. PARABÉNS ANABELA! Mantém o teu riso intocável e repete-o muitas vezes. Damon at 7:39 PM Se os edifícios sentissem, eu punha este a sangrar. Afiava as lâminas dos meus dedos e feria cada uma destas paredes. Depois cavava feridas cada vez mais fundas para que as cicatrizes durassem para sempre. Talvez o regasse com álcool. Pequenas gotas de cada vez. Se os edifícios sentissem, eu punha este a chorar. Repetia-lhe todos os gritos que os ouvidos gravaram ao longo dos anos, todas as provocações, bocas felizes e infelizes, todas as palavras que me magoaram mais do que qualquer lâmina que eu pudesse espetar nestas paredes. Se este edifício tivesse olhos, eu colori-los-ia de um vermelho tão vivo como os meus já foram, tantas vezes, depois de sair daqui e ir para casa. O que me irrita mais neste edifício é que nem as suas paredes eu conseguiria magoar. O que me irrita mais é que a única coisa que me apetece fazer neste edifício é ligar o computador, digitar a minha password e entrar no meu weblog para desabafar. Por mim, não punha cá mais os pés. E conseguiria? Apenas se isso fizesse alguém feliz. E às vezes, penso que sim. Damon at 4:50 PM
Apetece-me fechar o meu corpo dentro de um quarto e, pior que isso, apetece-me ser escritor, ficar lá dentro a desenhar personagens surreais, mais Filhos do Outono, mais miúdas com medo do escuro, mais seres estranhos com nomes feitos de trocadilhos. E não voltar mais a este lugar. E não sair mais do meu quarto escuro. Mas há sempre o mar a chamar-me. «Meu H2O em chamas, qualquer dia ainda me reduzes a mais um pedaço de cinza branca que morre na areia, sem saber o que é o céu.» Damon at 7:30 PM Frase do momento: «Parabens.»
Nasci hoje as 9.30. Tu tambem nasces hoje. O dia e nosso. Se ha alguem com quem seja uma honra partilhar a data (ok, tirando o ano...) de nascimento, esse alguem es tu. E portanto a bebe a quem ha um ano dei os parabens, ja cresceu mais um bocadinho. Qualquer dia ja fala e ja anda e observa com os olhos grandes e redondos o mundo a sua volta. MUITOS PARABENS para uma das pessoas mais bonitas (por dentro e por fora) que eu tive o prazer de conhecer ate hoje! Que o dia te seja PROFIQUO (´´e assim que se escreve, nao e?...) e que o ceu permaneça tao bonito como hoje de manha, tao bonito como na hora em que nascemos, mesmo que com tres anos de diferença. Damon at 3:30 PM Damon at 8:41 PM
Damon at 8:41 PM
No próximo sábado vou, finalmente, nascer. Depois de fazer a primária, partirei para a escola da Maia, centro urbano em pleno crescimento, jovem e cheio de gente com um nível de vida acima da média, pleno no entanto de assimetrias que se reflectirão no ambiente escolar. Vou conhecer o Sílvio e o Gildo e, mais tarde, o Nuno. Vou vibrar com uma Daniela que, ao que sei agora, é veterinária. Mais tarde, vou-me atirar de cabeça para dentro de uns olhos azuis e tornar-me poeta à custa deles. Sei que, nos dois primeiros anos, a adaptação não será fácil. No início da década de noventa, eu vou ser um miúdo moralista, com a mania que é um anjo, o que não vai facilitar o diálogo com os meus colegas da cidade. Mas vou fazer amigos. Grandes amigos, alguns deles ainda me vão dar os parabéns quando eu fizer 24 anos, em 2004. O facto da mãe do Miguel ser minha professora de Historia vai fazer com que ele tenha que deixar a turma, o que vai ser bom para mim. Vou-me libertar mais, entregando-me a um grupo que será um dos mais marcantes de que farei parte. No 7º ano vamos, todos juntos, sem alterações, mudar de escola. É nessa altura que vou conhecer o Nuno. E tudo vai mudar. Os intervalos vão deixar de ser simplesmente altura de ir jogar futebol, os furos vão deixar de ser simplesmente momentos para ficarmos sentados a ver as nossas colegas passar. As aulas vão deixar de ser para estar atento. Esta altura será o auge de todas as formas de aproveitar o tempo, o clímax da qualidade de vida na adolescência, com apenas alguns buracos aqui e ali, colmatados com sonhos do tamanho de casas. Vou querer ser piloto de Formula 1, vou ter um kart para dar umas voltas e sonhar ainda mais. Vamos – eu e o Nuno – a tudo o que for festa, romaria, espectáculo de folclore, teatro, manifestação, comício, discurso do padre. E vamo-nos divertir como nunca… mais. O meu pai ainda conduzirá o velhinho Ford Granada e a minha mãe, o Seat Ibiza. Será nesta altura que a minha avó paterna nos deixará para ficarmos cada vez menos lá em casa. Mas será esta a altura mais feliz da minha vida, pelo menos, até aos 24. Talvez não a mais importante. Essa virá a seguir… (continua) Damon at 12:36 PM Frase do momento: «Gostas muito do avo, nao gostas?» No proximo sabado, vou nascer... (Parabens a quem nasceu hoje, como o Senhor Meliante...) Sei que no primeiro dia da escola Primaria vou reencontrar o Miguel e ficar espantado por ele estar ali. Vou-me sentar numa carteira daquelas antigas, em que o banco está preso à mesa cujo tampo levanta. Vamo-nos sentar os três – eu, o Miguel e a mãe dele que um dia será minha professora de História. A D. Alegria – que, por falar nisso, conduzirá um BMW de museu, verde fluorescente – não tem propriamente muita paciência. Vai-nos dar «cachaços» e bater-nos com uma cana que chega ao fundo da sala. Não desfazendo, eu vou ser dos mais bem-comportados. Eu e o Miguel vamos passar os intervalos a conversar enquanto os outros jogam futebol. Mais tarde, vou-me arrepender de não ter corrido e saltado mais… Isto vai acontecer em 1986. O meu jogador preferido do Benfica, por esta altura, vai ser o Carlos Manuel, por ter o nome do meu tio e por ser também o jogador preferido do meu avô materno – a grande influência no facto de eu vir a ser benfiquista. De facto, ao longo da minha infância, vou desejar com muita força cada uma das visitas dos meus avós ribatejanos, os meus grandes amigos. Vou passear com o meu avô por caminhos que, anos mais tarde, vão deixar de existir. Vamos conversar os dois com vizinhos que, anos mais tarde, vão deixar de estar lá, ao portão, a espera de que um avô passe com o neto de mão dada. Quando eu fizer oito anos, o meu grande companheiro que eu só via algumas vezes por ano vai-nos deixar. Vou finalmente perceber o inevitável e definitivo. A partir de então, já só posso esperar as visitas da minha avó materna e dos meus tios, tanto os de Santarém como os de Lisboa, juntamente com os meus primos. Aliás, com o meu primo Vasco que, alguns anos mais tarde, vai ser um brilhante licenciado em Medicina, vou viver algumas aventuras, como aquele Carnaval em que um adulto enraivecido por ter sido alvo das nossas pistolas de água me vai tentar destruir a bicicleta atirando-a várias vezes para o chão. Com a minha prima, a Vera, vou mais tarde ter conversas de uma ajuda preciosa. A sua atenção, a sua amizade vão-me ajudar várias vezes e vou desejar não estar tão longe… Outro dos meus grandes amigos, por esta altura, vai ser o Fúria – o nome engana… O meu pastor-alemao irá morar connosco quando eu tiver à volta de três anos e só deixará de respirar quando eu tiver quase dezanove. Pelo meio, correremos o jardim todo, ele tentará morder-me os pés enquanto eu ando de baloiço e encostará a cabeça às grades para que lha cocemos. Mais ou menos por esta altura, vou começar a desmaiar e vou ser tratado por um médico galego. Vou então fazer muitas viagens a meio da noite até Pontevedra e outras tantas para o Hospital de S. João. Um dia, por volta do ano 2004, vou-me aperceber do vazio da minha casa sem todos aqueles amigos. Alguns vão entretanto desaparecer no espaço mas não na memória; outros, cujas visitas serão cada vez mais raras, vão crescer e, tal como vai acontecer comigo, deixar de ter tempo para correr e saltar e passar as férias a brincar. Mas antes que isso aconteça, ainda vou ter tempo de rir e ver muitos episódios do Dartacão e inventar concursos e coleccionar cromos e jogar cartas com a minha avó e ir de bicicleta até sítios que se transformarão em hipermercados onde um dia farei compras e… Antes de 2004, ainda terei tempo de ser feliz. (continua) Damon at 9:08 PM Frase do momento: «Ola, Sr. Inverno!» Hope Hospital, Manchester, Abril de 1980 No próximo sábado, vou nascer. Vou ver a luz do dia e sentir-me aconchegado nos braços de uma enfermeira escocesa, sardenta. Avisaram-me à ultima da hora que ia ter que saltar cá para fora um mês mais cedo do que o previsto. Uma maçada… Por um lado, já estou farto de me alimentar sempre da mesma coisa. Por outro lado, isto aqui parece-me bem mais acolhedor do que o mundo dos «grandes». Em princípio, se tudo correr como previsto, vou passar alguns meses a ser empurrado num carrinho pelos parques verdes de Salford, particularmente aquele que se vê da janela do escritório onde o meu pai aparentemente trabalha. Quando me estiver a habituar a humidade do clima inglês e ao leite de soja do Tesco, já sei que me vão levar para um país distante onde se conduz pela direita apesar de todos andarem pela esquerda e onde todos os carros têm alguma coisa pendurada no retrovisor. É o país dos meus pais. Chama-se Portugal e pelo menos parece ser bastante mais quente… O meu avô paterno, doente, é a razão da nossa mudança. No fim, poucas recordações vou ter dele, já que morrerá quando eu tiver dois anos. Com três anos, vão-me inscrever no Lúmen, para eu fazer a pré-primaria. Vai haver lá uma funcionária a quem vou chamar «tio». Quando ela me perguntar «e porque não tia?», vou responder «porque pareces um homem…». Lá, vou conhecer o Miguel, que me vai acompanhar na Primaria e um ano na Preparatória e que vai ser o meu melhor amigo (sim, aquele que agora passa por mim na rua e não me vê, coitado…). Com cinco anos, vou dizer aos meus pais que estou apaixonado por uma Ana que faz anos no mesmo dia que eu e que não me vai ligar nenhuma. Aliás, eu só vou às festas de anos dela porque a mãe dela me vai convidar. Vou ser um miúdo tímido com quem quase ninguém brinca mas vou ser feliz, nesta fase. Nos tempos livres, vou construir casas com Lego e arrumar os carrinhos nas garagens debaixo dos móveis, achando sempre que cada família deve ter pelo menos um carro pequeno, um carro familiar, uma «space wagon» e um jipe. As vezes, também vou rabiscar papéis, fingindo que sei escrever, e entrevistar pessoas com uma caneta em vez de um microfone. (continua) Damon at 11:49 PM Damon at 12:46 PM Frase do momento: «Share your flames with me.» The great unknown mistake I'm gone like wind I'm gone like rain The law men cheer There's someone to blame I'm in a cell That's warm like hell Condemned to be Alone with myself It's alright It's alright It's warm in here It's warm in here I've been erased An absent face I wasn't told The crime that I made They said: «Accept your guilt Kill your smile And move away And don't come back Keep this town Clean and safe» I said: «I know It was my fault I do it all the time I do it all the time I don't know what But I do it all the time But I do it all the time I know why I'm to blame You do it all the time You do it all the time This crime that has no name Can someone explain? Can someone explain?» I can see the Sun Like no one can It keeps me from harm and says: «You're just a lonely man Like I'm a lonely star The crime that you made Was to be who you are Share your flames with me Share your blames with me» Damon Durham. Damon at 4:44 PM (foto tirada pela Luisa...) Ideias para um filme Talvez flores, Pousadas em cima do piano Fechado, timido, As teclas partidas escondidas E as flores, Ao lado da moldura vazia, Sem recordacoes de um qualquer jantar Selado por um beijo, Encerrado num sorriso E depois, as pessoas batiam palmas de pe, Dos camarotes pedia-se mais, Mais abraços, Mais olhares de compromisso, Mais espectaculo Para calar os criticos Com manchetes de titulo emocionado E relançar as nossas carreiras. Talvez folhas, Riscadas a tinta permanente, Daquela que nunca e provisoria Mesmo depois de lavar com detergente. As folhas Castanhas do tempo e da terra E do po dos passos parecidos Com os teus na tijoleira Esquecida de dancas. E depois, o gira-discos funcionava de novo, A sua mao acariciava o vinil E das paredes erguiam-se as sombras Que varriam o chao de todos os passos mal-dados E desenhavam de novo os teus pes e os meus E so entao o sol se punha, E so entao, com as faces cobertas de luz alaranjada, Os olhos nos olhos, As maos nas maos, So entao, O filme podia morrer por momentos No prenuncio das palavras «The End». So entao, Iamos para as nossas casas Separadas por estradas mal-iluminadas Com quilometros de linhas continuas Mal desenhadas no chao. Damon Durham. Damon at 7:50 PM Frase do momento: «Hoje nao vou, xau xau». «G: Eu podia ter-te dado outro destino. L: Es uma vitima da tua sensibilidade. G: Estamos aqui os dois. L: La fora, o mundo e controlado por pessoas como eu. G: As pessoas como tu acabam por enferrujar. L: Continuas a escrever coisas muito esquisitas, Graham… G: A esperança e a ultima a morrer. L: Tens voado de mais, aterraste so e deste com a cabeça no chão… G: Talvez. Havemos de voltar a voar.» Damon at 7:41 PM Frases do momento: Todas as piadas que magoam. And in the words of a dead poet, «Life is boring, Take me down below, That's where the badly behaved people go...» Am I a dreaming soldier, Sleepless with a gun on my side, Reading mad words of dead poets Whose life evaporated in pride... Am I a dark flower, Still seeking a sun to rely on, Writing mad words of living dead people, Too sensitive to be called a man. Damon Durham. Damon at 8:50 PM Frase do momento: «Nos somos os homens sensiveis, os monstros embrutecidos pelo dever de parecer mais fortes...» As emoçoes esbatem-se lentamente, numa transiçao demorada entre a imagem de um sorriso - suprema imagem de festa, muito para la das figuras frageis que se seguram aos copos para se manterem em pe - e a imagem escura e extremamente adulta do cepticismo. O Benfica quase ganha. Eu quase fico feliz. De ambos os jogos ninguem se lembrar´´a porque nao existe quase ganhar ou quase ficar feliz. Para a historia, ficam a derrota e a infelicidade. Ja nao tenho a mesma força que argumentava de forma clara, deixando em pratos limpos uma opiniao com garra. Quantas vezes agora deixo que os outros digam e fecho-me no silencio de um olhar desiludido. Nao interrompo. Nao ponho o dedo no ar para falar. Sento-me e observo e dou o meu apoio a quem de direito. Se ´´e que falamos de direito porque ´´e o lado esquerdo que me governa. Damon at 10:21 AM Desabafo: Sinto-me fragil como um poema rejeitado. Nao foi de proposito. Por isso estou triste e nao chateado. Cada vez gosto menos de mim. Estou cansado. Triste. Embruteço na ausencia de um vaso onde lançar as minhas sementes. E tudo isto se mistura como os papeis envelhecidos no bau das recordaçoes. Nao estou chateado. Estou triste. Cansado. Damon |